Seguidores do Saber !

Direitos de Imagens

Direitos de Imagens
Toda imagem visualisada neste blog,são de origem do Google

sábado, 23 de outubro de 2010

Um dia na vida de um TDAH II





Olá!

Sabe de uma coisa? Faz um tempão que quero escrever, mas sempre acabo fazendo duzentas outras coisas e esqueço de outras.
Pois é..... Sou TDAH. É meio engraçado.... A gente conhece um monte de crianças assim, mas os adultos têm um pouco de vergonha de contar.
Eu também tenho. Tenho TDAH e criança com TDAH. As duas coisas.
Mas sabe, chega a ser engraçado em mim. No meu filho é dolorido.
Estou driblando um pouco essa confusão mental que é a nossa cabeça.
Olha só..... eu apronto cada uma.....
Estes dias à noite, meu marido me deu dinheiro e algumas contas p/ pagar. Me disse um montão de vezes o que eu devia pagar e me mostrou que havia colocado o dinheiro e as contas na minha bolsa No dia seguinte, eu achei o dinheiro na bolsa, nem vi as contas.Imagina! Fiquei toda contente. Pensei: Oba! eu tenho dinheiro aqui na bolsa!
Aí pensei: Vou encher o tanque do carro, vou ao mercado, etc..etc.... . É.... gastei todo o dinheiro.
Dai cheguei em casa à noite.....Ai Jesus! Imagina qual foi a primeira pergunta que o meu marido fez?!!!!!!! Óbvio: -- Pagou as contas?
Gelei! Nesses momentos o cérebro da gente funciona mais rápido que o de qualquer ser humano do mundo. Enquanto seu cérebro procurauma resposta , sua cabeça, repassa seu dia inteiro, até você entender que fez a maior burrada da sua vida. O resto nem precisa contar, né?
Ai.. Eu vivo fazendo isso....
E sabe o pior? Sou casada com um cara super metódico, certinho, que conferia até a CPMF da conta corrente, faz planilha e tudo mais.... Ele já chegou bem pertinho de enfartar por causa dos meus esquecimentos e das coisas que eu faço. Coitado! Eu bem que tento... mas puxa vida... tá no meu DNA.


