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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Surdez





A surdez de transmissão está relacionada com alterações do ouvido externo (obstrução do canal auditivo externo : por ex. rolhão de cerúmen) ou do ouvido médio (otites, lesão dos ossículos,…).

O défice, geralmente moderado, afecta sobretudo a percepção dos sons graves e pouco intensos: ouve-se com dificuldade ou não se ouve a voz baixa ou sussurrada.

 Les surdités neurosensorielles

Clique

A surdez neurossensorial ou de percepção deve-se a disfunção do ouvido interno e geralmente é reflecte a lesão das células ciliadas ou do nervo auditivo.

Raramente a causa está localizada nos centros auditivos do sistema nervoso central.
Nota : Uma surdez de transmissão e neurossensorial podem apresentar-se combinadas no mesmo ouvido, o que constitui uma surdez mista. Por ex. Uma patologia do ouvido médio como a otosclerose pode, Numa fase avançada, afectar o ouvido interno e provocar uma surdez mista.

A SURDEZ UNILATERAL E A SURDEZ BILATERAL
A hipoacusia pode afectar um só ouvido (surdez unilateral) ou os dois ouvidos de simétrica ( surdez bilateral simétrica) ou, sendo bilateral, ser mais importante dum lado que do outro (surdez bilateral assimétrica). As consequências sobre a percepção auditiva são diferentes: A surdez bilateral, obviamente é muito mais incapacitante que a unilateral.
 È a mesma situação da visão em que não se pode comparar o cego com a "mirolho".

A IDADE DE COMEÇO DA SURDEZ
Nos países ocidentais, a percetagem da população com perda auditiva é de 7 a 8 % (por ex. em França, os números oficiais de 1998 indicavam a presença de mais de 4 milhões de surdos.

A surdez pode desenvolver-se de múltiplas formas ao longo do tempo. Pode instalar-se de forma súbita ou progressiva e pode ser estável ou flutuante ao longo do tempo.

A idade de aparecimento da surdez é um aspecto muito importante. Nas crianças, as repercussões da surdez são muito diferentes se esta surgir antes ou depois da aquisição da linguagem. Por tanto, a idade de aparecimento da surdez é um aspecto muito relevante. Por outro lado uma surdez detectada pouco após a sua instalação tem melhores perspectivas que uma surdez antiga.
 Cada vez mais países estão desenvolvendo programas de detecção precoce de surdez nos recém nascidos e campanhas de prevenção para a restante população.

A SURDEZ GENÉTICA OU ADQUIRIDA
A surdez pode ser genética ou adquirida durante a vida pós-natal através duma doença (traumatismo acústico, infecção, ototóxicos, envelhecimento, etc.).Mas também pode ser devida a alterações adquiridas sobre uma predisposição genética. Os indivíduos são todos diferentes face à infecção ou o traumatismo acústico, etc..

A la naissance

 Ao nascimento

Segundo a organização mundial de saúde em cada 1000 nascimentos diagnosticam-se 1 a 1,5 casos de surdez severa ou profunda, e este número eleva-se a 3% se forem incluídos casos de surdez moderada e aos 5% se forem incluídos todos os casos de hipoacusia.
 Três quartos dos casos de surdez são de causa genética (g). O outro quarto são adquiridas durante a gravidez ou no período perinatal.

Chez l'enfant

 Nas crianças

A maioria dos casos de surdez são devidos a problemas do ouvido médio (OM) como a otite crónica ou a otite média com efusão ou seromucosa.
 A percentagem de casos de hipoacusia de causa genética reduz para aproximadamente 10%.
 O restante (azul) é causado por múltiplos factores.

Chez l'adulte

Chez l'adulte

Os factores que causam surdez no adulto estão a aumentar e representam, na actualidade, a grande maioria dos casos de surdez.

As otites médias crónicas (OM) só são responsáveis por 20% dos casos, algo menos que a doença da Meniére (M), que também atinge o sistema vestibular (vertigem). O traumatismo acústico (t) causado pela sobre-exposição sonora, ocupa hoje o primeiro lugar dos factores responsáveis pela surdez… e a sua importância só pode aumentar (ver " Ruído: Atenção perigo! Protecção)

Outros factores completam este gráfico: principalmente os medicamentos ototóxicos e a surdez súbita. A surdez de origem genética (g) só é responsável por uma pequena percentagem do total, mas deve-se assinalar que em muitos casos (trauma acústico, ototoxicidade, Meniére…) é provável que existam componentes genéticos que acelerem a surdez adquirida.

SURDEZ NA VELHICE
Esta imagem mostra o nível auditivo médio das pessoas de 20, 40, 60 e 90 anos. È provável que as variações individuais se devam também a um componente genético.

É preciso ter em atenção que a presbiacusia não é independente da surdez adquirida. O envelhecimento "natural" pode estar acelerado como consequência de todas lesões acumuladas ao longo dos anos. Por exemplo a exposição excessiva a ruídos demasiado intensos ou traumáticos pode ser responsável por uma presbiacusia precoce: pode ter-se 49 ou 50 anos e ter ouvidos com 90 anos.


Clique sobre tecla para ver a aceleração da presbiacusia (que se denomina presbiacusia precoce), devida à exposição excessiva ao som.




Nota: Os graus de surdez e a sua investigação são apresentados noutro local deste site: na introdução ao capítulo " tratamentos actuais"

sábado, 30 de novembro de 2013

DDA...







O Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA) ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal




O DDA ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Quando pessoas que têm DDA tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao invés de aumentar (como nos sujeitos do grupo de controle de cérebros normais). Assim sendo, pessoas que sofrem de DDA mostram muitos dos sintomas discutidos nesse capítulo, como fraca supervisão interna, pequeno âmbito de atenção, distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento.
O DDA tem sido de particular interesse para mim nos últimos 15 anos. A propósito, dois dos meus três filhos têm essa síndrome. Eu digo às pessoas que entendo mais de DDA do que gostaria. Através de uma pesquisa feita com SPECT na minha clínica, com imagens cerebrais e trabalho genético feito por outras, descobrimos que o DDA é basicamente uma disfunção geneticamente herdada do córtex pré-frontal, devido, em parte, a uma deficiência do neurotransmissor dopamina.
Aqui estão algumas das características comuns do DDA, que claramente ligam essa doença ao córtex pré-frontal.


Quanto mais você tenta, pior fica
A pesquisa mostrou que quanto mais as pessoas que têm DDA tentam se concentrar, pior para elas. A atividade no córtex pré-frontal, na verdade, desliga, ao invés de ligar. Quando um pai, professor, supervisor ou gerente põe mais pressão na pessoa que tem DDA, para que ela melhore seu desempenho, ela se torna menos eficiente. Muitas vezes, quando isso acontece, o pai, o professor ou chefe interpretam o ocorrido como um decréscimo de performance, ou má conduta proposital, e daí surgem problemas sérios. Um homem com DDA de quem eu tratei disse-me que sempre que seu chefe o pressionava para que fizesse um trabalho melhor, seu desempenho piorava muito, ainda que estivesse tentando melhorar. A verdade é que quase todos nós nos saímos melhor com elogios. Eu descobri que isso é essencial para pessoas com DDA. Quando o chefe as estimula a fazer melhor de modo positivo, elas se tornam mais produtiva. Quando se é pai, professor ou supervisor de alguém com DDA, funciona muito mais usar elogio e estímulo do que pressão. Pessoas com DDA saem-se melhor em ambientes que sejam altamente interessantes ou estimulantes e relativamente tranqüilos.


Pequeno âmbito de atenção
Um âmbito de atenção pequeno é a identificação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa, pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes, interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa consiga focalizar e se concentrar. Uma criança com DDA pode se sair muito bem em uma situação interpessoal e desmoronar completamente em uma sala de aula com 30 crianças. Meu filho que tem DDA, por exemplo, costumava levar quatro horas para fazer um dever de casa que levaria meia hora, muitas vezes se desligando da tarefa. Mas se você lhe der uma revista sobre estéreo de carros, ele a lê rapidamente de cabo a rabo e se lembra de cada detalhe. Pessoas com DDA têm dificuldade em prestar atenção por muito tempo em assuntos longos, comuns, rotineiros e cotidianos, como lição de casa, trabalho de casa, tarefas simples ou papelada. O terreno é terrível e uma opção nada desejável para elas. Elas precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex pré-frontal.
Muitos casais adultos me dizem que, no começo de seu relacionamento, o parceiro com DDA adulto conseguia prestar atenção à outra pessoa durante horas. O estímulo de um novo amor ajudava-o a se concentrar. Mas quando a "novidade" e a excitação do relacionamento começavam a diminuir (como acontece com quase todos os relacionamentos), a pessoa com DDA tinha muito mais dificuldade em prestar atenção e sua capacidade de escutar falhava.



Distração
Como já mencionei acima, o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do cérebro, sossegando os dados advindos do meio, de modo que você possa se concentrar. Quando o córtex pré-frontal está com hipoatividade, ele não desencoraja adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, como resultado, estímulos em demasia bombardeiam o cérebro. A distração fica evidente em muitos locais diferentes para uma pessoa com DDA. Na classe, durante reuniões, ou enquanto ouve um parceiro, a pessoa com DDA tende a perceber outras coisas que estão acontecendo e tem dificuldade em se concentrar na questão que está sendo tratada. As pessoas que têm DDA tendem a olhar pelo quarto, desligar-se, parecer aborrecidas, esquecer-se de para onde vai a conversa e interrompê-la com uma informação totalmente fora do assunto. A distração e o pequeno âmbito de atenção podem também fazer com que elas levem muito mais tempo para completar seu trabalho.


