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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Transtorno Oculto”.





TDAH & por ABDA

Texto do Dr. Sérgio Bourbon Cabral – psiquiatra e membro da diretoria ABDA
Se a apresentação do TDAH na infância em geral é clara, com as conhecidas manifestações de inquietação motora, dificuldades de atenção nas aulas e na realização das tarefas escolares, além das falhas no controle dos impulsos, o mesmo não se pode dizer da apresentação do transtorno na idade adulta.
A modificação ou atenuação dos sinais de hiperatividade e por vezes também os de impulsividade fazem do quadro no adulto um transtorno com predomínio de sintomas cognitivos em contraposição ao quadro predominantemente motor e comportamental na infância. Entre os adultos ficam mais evidentes as imperfeições das chamadas funções executivas, entendendo-se por esse conceito um conjunto complexo de funções de planejamento, organização e execução de tarefas visando a uma meta mais adequada no futuro de preferência a uma resposta imediata, com ganhos menores no presente.
Não bastasse o transtorno no adulto ser um quadro menos evidente em conseqüência dessas modificações dos sintomas, nos adultos o problema torna-se ainda mais difícil de identificação requerem do profissional uma maior perícia e familiaridade com as formas de expressão do TDAH por duas outras razões. Elas são: de um lado, os problemas emocionais e de relacionamento comuns nessas pessoas, e de outro lado os diversos transtornos (comorbidades) que aparecem associados ao TDAH com uma freqüência muito maior que entre as crianças. Vamos comentar cada uma desses biombos que ocultam o transtorno básico:
a) Os problemas emocionais e de relacionamento do portador adulto
Se ao fato de o TDAH iniciar na infância somamos a possibilidade freqüente de ele não ter sido identificado precocemente, podemos facilmente compreender que uma conseqüência provável será o aparecimento de uma série de dificuldades no relacionamento com as outras pessoas e comprometimentos da dinâmica psíquica do portador.
O desenvolvimento sadio de qualquer pessoa depende basicamente de uma provisão adequada de respostas adequadas por parte dos pais ou seus substitutos, em especial de manifestações sob a forma de admiração. Não é difícil imaginar como a presença do TDAH na criança interfere nesse processo, privando a criança desse tipo de resposta essencial para a estruturação de um self saudável. Críticas freqüentes, punições repetidas, além evidentemente da escassez de elogios, passam a fazer parte do repertório de experiências da criança e adolescente que certamente ficarão internalizadas na pessoa adulta e que nortearão a imagem que ela fará de si mesma. A vida psíquica do portador se estrutura nesse clima emocional, e os problemas de interação resultantes se sobrepõem aos sintomas básicos do transtorno, muitas vezes superando a esses em intensidade e importância clínica. Não é por acaso que a ida aos consultórios de psicólogos é um dado comum na história pregressa de pessoas identificadas na idade adulta. De importância prática é a constatação que essas perturbações da dinâmica intrapsiquica e interpessoal podem persistir mesmo quando o adulto é tratado para o transtorno subjacente, impondo-se nesses casos uma psicoterapia conduzida por profissional com boa informação sobre o TDAH, do contrário poderão surgir interpretações sobre os atrasos, os esquecimentos, as desatenções, que só farão aumentar a carga de culpa do portador.
b) As comorbidades são muito freqüentes
Psiquiatras especializados no TDAH costumam ter a experiência de rever um antigo cliente e se darem conta que no tratamento anterior não identificaram o transtorno e trataram apenas a condição comórbida.
Timothy Wilens, psiquiatra especialista da Universidade de Harvard, nos EUA, estima que de cada dez adultos atendidos em ambulatório de saúde mental quatro apresentam o TDAH associado a um ou mais transtornos psiquiátricos. Muitas vezes o paciente procura o tratamento por causa do problema comórbido e não por causa do TDAH.
Quando o motivo da consulta são os sintomas do TDAH trata-se de casos com menor grau de comprometimento na vida do indivíduo. Geralmente são indivíduos que fizeram seu autodiagnóstico ou somente foram diagnosticados na vida adulta. Portadores de TDAH que não tiveram seu diagnóstico feito ainda na infância geralmente apresentam maior número de comorbidades e maior comprometimento em sua vida.
Ainda existe alguma controvérsia quanto ao grau de conhecimento em relação ao próprio transtorno. Aparentemente, o grau de autoconhecimento diminui à medida que aumenta o comprometimento na vida e maiores são as comorbidades




Fonte texto:http://www.tdah.org.br/br/textos/textos/item/117-a-crian%C3%A7a-com-tdah-e-a-escola.html
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