Teve uma vez que marquei uma médica logo cedo. Pedi para o meu marido me dar carona até o consultório. Eu ia trabalhar depois. Entrei no consultório, entreguei a carteirinha do convênio; a recepcionista me pediu para aguardar. Ela faria a ficha e me chamaria para assinar. Entrei para a sala de espera e fiquei lendo uma revista. Já havia passado uns 15 minutos, e eu, lendo revista.
Aí de repente parei de ler e dei uma olhada em volta. Aí sim! Quase infartei. Eu tinha marcado endocrinologista e fui na ginecologista;
Locais diferentes, consultórios diferentes; nada a ver; tudo diferente.Agora a pior parte: Arranjar uma desculpa para pedir a carteirinha de volta, justificar que eu ia embora e rezar para a recepcionista não ter ainda percebido na agenda da médica que meu nome não estava lá. Foi super sem graça. Inventei uma desculpa esfarrapada. Como são muitas agendas, porque tem mais de um médica na clínica, eu disse que havia me enganado. Minha consulta era mais tarde e como havia chegado cedo, iria resolver outras coisas e voltaria depois.
Voltaria nada! Eu nem tinha consulta marcada!
Saí correndo feito louca, cheguei atrasada no outro consultório, mas ainda consegui ser atendida pela médica certa.
Isso é tão cansativo, tão estressante. Ter que ficar consertando e remediando os "foras" que a gente dá, gasta tempo, energia e nos prejudica, seja fisicamente, pessoalmente e profissionalmente.
Ah!!!! E teve uma vez que eu errei o meu apartamento. Eu havia ido viajar. Fiquei 1 mês na praia. Lá o apartamento era o 63. Depois das férias, voltei para casa. Em São Paulo, meu apartamento era o 42. Enquanto meu marido descarregava o carro subi pra casa. Quando eu estava colocando a chave na fechadura para abrir(sabe coisa de filme?), antes que eu colocasse a chave, o vizinho do apartamento ao lado, abriu a porta e todo simpático me cumprimentou:
__ Oi, tudo bem?
Eu não o conhecia. Retribui a simpatia e respondi:
__ Tudo! - Ele aproveitou:
__ Olha, eu estou reformando o apartamento, pretendo mudar em breve. Já pedi para a Eletropaulo ligar a energia, mas eles demoram uns 3 dias e o pedreiro precisa ligar a Makita. Você se incomodaria de me emprestar uma tomada do seu apatamento?
Eu: __ Claro que não! Imagina! Você precisa agora?
Ele:__ Não. Na verdade, o pedreiro virá amanhã às 10h. Posso tocar no seu apartamento lá pelas 10h então, quando o pedreiro começar o serviço?
Eu:__ Pode sim. Combinado.
Ele me agradeceu, eu toda solícita, disse que não era nada, imagina, etc...etc...
Aí ele fechou a prota do apartamento dele e o número dourado na porta dele ficou brilhando nos meus olhos: 61!!!??
Ai não! Eu misturei o números dos apartamentos da praia e + o da minha casa: 63....42.... e..
percebi que eu havia subido para 62. Droga!!! Moro no 42, subi para o 62 e ainda emprestei a tomada do apartamento que nem sei de quem é, para o vizinho dele que também acabei de conhecer.
É claro que eu não tive coragem de bater na porta e dizer isso pro cara depois de tod aquela conversa e agradecimentos.... O sujeito ficou tão agradecido. Deve ter me achado muito legal....
Nossa! Desci até o estacionamento onde meu marido estava acabando de descarregar o carro. Contei a história toda... Ele não teve nem um pouquinho de pena de mim. Me mandou voltar lá e explicar para o homem o que tinha acontecido. E sozinha! Eu acho que alguns TDAH são bonzinhos e obedientes.... Eu sempre fui.
Bom... nem contestei. ele tinha razão mesmo!
Voltei ao 62. Bati na porta. O homem abriu a porta e quando me viu sorriu. Eu com aquela cara
de quem não sabe muito bem como dizer. Comecei pedindo desculpas. Alías toda a minha vida, sempre pedi desculpas, muitas desculpas. As pessoas até falavam para eu parar de pedir tantas desculpas. Bem.,. enfim... Contei que eu não morava no andar, havia me enganado, na verdade morva 2 andares abaixo, etc... etc... O sorriso dele ficou meio amarelo e ele parecia não entender muito bem o que eu dizia. Na verdade fez aquela cara de "o que será que está acontecendo?"(alguém conhece essa cara?). Pois é... passei o maior "carão".
Isso tudo é só para ilustrar o que somos capazes de fazer quando nossa atenção é totalmente desfocada.
Estou lendo um livro: Um dia na vida de um TDAH. Vou aos poucos intercalar o conteúdo com minhas experiências. E vou dividir minhas experiências com meu filho que de verdade não têm sido nada engraçadas.


Fonte do Texto e Imagens Dez
http://eleanoramac.blogspot.com/

Um dia na vida de um Adulto com TDAH





Oi...

Eu contei que estava lendo um livro. Eu vou dizer: ler matérias que expliquem o que é TDAH com palavras técnicas ou linguagem rebuscada é meio complicado. Se for em preto e branco, então; pior! Este livro que estou lendo é muito legal. Pequeno com desenhos bem representativos do que é alguém com TDAH.