Impulsividade
A falta de controle do impulso faz com que muitas pessoas que têm DDA se metam em enrascadas. Elas podem dizer coisas inadequadas para os pais, amigos, professores, outros empregados, ou clientes. Uma vez eu tive um paciente que foi despedido de 13 empregos, porque tinha dificuldade em controlar o que dizia. Ainda que realmente quisesse manter vários dos empregos, de repente punha para fora o que estava pensando, antes de ter a oportunidade de processar o pensamento. Decisões mal pensadas são ligados à impulsividade. Em vez de pensar bem no problema, muitas pessoas que sofrem de DDA querem uma solução imediata e acabam agindo sem pensar. De modo similar, a impulsividade faz com que essas pessoas tenham dificuldade de passar pelos canais estabelecidos do trabalho. Elas freqüentemente vão direto ao topo para resolver os problemas, em vez de seguir o sistema. Isso pode causar ressentimento dos colegas e supervisores imediatos. A impulsividade pode também levar a condutas problemáticas como mentir (diz a primeira coisa que vem a cabeça), roubar, Ter casos e gastar em excesso. Eu tratei de muitas pessoas com DDA que sofriam da vergonha e da culpa oriundas desses comportamentos.
Nas minhas palestras costumo freqüentemente perguntar ao público: "Quantas pessoas aqui são casadas?". Uma grande porcentagem da platéia levanta as mãos. Depois eu pergunto: "É útil dizer tudo o que pensa em seu casamento?". O público ri, porque todos sabem a resposta. "Claro que não", eu continuo. "Os relacionamentos requerem tato." Mesmo assim, devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, muitas pessoas que têm DDA dizem a primeira coisa que vem à mente. E, em vez de pedir desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justificar por que fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento inteiro."


A busca do conflito
Muitas pessoas que sofrem de DDA inconscientemente buscam o conflito como uma maneira de estimular seu próprio córtex pré-frontal. Eles não sabem que fazem isso. Não planejaram fazer isso. Negam que fazem isso. E ainda assim o fazem. A relativa falta de atividade e estímulo do córtex pré-frontal anseia por mais atividade. Entrar em hiperatividade, desassossego, e ficar cantarolando são formas de auto-estimulação. Outro modo de as pessoas com DDA "tentarem ligar seus cérebros" é provocando confusão. Se elas conseguem que seus pais ou cônjuges tornem-se agitados ou gritem com elas, isso pode aumentar a atividade de seus lobos frontais e ajudá-las a sentirem-se mais sintonizadas. Novamente este não é um fenômeno consciente. Mas parece que muitas pessoas que têm DDA ficam viciadas em confusão.
Uma vez tratei de um homem que ficava quieto atrás de um canto de sua casa e pulava de repente para assustar sua esposa na hora em que ela fosse entrar. Ele gostava da mudança que obtinha com os gritos dela. Infelizmente para sua esposa, ela ficou com arritmia, devido aos sustos repetidos. Tratei de muitos adultos e crianças com DDA que pareciam sentir-se motivados fazendo seus animais de estimação ficar bravos, fazendo brincadeiras irritantes ou provocando-os.
Os pais de crianças com DDA comumente relatam que seus filhos são peritos em deixá-los bravos. Uma mãe me contou que, quando ela acorda de manhã, ela promete que não vai gritar nem ficar brava com seu filho de oito anos. Ainda assim, invariavelmente, na hora que ele vai para escola, já ouve pelo menos três brigas e os dois se sentem péssimos. Quando expliquei à mãe sobre a necessidade inconsciente que a criança tem de estimulação, ela parou de gritar com ele. Quando os pais param de oferecer estimulação negativa (gritos, surras, sermões, etc), diminui o comportamento negativo dessas crianças. Sempre que você se sentir como esses pais, pare e fale o mais suavemente que possa. Desse modo, você está ajudando seu filho a largar o vício de arranjar confusão e ao mesmo tempo colaborando para baixar sua própria pressão sangüínea.
Outra conduta de auto-estimulação comum em pessoas que têm DDA é se preocupar com ou se concentrar em problemas. O tumulto emocional gerado pela preocupação ou por estar aborrecido produz agentes químicos de estresse, que mantêm o cérebro ativo. Uma vez tratei de uma mulher que tinha depressão e DDA. Ela começava cada sessão me dizendo que iria se matar. Ela percebia que isso me deixava ansioso e parecia gostar de me dar os detalhes mórbidos de como o faria. Depois de conhecê-la bem, eu lhe disse: "Pare de falar em suicídio. Eu não acredito que você vá se matar. Você ama seus quatro filhos e não posso acreditar que os abandonaria. Acho que você usa essa conversa como uma maneira de criar agitação. Sem que você saiba, seu DDA faz com que você brinque de ‘Vamos criar um problema’. Isso estraga qualquer alegria que você possa Ter em sua vida". No começo, ela ficou muito zangada comigo (outra fonte de conflito, eu disse a ela), mas confiava em mim o suficiente para, no mínimo, observar seu próprio comportamento. Diminuir sua necessidade de criar caso tornou-se o foco maior da psicoterapia.
Um problema significativo do uso da raiva, tumulto emocional e emoção negativa para auto-estimulação é isso que é danoso ao sistema imunológico. Os altos níveis de adrenalina produzidos pelo comportamento direcionado ao conflito diminuem a eficácia do sistema imunológico e aumentam a vulnerabilidade à doença. Eu vi provas dessa deficiência muitas e muitas vezes, na conexão entre o DDA e infeções crônicas e na maior incidência de fibromialgia, dor muscular crônica que se considera associada à imunodeficiência.
Muitas pessoas que têm DDA tendem a se meter em brigas constantes com uma ou mais pessoas, em casa, no trabalho ou na escola. Elas parecem escolher inconscientemente pessoas que são vulneráveis e travam batalhas verbais com elas. Muitas mães de filhos com DDA me disseram que tinham vontade de fugir de casa. Elas não agüentavam o tumulto constante de suas relações com as crianças com DDA. Muitas crianças e adultos com DDA têm tendência de deixar os outros sem graça por pouca ou nenhuma razão, o que conseqüentemente faz com que suas "vítimas" se distanciem deles e isso pode resultar em isolamento social. Elas podem ser os palhaços da classe na escola, ou os espertinhos no trabalho. Witzelsucht é o termo que a literatura da neuropsiquiatria usa para caracterizar "o vício em fazer brincadeiras de mau gosto". Esse vício foi descrito inicialmente em pacientes que tinham tumores no lobo frontal, especialmente do lado direito.


Desorganização
Desorganização é outro marco importante do DDA. A desorganização inclui tanto o espaço físico, como salas, escrivaninhas, malas, gabinetes de arquivo e armários, quanto o tempo. Freqüentemente quando se olha para as áreas de trabalho de pessoas com DDA, é admirar que possam trabalhar ali. Elas tendem a Ter muitas pilhas de "coisas"; a papelada é algo que freqüentemente elas têm muita dificuldade de organizar; e parece que têm um sistema de arquivo que só elas podem entender (e mesmo assim só nos dias bons). Muitas pessoas com DDA têm atrasos crônicos ou adiam as coisas até o último momento. Eu tive vários pacientes que compraram sirenes de companhias de segurança para ajudá-los a acordar. Imagine o que deviam pensar os vizinhos! Essas pessoas também tendem a perder a noção do tempo, o que contribui para que se atrasem.


Começam muitos projetos, mas terminam poucos
A energia e o entusiasmo de pessoas com DDA muitas vezes as leva a começar muitos projetos. Infelizmente, pelo fato de serem distraídas e dado o seu pequeno âmbito de atenção, prejudicam sua capacidade de completá-los. Um gerente de uma estação de rádio me disse que ele começara cerca de 30 projetos especiais no ano anterior, mas havia completado uns poucos apenas. Ele me disse: "Estou sempre voltando para eles, mas tenho novas idéias que acabam atrapalhando". Também tratei de um professor que me disse que, no ano anterior ao que veio me consultar, ele começara 300 projetos diferentes. Sua esposa terminou seu pensamento dizendo que ele completara somente três.


Mau humor e pensamento negativo
Muitas pessoas com DDA tendem a ser mal-humoradas, irritadiças e negativas. Como o córtex pré-frontal está pouco ativo, ele não pode moderar totalmente o sistema límbico, que fica hiperativo, levando a problemas no controle do humor. De outro modo sutil, como já mencionado, muitas pessoas com DDA preocupam-se com ou ficam superconcentradas em pensamentos negativos, como uma forma de auto-estimulação. Se não conseguem arrumar confusão com os outros no meio ambiente, buscam isso dentro de si mesmas. Elas freqüentemente têm uma atitude do tipo "o mundo está acabando", o que as distancia dos outros.
Antes o DDA era considerado um distúrbio de garotos hiperativos que o superariam antes da puberdade. Sabemos agora que a maioria das pessoas que têm DDA não supera os sintomas do distúrbio e que este, freqüentemente, ocorre em meninas e mulheres. Calcula-se que o DDA afete 17 milhões de norte-americanos.


