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domingo, 13 de dezembro de 2009

Baixa auto-estima compromete o rendimento e a satisfação pessoal

Tarefas como realizar relatórios minuciosos, analisar balancetes com atenção a cada vírgula e fazer planejamentos cuidadosos podem ser um verdadeiro castigo. A pessoa não consegue se concentrar, acaba se distraindo por qualquer coisa - o barulho do vento sibilando na cortina ou o tic-tac do relógio de mesa podem ser o suficiente - e no final se sente cansada e incapaz de fazer o trabalho que lhe foi confiado. O golpe na auto-estima é certeiro e tende a comprometer bastante o desenvolvimento profissional.

Isso pode fazer com que o portador tenha uma avaliação sempre negativa de si, sub-avaliando as suas qualidades e superdimensionando as deficiências. O resultado é um desempenho profissional e acadêmico aquém da capacidade e uma sensação constante de frustração.

Hoje aposentada, a ex-funcionária pública Ângela Magalhães teve sorte de já aos 18 anos passar em um disputado concurso público e desfrutar da cômoda estabilidade do emprego. Nunca teve que se preocupar para se manter no trabalho e realizava suas tarefas, a maioria delas referentes a burocracias de escritórios, sem grandes problemas.

- Nunca tive nenhuma dificuldade no meu trabalho, e acho que me saía muito bem em tudo o que eu realizava. Mas a verdade é que eram em geral atividades que não requeriam muito esforço ou concentração. Eram serviços simples que eu fazia corretamente.

Como a maioria das mulheres, ela apresenta predomínio dos sintomas da forma desatenta da doença - prestar pouca atenção em detalhes e cometer erros tolos, dificuldade de lembrar nomes e endereços, problemas para exercer atividades que exijam concentram por tempo prolongado - e passou a vida inteira com um sério problema de auto-estima por não conseguir realizar tarefas cotidianas: tinha grande dificuldade de "acordar" e se "ativar" pela manhã e, aos olhos dos familiares, parecia ter preguiça em tempo integral:

- Passei a minha vida inteira ouvindo meu pai me dizer que eu era "uma carga de preguiça". Mas eu sabia que o que eu tinha não era preguiça, só não sabia o que era. Me sentia muito frustrada por não conseguir realizar coisas simples nas quais as amigas da escola não encontravam qualquer dificuldade.

O diagnóstico de Ângela foi tardio. Ela só descobriu agora, aos 46 anos, que tem TDAH e está passando pela fase de fazer uma reavaliação completa da sua vida.

- Eu nunca realizei um trabalho, uma atividade que me deixasse realizada pessoal e profissionalmente por que sempre havia algo em mim que não deixava e eu não sabia o que era. Quando fiz um teste de QI e recebi o resultado - ela tem QI acima da média segundo teste neuropsicológico realizado em centro especializado - foi um inferno. Isso só reforçou a tese do meu pai de que eu não passava de uma preguiçosa e que não conseguia sucesso em nada por pura falta de vontade.

Ângela agora começou a fazer tratamento e comemora as pequenas vitórias que já está colecionando no dia-a-dia:

- Eu nunca conseguia me lembrar de endereços, números de telefone ou compromissos. Sempre me esquecia, me confundia e me atrapalhava toda. Sempre que tinha que ir a algum lugar lia e relia o tempo todo o endereço e me esquecia segundos depois. Tinha que ficar relembrando a cada instante. Mas outro dia fui à farmácia e havia anotado o endereço em um pedaço de papel que coloquei na minha bolsa, um hábito antigo. Quando estava na rua certa, automaticamente fui pegar o papel para ver o número quando "plim", como num passe de mágica, me lembrei sem precisar olhar o papel. Quem não sabe o que é sofrer de TDAH e ser chamada de "carga de preguiça" a vida inteira pode não entender, mas poucas vezes me senti tão feliz. A sensação que tenho é a de que eu fui concebida novamente agora, e que a minha vida vai recomeçar. E daqui para frente vai ser muito melhor - comemora, acrescentando que já tem um teste vocacional marcado e que pretende o quanto antes começar a fazer tudo o que passou a vida inteira tentando e não conseguia.

http://www.tdah.org.br/

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