A terapeuta do meu filho me deu para ler. Porque eu e não ele?
Simples: Ela está fazendo um trabalho maravilhoso com ele que possui um distúrbio bem acentuado, como o meu. Parece mentira que passei diversos anos da vida dele, tadinho, tentando tratá-lo sem perceber que eu também fazia parte desta história. Como eu poderia tratar de uma criança da maneira que ela precisava, com terapias, fono, pedagoga, etc... se eu não conseguia me organizar? Aí encontrei uma terapeuta muito legal que me disse o que eu precisava ouvir; "Não é culpa sua, mas você está sendo irresponsável" . Pois é. Não me tratar, faz com que eu não melhore e consequentemente não consiga ajudar meu filho.
A Lígia é uma psicóloga/terapeuta renomada; professora titular da USP, trabalha no HC e na faculdade de Medicina do ABC; a Fundação. Mas acima disso, é alguém com uma visão muito além daquela de profissional. Ela consegue ver o "ser" envolvido em tudo isso. E tem nos ajudado muito. É o tipo de profissional que eu recomento para qualquer mãe que como eu vem buscando ajuda e quer enxergar luz no fim do túnel. Sabe porquê? Não considero TDHA uma doença nem um desespero de causa, mas quando não sabemos lidar e nem diagnosticar, esta coisa pequenina, se torna uma grande complicação na nossa vida.
Conheci outros profissionais em minhas andanças.Um dos médicos que conheci, me fez ver que somos pessoas maravilhosas. Ele me disse que a natureza é perfeita; quando perdemos algo, a natureza nos recompensa em outra. Ele atende crianças com TDHA, TOC, etc... Disse que nunca viu nenhum dessas pessoas ser "sacana". Usou este termo. Diz que estas crianças/adultos, geralmente são pessoas muito boas, sensíveis, têm talento para algum tipo de arte. Seja, desenho, música, litertura, etc.... Eu não desenho, não toco instrumento, mas quando cheguei à idade adulta, descobri qual era o meu talento. Eu sabia lidar com pessoas como ninguém. Tinha jogo de cintura para lidar com diversos tipo de pessoas, em qualquer momento. Isso me diferenciou de alguns colegas no trabalho e me deu oportunidade de chegar a um cargo de gerência numa grande empresa. Mas um cargo desses não depende só de contato pessoal.
Tenho metas, relatórios, reuniões, horários, planilhas..... ufa! É difícil. Acho que me desgasto mais do que meus pares, para fazer as mesmas coisas, sem falhar ou esquecer. A obrigação de acertar pesa muito sobre mim. Não é fácil. Algumas vezes, no final do dia, tenho a sensação de que gastei toda a minha energia. Fico ôca. Só a carcaça.
No final das contas, sabe o que eu acho? As trapalhadas que minha desatenção me proporcionam, antes me causavam angústia. Agora, encaro com naturalidade e até me divirto.

Um dia, levei meus filhos à escola. Como sempre, correndo, porque tenho uma séria dificuldade com horário. Meu marido estava junto. Estacionou o carro em frente ao colégio. Eu desci com minha filha e levei-a até o portão de entrada. Voltei correndo para o carro.
Abri a porta, entrei, sentei..... Na verdade, quando sentei no banco, e puxei a porta para fechar, senti que a maçaneta estava meio diferente, mas foi tão rápido! Sabe quando você sente que tem algo errado?
Nossa! Fechei a porta e virei para o banco do motorista para falar com meu marido....
Um homem que eu não conhecia, jazia grudado na porta(do motorista) com os olhos arregalados, a boca aberta, de onde um cigarro pendia, quase caindo. E ele, segurando um isqueiro na posição de acendê-lo, parecia uma estátua. A cena chegava a ser cômica, se eu naquele momento não estivesse tão assustda quanto ele, tentando descobrir o que acontecia ali.
Shazam! Ora, entrei no carro, errado! E com o cara errado! Acho que o sujeito coitado, estava tranquilo no carro dele, acendendo um cigarro, quando uma doida (eu) que ele não conhecia, adentrou rapidamente em seu carro, dando-lhe o maior susto. Ele ficou duro! E eu também! Minha cabeça começou a pensar em milésimos de milésimos de segundos, como eu explicaria "aquilo" para aquele homem.
Lembram do meu marido certinho? Pois é.... Dei uma olhada para a frente e vi os olhos dele refletidos no espelho do carro estacionado mais adiante. Vi até sobrancelhas com aquele formato de quem está muito bravo. Rapidamente, disse ao homen que eu havia entrado no carro errado, que meu carro era o da frente e que ele me desculpasse.
Nem sei o que ele diria, porque não esperei a resposta e saí correndo.
Meu marido super nervoso me disse que eu era muito desatenta e que o matara de vergonha.
Pode? Quem entrou no carro errado, pagou o maior mico fui eu não ele!
Mas emfim, ficou todo enfezado.
Fiquei rezando para que ninguém tivesse percebido, mas no dia seguinte para minha surpresa, minha filha me perguntou:
__ Mãe, a Cíntia me disse que você entrou no carro do pai dela e deu o maior susto nele. É verdade?
___ É. - Não emcompridei a conversa.
Mas aí não tinha mais jeito. Comecei a dar risada, só de me lembrar da cara que o sujeito fez.
Droga! Tinha que ser justo no carro do pai da amiga da minha filha? Fazer o quê, né?
Fiquei um tempão me escondendo do indivíduo e quando o encontrava, fingia que não tinha sido comigo.



Fonte do Texto e Imagem
http://eleanoramac.blogspot.com/

Tdah Video




Bom, para entender o que é TDAH segue abaixo um vídeo da psiquiatra e escritora Ana Beatriz Silva:



Drª Ana Beatriz Silva
Imagem do google
Ocorreu um erro neste gadget

Crianças Felizes Demais Nosso Blog!