LISTA DE CHECAGEM DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL
Aqui está uma lista de checagem do córtex pré-frontal. Por favor, leia essa lista de comportamentos e classifique-se (ou à pessoas que você estiver avaliando) em cada comportamento catalogado. Use a escala e coloque o número apropriado ao lado do item. Cinco ou mais sintomas com a nota 3 ou 4 indicam grande probabilidade de problemas no córtex pré-frontal.
0 = nunca
1 = raramente
2 = ocasionalmente
3 = freqüentemente
4 = muito freqüentemente
___1. Incapacidade de prestar atenção a detalhes ou evitar erros por falta de cuidado
___2. Problema em manter a atenção em situações de rotina (dever de casa, tarefas, papelada, etc.)
___3. Dificuldade em ouvir
___4. Incapacidade de terminar coisas, seguimento insuficiente
___5. Falha na organização de tempo e espaço
___6. Distração
___7. Pouca habilidade de planejamento
___8. Falta de objetivos definidos ou de pensar no futuro
___9. Dificuldade em expressar os sentimentos
___10. Dificuldade em expressar solidariedade pelos outros
___11. Excessivo sonhar acordado
___12. Tédio
___13. Apatia ou falta de motivação
___14. Letargia
___15. Sentimento de vazio de estar "em uma neblina"
___16. Desassossego ou dificuldade de ficar parado
___17. Dificuldade de permanecer sentado em situações em que se espera que a pessoa fique sentada
___18. Busca de conflito
___19. Falar demais ou de menos
___20. Dar rápido a resposta, antes de as perguntas terem sido completadas
___21. Dificuldade em esperar sua vez
___22. Interrupção dos outros ou intromissão (por exemplo: meter-se em conversas ou jogos)
___23. Impulsividade (dizer ou fazer coisas sem pensar antes)
___24. Dificuldade de aprender pela experiência, tendência para cometer erros repetitivos

RECEITA CPF 8:
NÃO SEJA O ESTIMULANTE DE OUTRA PESSOA
Como eu já mencionei, muitas pessoas com problemas no córtex pré-frontal tendem a procurar conflito para estimular seu cérebro. É de máxima importância que você não alimente a tormenta, mas, pelo contrário, deixe-a passar fome. Quanto mais alguém com esse padrão inadvertidamente tenta deixá-lo aborrecido ou bravo, mais você precisa ficar quieto, calmo e firme. Eu ensino os pais de filhos com DDA a deixar de gritar. Quanto mais eles gritam e aumentam a intensidade emocional na família, mais as crianças vão procurar confusão. Eu também ensino irmãos e cônjuges a manter a voz baixa e uma conduta calma. Quanto mais a pessoa com DDA tentar tumultuar a situação, menos intensa deve ser a reação do outro.
É fascinante mostrar como essas receitas funcionam. Em geral, as pessoas que buscam conflitos estão acostumadas a conseguir que você se aborreça. Elas conhecem perfeitamente todos os seus pontos emocionais frágeis, e os cutucam com regularidade. Quando você começa a negar-lhes o drama e a adrenalina (reagindo menos e de modo mais calmo em situações de estresse), essas pessoas inicialmente reagem muito negativamente, quase como se estivessem com uma crise de abstinência de droga. Na verdade, quando você fica mais calmo pela primeira vez, elas podem até tentar piorar as coisas, a curto prazo. Mantenha-se firme e elas vão melhorar a longo prazo.
Não grite.
Quanto mais a voz dela aumenta, mais sua voz deve diminuir.
Se você sente a situação começar a sair do controle, dê um tempo. Dizer que você precisa ir ao banheiro pode ser uma boa receita. Provavelmente a pessoa não vai tentar impedi-lo. Pode ser uma boa idéia Ter um livro grosso em mãos, caso a pessoa esteja realmente transtornada e você precise se afastar por um longo período.
Use de humor (mas não humor sarcástico ou bravo) para apaziguar a situação.
Seja um bom ouvinte.
Diga que você quer entender e trabalhar a situação, mas só pode fazer isso quando as coisas estiverem tranqüilas.

RECEITA CPF 10:
OBSERVE A NUTRIÇÃO DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL
A intervenção nutritiva pode ser especialmente útil nessa parte do cérebro. Durante anos recomendei uma dieta alta em proteínas e baixa em carboidratos, relativamente de pouca gordura para meus pacientes com DDA. Essa dieta tem um efeito estabilizador nos níveis de açúcar no sangue e ajuda tanto no nível de energia quanto na concentração. Infelizmente, a grande dieta norte-americana é cheia de carboidratos refinados, que tem um efeito negativo nos níveis de dopamina no cérebro e na concentração. Com ambos os pais trabalhando fora de casa, há menos tempo para preparar refeições saudáveis e refeições fast-food tornaram-se mais comuns. O café da manhã de hoje consiste tipicamente de alimentos que têm muitos carboidratos simples, como waffles congelados ou panquecas. Tortas, bolinhos, doces e cereais. A salsicha e os ovos foram deixados de lado em muitas casas, devido à falta de tempo e à idéia de que a gordura faz mal. Ainda que seja importante ser cuidadoso na ingestão de gordura, o café da manhã antigo não é uma idéia tão má para as pessoas que têm DDA ou outros estados onde a dopamina seja insuficiente.
As melhores fontes de proteína que eu recomendo são as carnes magras, ovos, queijos magros, nozes e legumes, que ficam mais equilibradas com uma porção saudável de vegetais. Um café da manhã ideal consiste de uma omelete com queijo magro e carne magra, como a de frango. Um almoço ideal consiste de atum, frango ou salada de peixe fresco, com legumes mistos. Um jantar ideal contém mais carboidratos, para equilibrar a refeição com carne magra e legumes. Eliminar açucares simples (como nos bolos, doces, sorvetes e guloseimas) e carboidratos simples, que são prontamente quebrados em açúcar (como pão, massa, arroz e batatas), terá um impacto positivo no nível de energia e aquisição de conhecimento. Essa dieta ajuda a elevar os níveis de dopamina no cérebro. É importante observar, no entanto, que essa dieta não é ideal para pessoas com problemas no cíngulo ou de concentração excessiva, que geralmente se originam de uma relativa deficiência de serotonina. Os níveis de serotonina aumenta, a dopamina tende a decrescer e vice-versa.
Suplementos nutritivos podem também surtir efeito positivo nos níveis de dopamina do cérebro e melhoram o foco e a energia. Eu freqüentemente faço meus pacientes tomar uma combinação de tirosina (500 a 1.500 miligramas duas ou três vezes ao dia); sementes de uva OPC (oligomeric procyanidius) ou casca de pinho, encontradas em lojas de produtos naturais (meio miligrama por quilo do peso do corpo); e gingko biloba (60 a120 miligramas duas vezes ao dia). Esses suplementos ajudam a aumentar o fluxo de dopamina e o fluxo sangüíneo no cérebro e muitos dos meus pacientes relatam que eles ajudam na energia, na concentração e no controle de impulso. Se quiser tentar esses suplementos, fale com seu médico.


RECEITA CPF 11:
TENTE O FOCO MOZART
Um estudo controlado descobriu que ouvir Mozart ajudava crianças com DDA. Rosalie Rebollo Pratt e colegas estudaram 19 crianças com DDA, entre os sete e dezessete anos. Eles tocavam discos de Mozart para as crianças, três vezes por semana, durante sessões de biofeedback de ondas cerebrais. Eles colocavam o 100 Masterpieces , volume 3, que incluía o Concerto para Piano n.º 21 em dó, O Casamento de Fígaro , o Concerto para Flauta n.º 2 em lá, Don Giovanni e outros concertos e sonatas. O grupo que ouvia Mozart reduzia sua atividade de ondas cerebrais teta (ondas lentas que são freqüentemente excessivas no DDA) ao ritmo exato do compasso subjacente da música; e exibia melhora de concentração e controle de humor, diminuindo a impulsividade e aumentando a habilidade social. Entre os sujeitos que melhoraram, 70 por cento mantiveram essa melhora seis meses depois do fim do estudo e sem treinamento posterior. (Estas descobertas foram publicadas no International Journal of Arts Medicine, 1995.)


http://silvanapsicopedagoga.blogspot.com.br/2012/08/o-disturbio-de-deficit-de-atencao-dda.html

sábado, 16 de novembro de 2013

TDAH Tipo Desatento -

TDAH Tipo Desatento - 
As características mais comuns do TDAH Tipo Desatento são a desatenção, resistência à distração, dificuldade em sustentar o esforço em atividades mais exigentes e percepção da passagem do tempo



Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo.
Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito).
Às vezes parece não ouvir quando o chamam (muitas vezes é interpretado como egoísta, desinteressado...)
Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Às vezes capta apenas partes do assunto ou enquanto "ouve" já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
Dificuldade em seguir instruções, em iniciar, completar e só então, mudar de tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável).
Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h).
Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um "branco" e a pessoa esquecer o que ia dizer.
Lembre-se que um diagnóstico completo só pode ser realizado por um especialista. Na suspeita do transtorno, procure um especialista para uma avaliação e diagnóstico mais detalhado.

Se você se identificou com os sintomas principais do TDAH, faça o Teste Online para TDAH ou veja a lista completa dos TESTES ONLINE do IPDA, incluindo ansiedade, baixa auto-estima, depressão, stress / esgotamento (Síndrome de Burnout) e outros problemas que também levam a problemas parecidos com o TDAH.

Imagem do google pesquisas

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

TDAH



TDAH e a importância da ampliação do olhar do ensinante na comunicação com o aprendente.
Por:Lednalva Oliveira

Quanto a concepções de inteligência como fator predominante para o conhecimento, algumas considerações sobre o olhar da escola na construção da aprendizagem se faz necessário compreender que é necessário aprender a aprender em um processo coletivo, em uma via de mão dupla, onde o educador deve valorizar as potencialidades e não as limitações em relação ao educando. A aula deve ser planejada de forma criativa para que se torne atrativa e sempre próxima da realidade sócio cultural dos aprendizes, para que seja possível construir, modificar e integrar idéias, com objetos e situações, afim de promover a reflexão acerca de suas condutas, de suas aprendizagens, e das dificuldades a serem superadas.
Um olhar ampliado permite ver, e significar as mensagens trocadas e principalmente promover mudanças de comportamentos no sentido particular de como lidar com diferenças individuais, de pensar e relacionar e sintetizar as informações trocadas, de modo a construir significados e ressignificados.
A mediação do professor possibilita intervenções, e cria condições para desenvolverem competências e conhecimentos nos educandos. 
Tendo a linguagem papel fundamental como instrumento básico de entendimento entre pessoas, não resumindo em meras informações, mas sim atos de linguagem, que comprometem aqueles que os efetuam frente a si mesmos e aos outros.
A ampliação do olhar do professor, desempenha papel preponderante na construção de pontes entre a noção e a intuição dos alunos e a linguagem simbólica da escola; desempenhando papel único na construção de relações entre as representações físicas, pictóricas, verbais, gráficas e escritas das diferentes noções e conceitos abordados nas aulas. Interagir com os colegas e professores auxilia os aprendizes a construir seu conhecimento, aprender outras formas de pensar sobre idéias e clarear seu próprio pensamento, enfim, construir significados, estabelecer relações interpessoais, perceber limites, mas também potencialidades.
Variando os processos e formas de comunicação, ampliamos a possibilidade de significação para uma idéia surgida no contexto da classe. A idéia de um aprendiz, quando colocada em evidência, provoca uma reação nos demais formando uma teia de interações e permitindo que diferentes inteligências se mobilizem durante a discussão.
Modificar a perspectiva sobre o conhecimento e a inteligência na busca por uma aprendizagem significativa tem conseqüências diretas e profundas na concepção e organização da vida em aula, supondo um desafio didático que envolve muito mais do que novas estratégias didáticas. Requer uma mudança na concepção de todos os elementos que interferem e determinam a vida e o trabalho na aula, indicando novas lentes para contemplar os aprendizes, selecionar conteúdos de ensino e muito especialmente, a avaliação.

TDAH ? A Escola e o processo de avaliação coerente
Pode-se afirmar que a situação de ensino é também uma situação direcionada por meio da avaliação, que estabelece parâmetros de atuação de professores e aprendizes.
Se considerarmos verdadeiramente que a aprendizagem deve ser significativa, e fundamentada em novas metáforas para o conhecimento e a inteligência, a avaliação necessita formar parte desse processo de aprender, servindo para mediar tomadas de decisão no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, para corrigir os rumos das ações, através da reflexão sobre a prática docente.
Nesse sentido, a intenção de uma aprendizagem significativa, exige uma avaliação a favor do aprendiz, que contribua para torná-lo consciente de seus avanços e necessidades fazendo com que se sinta responsável por suas atitudes e sua aprendizagem.
A avaliação no contexto de uma aprendizagem significativa deveria ocorrer no próprio processo de trabalho dos aprendizes, no dia-a-dia da sala de aula, no momento das discussões coletivas, da realização de tarefas em grupos ou individuais. É nesses momentos que o professor pode perceber se os aprendizes estão ou não se aproximando dos conceitos e habilidades que considera importantes, localizar dificuldades e auxiliar para que elas sejam superadas através de intervenções, questionamentos, complementando informações, buscando novos caminhos que levem à aprendizagem.
Em razão disso, a avaliação nunca deveria ser referida a um único instrumento, nem restrita a um só momento, ou a uma única forma, pois somente um amplo espectro de múltiplos recursos de avaliação pode possibilitar canais adequados para a manifestação de múltiplas competências e de redes de significados, fornecendo condições para que o professor analise, provoque, acione, raciocine, emocione-se e tome decisões e providências junto a cada aprendiz. 




Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/tdah-e-a-importancia-da-ampliacao-do-olhar-do-ensinante-na-comunicacao-com-o-aprendente/70565/#ixzz2jznQvubO


Autora:Lednalva Oliveira Cordeiro Batista
Doutoranda em Psicologia, (UCES) ,Bióloga, Especialista em Psicopedagogia Institucional, Clínica e Hospitalar, Pós Graduanda em Psicanálise Clínica pela Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia-FACCEBA,com Estudos em Gestão em Educação Inclusiva (AEE)Arteterapia,Mediação de Conflito



domingo, 20 de outubro de 2013

TDAH, esse transtorno pode significa...






O TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estas características são expressas em vários momentos distintos, como, por exemplo, quando o portador encontra-se em casa, na escola, na creche, enfim, os sintomas são e estão no dia a dia do paciente.

Segundo a OMS, sua classificação no Código Internacional de Doenças é o CID-10 e é conhecido como Transtorno Hipercinético. Esta síndrome é causada pela diminuição dos neuro-transmissores dopamina e noradrenalina, fazendo com que a atividade do córtex pré-frontal seja menor. Esta região cerebral é a responsável por observar, guiar, direcionar e/ou inibir o comportamento, organizar, planejar e realizar a manutenção da atenção e do autocontrole.

Entre 3% e 6% das crianças na fase escolar foram diagnosticadas com TDAH. Só nos EUA foram diagnosticadas com TDAH mais de 4 milhões de crianças.

Antigamente era conhecido como “Disfunção Cerebral Mínima” e somente recebeu o nome de TDAH em 1987.

É importante entendermos que o TDAH é um transtorno real que, infelizmente, causa problemas para seus portadores. Também é necessário o conhecimento que é perfeitamente possível o crescimento e o convívio com a síndrome, como exemplo, podemos citar Michale Phelps, que, antes de se tornar um herói americano e o maior ganhador de medalhas olímpicas da história, sofria por ser portador de TDAH. Sua mãe, Debbie, diz que Phelps teve o diagnóstico de TDAH aos 09 anos e que com a ajuda de tratamento – terapia medicamentosa e psicoterapia – e o apoio da família ele conseguiu canalizar suas energias para a natação tornando-se, hoje, o que todos no mundo conhecem.

Segundo a Wikipedia, leia em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_do_d%C3%A9ficit_de_aten%C3%A7%C3..., o TDAH pode ser dividido em três tipos:

A) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção:

Caso seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

1. Freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras.
2. Com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
3. Com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.
4. Com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções).
5. Com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
6. Com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).
7. Com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais).
8. É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa.
9. Com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias.

B) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade:
Caso seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

Hiperatividade
1. Freqüentemente agita as mãos ou os pés.
2. Freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado.
3. Freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação).
4. Com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.
5. Está freqüentemente "a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor".
6. Freqüentemente fala em demasia.

Impulsividade
1. Freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas.
2. Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez.
3. Freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras).

C) TDAH combinado:

Em ambos os casos esses critérios também devem estar presentes:
• Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.
• Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por ex., na escola [ou trabalho] e em casa).
• Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
• Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e não são melhor explicados por outro transtorno mental (por exemplo Transtorno do Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou um Transtorno da Personalidade).

Dito isto, seguem conselhos fornecidos pela ABDA – Associação Brasileira de Déficit de Atenção, extraído, com alterações, de http://www.abda.org.br/br/textos/textos/item/322-tdah-algumas-dicas-para....

• “Mandamentos

1. Reforçar o que há de melhor na criança.
2. Não estabelecer comparações entre os filhos.
3. Procurar conversar sempre com a criança sobre como está se sentindo.
4. Aprender a controlar a própria impaciência.
5. Estabeleça regras e limites dentro de casa, mas tenha atenção para obedecer-lhes também.
6. Não esperar ‘’perfeição’’.
7. Não cobre resultados, cobre empenho.
8. Elogie! Não se esqueça de elogiar! O estímulo nunca é demais.
9. Manter limites claros e consistentes, relembrando-os frequentemente.
10. Use português claro e direto, de preferência falando de frente e olhando nos olhos.
11. Não exigir mais do que a criança pode dar: deve-se considerar a sua idade.

• Estudo

1. Escolher cuidadosamente a escola e a professora para que a criança possa obter sucesso no processo de ensino-aprendizagem.
2. Não sobrecarregar a criança com excesso de atividades extracurriculares.
3. O estudo deve ser do jeito que as crianças ou os adolescentes bem entenderem.
4. Tenha contato próximo com os professores para acompanhar melhor o que está acontecendo na escola.
5. Todas as tarefas têm que ser subdivididas em tarefas menores que possam ser realizadas mais facilmente e em menor tempo.

• Regras do dia-a-dia
1. Dar instruções diretas e claras, uma de cada vez, em um nível que a criança possa corresponder.
2. Ensinar a criança a não interromper as suas atividades: tentar finalizar tudo aquilo que começa.
3. Estabelecer uma rotina diária clara e consistente: hora de almoço, de jantar e dever de casa, por exemplo.
4. Priorizar e focalizar o que é mais importante em determinadas situações.
5. Organizar e arrumar o ambiente como um meio de otimizar as chances para sucesso e evitar conflitos.

• Casa
1. Manter em casa um sistema de código ou sinal que seja entendido por todos os membros da família.
2. Manter o ambiente doméstico o mais harmônico e o mais organizado quanto possível.
3. Reservar um espaço arejado e bem iluminado para a realização da lição de casa.
4. O quarto não pode ser um local repleto de estímulos diferentes: um monte de brinquedo, pôsteres, etc.

• Comportamento
1. Advertir construtivamente o comportamento inadequado, esclarecendo com a criança o que seria mais apropriado e esperado dela naquele momento.
2. Usar um sistema de reforço imediato para todo o bom comportamento da criança.
3. Preparar a criança para qualquer mudança que altere a sua rotina, como festas, mudanças de escola ou de residência, etc.
4. Incentivar a criança a exercer uma atividade física regular.
5. Estimular a independência e a autonomia da criança, considerando a sua idade.
6. Estimular a criança a fazer e a manter amizades.
7. Ensinar para a criança meios de lidar com situações de conflito (pensar, raciocinar, chamar um adulto para intervir, esperar a sua vez).

• Pais
1. Ter sempre um tempo disponível para interagir com a criança.
2. Incentivar as brincadeiras com jogos e regras, pois além de ajudar a desenvolver a atenção, permitem que a criança organize-se por meio de regras e limites e, aprenda a participar, ganhando, perdendo ou mesmo empatando.
3. Quem tem TDAH pode descarregar sua “bateria” muito rapidamente. Se este for o caso, recarregue-a com mais frequência.
4. Evite ficar o tempo todo dentro de casa, principalmente nos fins de semana. Programe atividades diferentes, não fique sempre fazendo a mesma coisa.
5. Estabeleça cronogramas, incluindo os períodos para ‘’descanso’’, brincadeiras ou simplesmente horários livres para se fazer o que quiser.
6. Nenhuma atividade que requeira concentração (estudo, deveres de casa) pode ser muito prolongada. Intercale coisas agradáveis com tarefas prolongadas.
7. Procure sempre perguntar o que ela quer, o que está achando das coisas. Não crie uma relação unidirecional.
8. Use mural para afixar lembretes, listas de coisas a fazer, calendário de provas.
9. Estimule e cobre o uso diário de uma agenda. Se ela for eletrônica, melhor ainda.

Lembre-se sempre

1. Procure o máximo de informações possível sobre o TDAH.
2. Tenha certeza do diagnóstico e segurança de que não há outros diagnósticos associados ao TDAH.
3. Tenha certeza de que o tratamento está sendo feito por um profissional que realmente entende do assunto.
4. Lembre-se que seu filho (a) está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue. Deve sempre lembrar-se aos pais que estes devem ser otimistas, pacientes e persistentes com o filho. Não devem desanimar diante dos possíveis obstáculos.”

A situação dos que possuem na família pessoas portadoras de TDAH não é fácil, principalmente porque temos crianças com esta síndrome e crianças são sempre ativas e elétricas. Mas devemos lembrar que, como tudo na vida, sempre temos dois lados na história e a impulsividade e a hiperatividade podem se transformar em estímulo para galgar desafios e se superar, como fez o Michael Phelps.

Algumas características que esta impulsividade e hiperatividade podem gerar são, por exemplo, criatividade, possuir pensamento original, persistência, resiliência, afetividade, comportamento generoso e, normalmente, inteligência acima da média.

Se você tem este problema na família, você pode procurar ajuda e suporte, pois existem várias instituições que prestam auxílio e fornecem orientação para os pais e familiares nesta situação, como a própria ABDA, citada acima e o Projeto Passarinho – www.projetopassarinho.com.br.
Se você não possui este problema na sua família ou no seu círculo de amizades, você pode, então, ajudar, basta doar um pouco do seu tempo ou de recursos para as instituições que desenvolvem trabalhos relacionados ao TDAH, participe.

Ser SOCIAL é agir DE VERDADE.

http://www.socialdeverdade.com.br/blog/tdah-esse-transtorno-pode-significar-inteligencia-acima-da-media

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Comportamento das crianças pode ser desafiador aos pais








Crianças e adolescentes com um padrão persistente de comportamento negativista, hostil e desafiador causam uma grande dor de cabeça nos pais. Frequentemente discutem com adultos, perdem a calma e se irritam com facilidade, se recusam a obedecer até a simples solicitações ou regras de casa.

Quando os seus erros são apontados, culpam os outros e ficam até enraivecidos e ressentidos pelo o que os seus pais disseram. Na escola, também podem causar muita dor de cabeça nos professores. Incomodativos com os outros colegas e frequentemente desacatam e desafiam os seus professores.

Tais comportamentos podem ser comuns por volta dos dois anos de idade ou no início da adolescência. Porém, quando eles permanecem por muito tempo ou com muita intensidade, tornando-se disfuncionais e trazendo prejuízos no convívio familiar e escolar, podemos estar diante do Transtorno Desafiador de Oposição. Um transtorno comum, que pode afetar até 16% da população infanto-juvenil.

Apesar de possuir múltiplas causas, o principal fator que mantém o transtorno é maneira como os pais lidam com a criança ou adolescente. A família tende a reforçar os comportamentos disfuncionais da criança sem se dar conta. A criança aprende que agindo daquela forma ela evita compromissos ou conseguem as coisas que ela quer de forma mais rápida. O exemplo clássico é o da criança no supermercado querendo um brinquedo.

Ela começa com a crise de “birra”, e os pais, para evitar o vexame diante do público, acabam por dar o presente, mesmo com criança tendo o mau comportamento. Assim ela aprende que para ter o brinquedo de forma mais rápida ela deve realmente fazer crises de “birra”. E, de preferência, na frente de bastante gente. Outro fator importante é a mudança cultural na forma de educar os filhos. Antigamente a educação era rígida, com uma figura paterna forte e com pouca oportunidade para os filhos se expressarem.

Hoje, o que vemos é o contrário. Os pais tendem a ser muito ocupados, ficando muito ausentes na educação de seus filhos, e quando estão com eles se sentem até culpados em dar limites. Em função disso as crianças tomaram conta das ordens familiares, submetendo seus pais aos seus desejos. O que buscamos atualmente é exatamente um meio termo: colocar limites sem necessariamente ser agressivo.

Nesta quarta-feira, o quadro conta com a apresentação do médico psiquiatra, Rafael Moreno. Para mais informações ouça o áudio ou acesse www.psiquiatriaavancada.com.br.

Imagem da web

Ouça, sempre às terças, quartas e sextas, a participação do médico psiquiatra, Fábio Vitória, com dicas de saúde.

 Maiores informações em www.psiquiatriaavancada.com.br.




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)

             


Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. 

                      
   
                                      Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno

À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno. 


1. Agitação não é hiperatividade 


Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa. 


2. Só o médico dá o diagnóstico 


Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade. 


3. Nem todos precisam de remédio 


Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los. 


4. O diálogo com a família é essencial 


Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat. 


5. O professor pode ajudar (e muito) 



Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência.
 Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração.
 Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades.
 Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. 
Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. 
Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.



Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/transtorno-deficit-atencao-com-sem-hiperatividade-tdah-546797.shtml


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

12 SINTOMAS DO TDAH EM ADULTOS.











Em uma postagem anterior, comentei que eu deveria escrever um manual de TDAH. Possuo praticamente todos os sintomas presentes em todos os testes. Alguns de forma mais moderada outros de maneira acentuadíssima. Pretendo narrar os principais sintomas que caracterizam ao transtorno e a mim também.
Gostaria de ressaltar que não sou médico ou psicólogo, o que narro aqui são minhas experiências de vida.

1) MEMÓRIA RUIM -  O esquecimento costuma ser a ponta do iceberg, o sintoma mais visível. Costumamos ser taxados de 'aéreos', 'distraídos'... Existem pessoas que esquecem objetos, datas, coisas do dia a dia. Eu não. Fui premiado com uma péssima memória para coisas importantes. Esqueço que marquei com um cliente, esqueço que assumi um compromisso com meu chefe, esqueço de pagar uma conta da empresa em que trabalho. Minha memória ruim ficou folclórica. Passei a assumir publicamente meu esquecimento. Meus funcionários me perguntavam: como você fala na cara do cliente que esqueceu? Mas esqueci mesmo. Mentir é pior, era minha resposta. A maioria das pessoas entendia, muitos clientes eu perdi.


2) PROCRASTINAÇÃO - Sem meias palavras, procrastinar é adiar as responsabilidades. É fugir do importante. O pior da procrastinação é que você adia a tarefa, o compromisso, mas ele te tortura. Você não o esquece mas não reúne forças suficientes para encará-lo. Em geral, trocamos a necessidade por um prazer efêmero, idiota, infantil. Já adiei tarefas importantes para assistir TV, ficar no computador...
A culpa martelando a cabeça, mas não fiz. Muitas vezes, a procrastinação cria situações insolúveis. Tive um funcionário, um senhor, excelente, de confiança absoluta. Mas um cara irascível, se indispunha com todo mundo. Muita gente me alertou: conversa com o seu fulano. Ele te escuta, ele vai melhorar, ele precisa do emprego. Repreender um funcionário é terrível, repreender um que é quinze anos mais velho do que você é muito pior. Resultado: adiei, adiei, adiei. Um dia, ele teve uma briga séria com um cliente. Demiti-o sumariamente. Perdi o funcionário, o cliente e ganhei um inimigo. Ele se achou injustiçado e me detesta até hoje.

3) ISOLAMENTO - Minhas filhas me puseram o apelido de "ZÉ BUSCAPÉ", o personagem de desenho animado que vivia enfurnado em seu sítio e atirava em quem fosse visitá-lo. A medida que os anos passam, vou ficando cada vez mais isolado, estou tomando antipatia de gente, horror de muita gente. Adoro estar sozinho, no máximo ao lado da minha família. No máximo! Meu comportamento anti social atingiu uma tal gravidade, que faltei a compromissos profissionais e sociais em que eu era protagonista. Minha empresa patrocinou eventos e cursos em que eu não compareci. Dei bolo. Fiquei em casa assistindo TV.

4) DIFICULDADE PARA TERMINAR O QUE COMEÇOU - Sou uma usina de novas idéias. E grande parte delas muito boas. Quando fechei minha empresa, um cliente veio me parabenizar por tudo o que fiz pelo setor em minha cidade. Segundo ele, o ramo mudou depois que abri minha empresa. Implantei idéias inovadoras, valorizei o conforto dos clientes e acima de tudo, valorizei os profissionais do ramo, que historicamente sempre foram relegados a um plano inferior no mercado local. Mal sabia ele que o que fiz, não foi sequer um terço do que havia planejado. Encontrei em fundos de armários uma série de projetos e ações inconclusas que eu sequer me lembrava de haver iniciado. Cursos, palestras, promoções, ações inovadoras que nunca saíram do papel. Muitas delas lindamente escritas, bem fundamentadas. Jamais viraram realidade. Uma dor profunda me atingiu ao rever aquilo. Teria minha empresa sido diferente se tudo aquilo tivesse virado realidade?

5) HUMOR VOLÚVEL - Este tópico é particularmente difícil de explicar. Meu humor varia de uma forma absurda. É tão automático que fica complicado tentar exemplificar. Deve ser muito difícil conviver com alguém assim. Em determinados dias, acordo melancólico, meio deprê. Ou ao longo do dia, um fato pequeno, desimportante, derruba meu ânimo. Fico silencioso, acabrunhado, me dá uma enorme vontade de deitar e ficar quietinho. Mas, da mesma forma que um fato menor arrasa, outro ainda menor é capaz de mudar as cores da minha vida. De um segundo para outro. A simples lembrança de algo, uma música, qualquer coisa que possa, ou não, estar relacionado com o fato gerador da tristeza. Ou pior ainda, posso lidar com situações limite mantendo a calma. Em outro dia, entro em erupção por nada, ou quase nada. E minha ira tem uma característica interessante, explodiu, acabou. Fica apenas a dor da vítima da minha fúria.

6) DESORGANIZAÇÃO - Já melhorei muito, mas muito mesmo. Apenas na superfície. Consigo manter minha casa razoalvelmente organizada, cumpro horários com relativa facilidade (relativa), aparento um grau normal de desorganização. O que não consigo organizar é MINHA VIDA. Essa é um caos. Não consigo estabelecer prioridades e se estabeleço não as cumpro. Não consigo cumprir nada que me exija acompanhamento regular, nada que se repita ao longo do tempo. Não consigo pagar minhas contas em dia. Vivo recebendo ameaças de corte no fornecimento da água, da luz, da tv, da internet...
Em minha falecida empresa, os funcionários aprenderam a conviver comigo. Eu estabelecia uma rotina de trabalho, cobrava durante um certo período, depois esquecia de cobrar. Aquilo caía no esquecimento e ninguém mais cumpria. Um caos.

7) INTOLERÂNCIA AOS LIMITES - Detesto limites, mesmo os legais. Quando me deparo com restrições que não aceito - e são muitas - monto verdadeiros debates em minha cabeça como forma de justificar minha não aceitação àquela regra. Exemplo: outro dia fui à Viçosa, cidade próxima a Juiz de Fora, em determinado ponto da estrada existe um posto de combustível fechado. Situado em uma das poucas retas da estrada, a existência do posto fez com que, naquele ponto, fosse proibida a ultrapassagem. Ultrapassei. Nenhum guarda viu, não fui apanhado. Mas, na minha cabeça comecei a elaborar minha defesa se fosse pego. Imaginei o policial emitindo a multa e eu explicando a ele que aquela faixa contínua não se justificava mais pois o posto estava desativado. E ele argumentando que se a faixa é contínua, não há o que se discutir, é a lei. Isso leva minutos. Quero por que quero, justificar minha transgressão. Isso vale para qualquer tipo de restrição. Ouvir um não é uma dor imensa, uma raiva desgraçada.Quando fui comprar minha primeira caixa de ritalina, havia uma pequena divergência na receita. O funcionário da primeira drogaria que entrei disse que não podia vender duas caixas, somente uma, e que precisava chamar o gerente para decidir. Arranquei a receita de suas mãos, disse alguns impropérios e fui a outra drogaria. Por sorte o funcionário não notou. A receita estava errada, assim como eu.

8) NÃO APRENDER COM ERROS - Isso é muito, muito difícil. Você repete os mesmos erros sempre. E não os reconhece quando os reencontra; somente quando obtém os mesmos desastrosos resultados. Vivemos em círculos, repetindo os erros e as dores por eles provocadas. Afetivamente, eu me comportei da mesma forma com minhas quatro ex-esposas. Isso mesmo, QUATRO. Agi da mesma maneira, magooei a todas elas e não consigo enxergar antecipadamente. Não antevejo a situação. Reconheço o estrago, mas aí já é tarde.

9) GERENCIAMENTO DO TEMPO - É duro, muito duro. Como disse acima, costumo cumprir meus horários. Mas a que custo, meu Deus. Programo mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou sempre acho que dá tempo de fazer mais alguma coisa. Isso gera um stress louco, uma correria que já me levou a atropelar pombos em duas ocasiões diferentes. Em ambas eu estava a mais de 100 km por hora em ruas urbanas, comuns. Dentro da cidade. Programei duas atividades com pessoas e em locais diferentes com um intervalo inexequível. Resultado: deixei duas pessoas insatisfeitas. A duras penas estou aprendendo.

10) NECESSIDADE DE NOVIDADE/ MUDANÇA - Preciso do novo. Preciso de mudança. E de preferência de vida. Arrisquei-me mais de uma vez ao mudar de cidade, de emprego de faculdade e de esposa ou namorada na vã ilusão de reduzir minha insatisfação pessoal. Nada me proporciona satisfação ou prazer a longo prazo. Preciso do novo. Da sensação de recomeçar. Da adrenalina da nova conquista. Do prazer do inusitado. E por que não, da perplexidade das pessoas que me cercam; da incredulidade de quem convive comigo. O problema é que são sentimentos vazios ou sustentado em pilares frágeis, incapazes de suportar o peso de tanta insatisfação. Então, vem uma nova mudança. Um novo começo, e o círculo se fecha para recomeçar amanhã.

11) CERTEZAS INCERTAS - Em um post anterior, abordei esta questão. Construo em minha mente cenários reais, situações concretas que jamais existiram ou se existiram aconteceram de forma diversa da que tenho em minha mente. Tenho certeza absoluta de certas afirmativas, brigo por elas. Para depois descobrir que estavam erradas. Em algumas ocasiões cheguei a crer que estava enlouquecendo. Vejo diante de mim situações inteiras, com minúcias, que estão erradas. Naquele post narro minha ida ao médico em que eu tinha a certeza absoluta do prédio e do consultório do médico. Jamais ele ocupou uma sala naquele prédio.
O contrário também acontece. Nego veementemente que disse ou fiz determinada coisa, para ser desmascarado logo depois e passar por mentiroso ou fingido. Aquele momento que nego, jamais existiu em minha vida. Não me lembro de haver passado por aquilo, de ter afirmado aquilo. Tudo se apagou de minha mente. Minha terceira esposa se exasperava com essa característica, mais de uma vez me mandou procurar um médico. Devia tê-la escutado; mas eu deveria estar pensando em outra coisa naquele momento.

12) SENTIMENTO DE INFERIORIDADE - Esse é um sentimento que me acompanha desde a adolescência. Lembro-me de não ter coragem de 'chegar' nas meninas mais bonitas por me char feio e acreditar que elas jamais aceitariam sair, ou mesmo dançar comigo. Conformava-me com as mais ou menos, ou as feiosinhas. Graças a Deus, tive mulheres bonitas em minha vida, mas foi por sorte ou por que elas deram muita chance. Jamais pleiteei algo maior em minha vida. Quando tentei, o fiz de maneira inábil e perdi. Isso só reforçou o sentimento de inferioridade. Aos vinte e um anos eu tinha um ótimo curriculum e excelentes perspectivas de vida. Após anos de escolhas erradas, medos infundados, tenho praticamente o mesmo curriculum e quase nenhuma perspectiva em termos materiais. Por medo de errar, medo de me expor, medo de descobrirem que eu não era capaz. Absoluta falta de auto confiança.

Parte deste artigo foi baseado no excelente artigo: POR QUE PERDEMOS O FOCO, no site www.tdah.org










http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2011/02/12-sintomas-do-tdah-em-adultos.html

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

TDAH, O TRATAMENTO NÃO É FÁCIL








Não, Simone; o tratamento do TDAH não é tão mágico quanto um par de óculos para quem é míope. Pelo menos no meu caso, mesmo o tratamento tendo mudado minha vida, ainda luto cotidianamente contra o TDAH e sua equipe de sabotadores. Creio, honestamente, que a idade em que fui diagnosticado - 50 anos - influi diretamente no resultado do tratamento.
Cinquenta anos de TDAH  não tratado criaram em minha personalidade defesas, artimanhas e comportamentos que não se apagam somente com o remédio. Eu precisaria (e preciso) de uma boa terapia, mas a grana não dá; me restam o blog e uma sistemática auto análise em todos os meus comportamentos. Praticamente tudo o que eu faço - e principalmente o que eu NÃO quero fazer - eu submeto a essa auto análise. É preciso fazer? É importante que seja feito? Se eu não fizer o que estarei perdendo? O que estou trocando por aquilo que deveria estar fazendo, vale a pena? Por exemplo: trabalho de uma forma bastante livre, tenho um netbook com acesso à internet à mão, se eu não me policiar acabo usando o net pra acessar o blog em lugar de trabalhar. Eu abasteço o Facebook da empresa de informações; e a vontade que dá de acessar o meu Face pra saber das novidades! Isso parece muito fácil pra quem não tem TDAH, nós temos nosso próprio cérebro como inimigo; ele nos alimenta de falsos prazeres imediatos, de desculpas para que façamos o prazeroso e não o necessário. Um comportamento quase infantil. E não é apenas nesse campo da vida que o TDAH atua; no relacionamento afetivo aquele jogo de sedução e conquista com outra mulher (ou outro homem) é plenamente justificado por nosso cérebro doente. Por mais que amemos nossos parceiros, nossa mente inunda-se de pensamentos negativos sobre nossos relacionamentos. As brigas, os defeitos, tudo isso surge diante de nossos olhos como a nos dizer: a pessoa que está diante de você não tem nenhum desses defeitos! Um estímulo ao prazer imediato alimentando o jogo da sedução.
Aí entra a auto análise de que falei; penso a médio e longo prazo. Vale a pena o risco ao meu relacionamento? Sou eu que quero manter esse jogo ou é a necessidade de prazer imediato do TDAH? Em 90% dos casos a culpa é da doença. Eu mudo meu rumo e sigo minha vida.
Acho quase impossível vencer o TDAH sem medicamento algum. A ritalina aumenta minha concentração, meu foco, minha disposição, minha memória. O resto é comigo e minha vontade de não repetir os mesmos erros. E confesso que caio muito, erro muito e repito muito dos erros passados; mas aprendi a me perdoar, a enxergar que tenho uma doença incurável e que, às vezes, parece invencível. Aí entra, de novo, o remédio; é ele quem me dá forças pra enfrentar e derrubar o que parecia invencível.
Estou me preparando para experimentar o Venvanse. Minha médica acredita que será muito melhor. Eu torço por isso, mas, se eu não me adaptar, não tem problema, volto pra minha ritinha, com ela, mais a força de recuperação que tenho, eu  enfrentarei o TDAH de novo.
Todos os dias da minha vida, se for preciso.


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Imagem web Picassa

TDAHs DE MÃOS DADAS











Acabei de ler um comentário que mexeu comigo; minha amiga Isa parabenizou-me pelo estágio em que me encontro em meu tratamento.
Respondi a ela que não existem estágios, estamos todos numa gigantesca caminhada e precisamos uns dos outros para continuarmos a seguir em frente. Às vezes um de nós avança um pouco mais e esse avanço deve servir de estímulo aos que se atrasaram e, se for necessário, estender a mão àquele que caiu ou desanimou no curso dessa longa trajetória. Mais adiante, quem estava na dianteira pode escorregar e cair e precisará de quem o ajude a reerguer-se e, novamente, sentir-se motivado e com força suficiente para retomar o avanço.
Esse blog é a essência do que digo, os comentários que recebo servem-me de inspiração e estímulo, não somente para escrever novos posts mas também como combustível nessa jornada infindável de combate ao TDAH.
Não se iludam, nesse um ano e meio de tratamento e de blog tive momentos de desânimo e decepção ao ponto de um dia anunciar o fim do blog. E por que o blog não acabou? Por causa do enorme apoio e força que recebi de várias pessoas que eu não conheço pessoalmente, mas que fazem parte da minha vida, e conhecem-me tão bem, pois partilhamos as mesmas dores, as mesmas derrotas e por que não, as mesmas vitórias.
O tratamento do TDAH não pode ser solitário, sozinho é muito mais difícil, precisamos uns dos outros, preciso ouvir a opinião de vocês, as estratégias de vocês, as lutas e as conquistas de cada um de meus leitores e amigos pois através de vocês eu me fortaleço e ganho ânimo para manter o blog e o tratamento.
Não sou e nem tenho a pretensão de ser mais ou melhor do que ninguém; sou apenas um portador de TDAH mais escandaloso e barulhento do que a maioria e que está tentando usar o TDAH para melhorar a minha vida e a de quem se dispuser a caminhar ao meu lado.
Ainda procrastino, ainda tenho memória falha, explosões de fúria, inconstância, mas não me entrego; luto dia e noite contra cada um desses sintomas. Se não consigo combater um deles especificamente, vou atrás de outra estratégia mais eficiente do que a que adotei até aqui.
Comentei com o Caco que minha primeira estratégia para parar de fumar foi reconhecer a minha incapacidade de largar o vício sozinho. A partir do dia em que cheguei a essa conclusão, comecei a procurar  algo, ou alguém, que me ajudasse com essa empreitada. Sei lá por quanto tempo procurei algo em que eu acreditasse, até que um dia, sem querer, encontrei um anúncio no jornal de uns médicos que faziam aplicações de raio laser para parar de fumar. Fui lá, fiz as tais aplicações e parei de fumar há treze anos.
Não posso abrir mão da ritalina e muito menos do apoio da Dra. Valéria e da Luciana, com esse suporte tenho certeza de que vou conviver melhor com o TDAH. Até que um dia possamos derrotá-lo definitivamente.
Obrigado pela inspiração e o apoio, Isa.



http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2012/06/tdahs-de-maos-dadas.html

domingo, 28 de julho de 2013

Crianças e jovens com dificuldade TDAH




Pedro Assis Prudente Cerqueira de Morais, 14 anos, não perde o caminho da bola quando está no futebol. Com os games, da mesma forma: o garoto é fera e consegue terminá-los sem perder o foco. Na escola, entretanto, as coisas não são tão simples. A partir do sexto ano, seu rendimento foi caindo, a despeito do esforço. "Ele começou a ficar frustrado, porque esperava ter boas notas e não obtinha o resultado", lembra a mãe, a administradora Suelma Assis Prudente de Morais, 41.

Em uma ocasião, Pedro sofreu um tombo e Suelma achou melhor levá-lo a um neurologista. No consultório, diante dos exames, ouviu, estarrecida, uma descrição do filho. "Eram certos comportamentos do Pedro como, por exemplo, o de não apagar a luz quando saia do quarto ou mesmo o hábito de jogar as roupas no chão. Às vezes, pedíamos duas coisas e ele só fazia uma, se não enfatizássemos bastante o que queríamos. E o médico descreveu tudo isso."

O adolescente, à época com 12 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Déficite de Atenção com Hiperatividade (TDAH), problema cada vez mais comum no ambiente escolar, mas ainda pouco discutido entre os profissionais da educação. Para o pesquisador e professor de neurologia infantil da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Aucélio, os métodos pedagógicos atuais fazem com que crianças e adolescentes sejam exigidos além de sua capacidade etária.

No caso dos que possuem TDAH, essas exigências tornam mais evidente a necessidade de um tratamento, já que as dificuldades não tardam a aparecer. "Hoje, a informação chega muito mais rápido e com maior complexidade. A pessoa com déficite de atenção tem mais trabalho para processar essa quantidade de informação", afirma o pesquisador.

Para Cristiane, mãe de Linconl e Pedro, ambos portadores de TDAH, o fundamental é encarar o problema sem preconceitos: "É fácil demais culpá-los e ficar alheio depois"

O TDAH não é uma doença com diagnóstico simples. Segundo Aucélio, ela é uma enfermidade neurocomportamental, muitas vezes caracterizada pela hiperatividade (desejo de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e sem efetividade). Já o déficite de atenção é a dificuldade em se concentrar - aspecto que traz maior transtorno na escola. "E quando você tem a hiperatividade associada ao déficite de atenção, além de um prejuízo na escola, há um prejuízo social, já que pouca gente suporta ficar perto de uma criança hiperativa."

Suelma conta que o problema do filho não foi facilmente assimilado pela família, sobretudo pelo marido dela. Ocorre que o TDAH é muitas vezes confundido como uma forma de as crianças e os adolescentes escaparem das responsabilidades. "Porém, quando ele entendeu, deu total apoio e hoje temos a prova que um bom ambiente familiar é imprescindível", enfatiza.

A identificação precoce do transtorno tem a vantagem de poupar o paciente de maiores aborrecimentos na vida adulta. "Uma vez que você entende que isso está acontecendo dentro da sua casa, começa a observar na sua família pessoas que têm o traços do TDAH e que não foram tratadas quando jovens. Elas apresentam dificuldades tanto pessoais quanto profissionais de lidar com a vida", analisa a administradora. Pedro é enfático ao reconhecer o papel da mãe no combate ao mal: "É sempre importante que ela esteja do meu lado, em todos os momentos. Principalmente nesses que envovem a escola, porque ela me dá incentivo".

Para Cristiane Alves Rodrigues, 40 anos, mãe de dois adolescentes com TDAH, Linconl, 15, e Pedro, 13, a escolha acertada da escola se mostrou central para o controle da patologia. "Meus filhos têm dificuldades que os fazem precisar de um tratamento diferente, que nem todo ambiente escolar pode oferecer", desabafa. O segredo para a boa convivência com os sintomas, diz ela, é jamais colocar a culpa da situação nas crianças. "É muito fácil agir assim e ficar alheio ao que realmente acontece."

Carlos Aucélio frisa que o diagnóstico do TDAH trabalha com várias circunstâncias, dentro das quais a vida social, familiar e escolar da criança, o histórico acadêmico dela, além dos antecedentes patológicos na família. "Há toda uma rotina, com critérios adequados para a idade, para afirmarmos o que está acontecendo com ela." O médico explica que isso é necessário porque o TDAH pode ser um sintoma de outros problemas, como transtorno bipolar ou alfabetização inadequada.

Mais uma vez são os pais quem devem ficar atentos. Aucélio diz que o momento de ver o médico é quando a criança ou o adolescente passa a ter prejuízos sociais em decorrência dos sintomas. Segundo o pesquisador da UnB, embora o diagnóstico não caiba à escola, é preciso que os profissionais da educação estejam cientes da problemática e alertem os pais.

CORREIO BRAZILIENSE


http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2011/04/criancas-e-jovens-com-dificuldade-de-aprendizagem-podem-ter-tdah-3260266.html

terça-feira, 9 de julho de 2013

Violência Cotidiana II





Se nos damos conta de que é no indivíduo que tem nascedouro a violência, fica muito mais explícita a sua origem e, naturalmente, a sua solução.

Em verdade,  todos precisamos nos dar conta dos quadros de violência dos quais fazemos parte.

A violência das palavras ásperas, das palavras grosseiras, a violência da pornografia. Falamos o que queremos como se todas as pessoas tivessem a obrigação de nos ouvir o verbo como a gente o queira expressar. E a vida não é bem assim. Se impomos a alguém ouvir-nos nas coisas ruins que queremos dizer,  estamos impondo às pessoas violentamente, as nossas ideias.

Se fazemos na nossa casa uma festa e porque estamos na nossa casa  ignoramos que os outros vizinhos também estão nas suas casas, fazemos barulho até a hora que  bem entendamos porque os outros terão que nos aceitar assim,  é violência. Porque se temos direito a fazer barulho em nossa casa, os nossos vizinhos têm direito a ter silêncio em suas casas.

Começamos a nos aperceber das atitudes violentas junto à família: o esposo machista, violento, grosseiro com a esposa; a esposa patologicamente feminista e que acha que a sua palavra tem que ser a última,  não ouve a mais ninguém; as agressões contra os filhos; a pancadaria; as brigas entre irmãos dentro de casa são aspectos os mais variados da violência no cotidiano.

Curioso é que não percebemos que isso é violência.

Parece-nos uma coisa muito normal, muito corriqueira nos agredirmos e depois, tudo parece voltar ao normal. Mas as coisas não voltam ao normal que estavam, nunca mais chegamos ao nível zero. Estamos sempre ajuntando lixo nas nossas relações.

E por causa disso mesmo a violência tem começo dentro de nós, estoura nas nossas relações, dentro de casa, no nosso trabalho, com as pessoas com as quais convivemos. Graças a isso é que, a cada dia, a violência urbana aumenta mais.

Parece que o problema da violência urbana é do Governo. Mas o governo da minha casa sou eu, o governo da minha rua sou eu, o governo do meu bairro somos nós.

Então, como fazer para mudar esse quadro que nos incomoda tanto?

Temos que apelar para esse processo de autoeducação. Precisamos aprender a voltar às origens da boa relação.

Saber o que falar perto de quem, respeitar senhoras, crianças, respeitar outras pessoas porque todas as vezes que nós dizemos o que queremos, diz o ditado popular,  ouvimos as coisas que não queremos e não gostamos.

Quando dizemos uma palavra de má qualidade, uma palavra de baixo calão, uma palavra indevida, instigamos a reação das pessoas, das que aceitam o que  dissemos e daquelas que se rebelam contra o que  dissemos.

É da microviolência, digamos assim, a violência do indivíduo, a violência de cada um que nasce a macroviolência.







É da nossa violência individual que advém a grande violência social, não tenhamos nenhuma dúvida.


Quando vemos, numa guerra, soldados se engalfinhando, a guerra não começou com os soldados, começou com cada um dos indivíduos que somaram energias envenenadas.

E essa energia envenenada, essas forças negativas vão impondo à sociedade o desbordar, o desaguar das nossas negatividades reunidas.

Muito mais do que podemos imaginar somos os agentes da violência no nosso cotidiano.

Muito mais do que podemos supor damos ensejo à violência urbana, comentando-a, divulgando-a, devorando essas notícias nos jornais, nas revistas que vendem a rodo o sangue pisado das vítimas sociais.

Quando começamos a fazer essas reflexões, quando partimos para esses entendimentos, agora parece que conseguimos encontrar a saída, a renovação pessoal, o esforço por nos apaziguar, o esforço por nos tranquilizar e fazer com que a cada dia, ao nosso redor, haja harmonia, haja paz.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 152,
apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da
Federação Espírita do Paraná.


http://nunesjanilton.blogspot.com.br/2013/04/violencia-cotidiana.htm

Violência Cotidiana








É curioso notar como nos estarrecem as notícias que as mídias projetam em torno da violência.Em toda parte as notícias dos crimes, das guerras nos causam verdadeiro estupor.

É muito comum que as pessoas registrem tudo isto com uma certa dose de angústia, como se o mundo estivesse de mal a pior.

E, quando pensamos nessas questões da violência, que a televisão mostra, que as emissoras de rádio, que os jornais escritos apresentam; quando pensamos nessa violência que está nos filmes, nas telenovelas, que está em toda parte na sociedade, sentimos um aperto muito grande no coração.

Afinal de contas, que mundo é este? Em que mundo nós estamos vivendo?

Esta é uma pergunta crucial, porque quando nos perguntamos, que mundo é este, em que mundo estamos vivendo, não podemos esquecer que nós fazemos parte deste mundo. Não é um mundo lá fora, como se fôssemos dele independentes.

Este mundo no qual  estamos identificando tantas catástrofes de violência, tantas tragédias comportamentais, é o mundo que  estamos fazendo.

Por causa disso vale a pena nos perguntarmos: O que é que está acontecendo neste capítulo da violência no nosso cotidiano?

Não existe um único dia sequer que não tenhamos notícias de assassinatos, de homicídios, de estupros, de sequestros, de atentados em toda parte. Na sociedade mais próxima, onde estamos e na sociedade do mundo em geral. Parece que o ser humano adentrou caminhos nunca dantes trilhados.

Mas, isso não é bem verdade porque bastará que olhemos a História para percebermos que essa realidade da violência, nesses tempos que vivemos no mundo, é mais conhecida, mas não é uma coisa nova É mais divulgada, mas não é uma coisa recente.

Cabe-nos verificar de onde é que vem essa onda de violência tão terrível na nossa vida cotidiana.

É por causa disso que nos cabe ver como podemos fazer, agir, viver para dar conta desse quadro tão angustiante que aí está em nosso mundo.

Violência, violações, violar - todos esses verbos e substantivos expressam uma patologia da criatura humana. Expressam um tormento pelo qual passa o indivíduo.

Compete-nos identificar onde começa a violência e teremos surpresas muito curiosas ao percebermos, ao registrarmos que todo e qualquer processo de violência que explode na macrosociedade, que avança no mundo em geral, tem começo no indivíduo.

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Sim, é no indivíduo que todo esse processo começa. Somos essencialmente portadores desse vírus da violência.

Quando pensamos nessa verdade, sentimos uma certa frieza na espinha, um calafrio que nos passa na espinha porque jamais imaginaríamos que toda essa onda de tormentos sociais, de sequestros, violências, mortes, estupros tivesse começo na nossa atitude pessoal.

Parece que estamos fazendo as coisas às escondidas, temos a sensação de que ninguém nos vê ou, muitas vezes, fazemos abertamente para que sejamos vistos. É a questão da adrenalina. Fazer alguma coisa errada no meio de tanta gente, produz uma adrenalina mas, ao mesmo tempo, indica um desequilíbrio.

É desse modo que a violência vai ganhando expressividade, que a violência vai se disseminando na sociedade em que vivemos. Ao pensarmos nessa disseminação da violência nos cabe cumprir aquilo que viemos à Terra fazer: dar boa conta da nossa administração existencial, dar boa conta de nossa vida, viver de tal modo que não sejamos nós os fatores pré-disponentes da violência. Que não carreguemos em nós essa força que promove a violência mas que consigamos, gradativamente, trabalhar num sentido oposto e verificar que a violência tem nascedouro em nós e, por isso, terá que encontrar seu término também em nós


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http://nunesjanilton.blogspot.com.br/2013/04/violencia-cotidiana.html




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