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domingo, 17 de junho de 2012

Quando tudo foge ao controle...


 



Tá, sei que é normal. Todos acordam, dia ou outro, um pouco mais atrapalhado, mais agitado, mais esquecido, mais ansioso... Com o ritmo de vida que nos impomos é normal pirar geral várias vezes por ano.

Mas algumas pessoas parecem que não tem outra opção que não seja acordar assim, todos os dias da vida...
Desde pequenininhos, já tem recordações aflitivas dos dias de prova, de chamada oral, de vistoria dos cadernos, das reuniões de pais, festinhas de amigos, etc.

Depois, na adolêscencia, os problemas com a turma, as apresentações de final de ano, encontros com toda a família reunida, viagens, vestibular...

Na vida adulta surgem os problemas com o trabalho, com dinheiro, com metas, objetivos, diversão, namoros e mais uma série de outros maiores e mais assustadores ainda.

Isso não quer dizer que essas pessoas sofram de algum transtorno, mas pode ser uma possibilidade, que não deve ser descartada pela simples comodidade de esperar pra ver no que vai dar lá na frente. Até porque depois pode ser tarde pra voltar atrás em muitas decisões.

Saber que tenho TDAH não mudou em nada minha vida, nem meus problemas, mas me fez entender e aceitar limitações que sempre acreditei que poderiam ser mudados com um pouco mais de boa vontade e persistência. E isso fez muita, mas muita diferença pra mim.

Não dá pra falar pra alguém com TDAH ter mais autoconfiança na hora de fazer uma prova, não tomar uma atitude impulsiva sem razão ou não abandonar projetos que nem sequer começaram.

Você pode me dizer: mas todos nós somos assim!
Não existe um ser humano que nunca tenha agido desse modo pelo menos uma vez na vida. Mas para alguém que carregue o TDAH junto de si é um pouco mais complicado porque isso acontece o tempo todo, a vida inteira.



Ter TDAH não quer dizer que nada dará certo pra você, muito pelo contrário. Acredito que as pessoas bem direcionadas e devidamente estimuladas poderão, desde cedo, a aprender a lidar com a sua personalidade e seus limites.

Limite é a palavra exata para o sucesso de alguém com TDAH.
Do mesmo jeito que acordamos super pilhados, cheios de idéias e planos, podemos terminar o dia na mais completa fadiga mental. Ou vice e versa.

Saber a hora de começar e a hora de terminar determinada atividade (seja ela ótima de se fazer ou não) é essencial. Ter horário pra comer, dormir, encontrar amigos, ficar sozinho, tudo é importante pra manter o metabolismo e a mente funcionando o mais normalmente possível.

Mães, batam os pés e não retrocedam diante de seus filhos com TDAH que não querem ter regras, horários e só buscam o prazer, o tempo inteiro. Sei que é muito cansativo lidar com alguém que vive buscando fugir da disciplina, mas essa será a maior lição que poderá passar ao seu filho, mostrar a ele que sem limites, regras e disciplina, será difícil ele realizar qualquer sonho lá na frente.

E se existe um sentimento que acaba com a gente é não conseguir realizar nossos sonhos por pura falha nossa... Até hoje brigo com listas, estratégias, planos de organização que terminam no vazio, trocados por séries de TV, conversas no telefone e passeios intermináveis.

Por muito tempo acreditei que um pouco mais de determinação pra seguir meus planos funcionaria, que na verdade era de fato preguiçosa, lerda, desregrada, entre outras coisas.

Depois (com a ajuda da terapia tradicional, uma péssima opção no meu caso)comecei a tentar encontrar culpados pelos meus vícios de conduta. Sobrou pra mãe, pai, tio, vizinho, amigo. Valeu como revisão, mas não alterou a rotina como eu esperava.

E eu tentava de tudo, meu Deus como tentei!

Saber que existe uma razão química pra tudo funcionar dessa forma (ou não funcionar)ajuda, mas também não é a solução de tudo.
Estou reaprendendo a viver, todo dia um pouquinho mais e isso tem sido muito bom.

Pela primeira vez acho que tenho um pouquinho controle sobre a desordem que reina em volta de mim...

Fonte texto e imagens;
http://eutenhotdaheagora.blogspot.com.br/2011/02/quando-tudo-foge-ao-controle.html

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Comorbidades



O termo "comorbidade" significa a presença de mais de um transtorno em um mesmo indivíduo num determinado período de tempo. A comorbidade do transtorno bipolar (TAB) com outros transtornos psiquiátricos é muito comum e se associa a um pior quadro e pior resposta ao tratamento.
Entre os transtornos psiquiátricos presentes na comorbidade com o transtorno bipolar, podemos ter:

  • Abuso ou dependência de Álcool e Substâncias,
  • Transtornos Ansiosos ou de Ansiedade,
  • TOC ( Transtorno Obssessivo Compulsivo ),
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),
  • Transtornos do Controle de Impulsos,
  • Transtornos Alimentares,
  • Transtornos de Personalidade
Em recente estudo sobre comorbidades em pacientes bipolares, feito em 2005 por Krishnan, foi encontrado em 50% à 70% dos pacientes com transtorno bipolar algum tipo de comorbidade psiquiátrica.

Das comorbidades citadas, uma eu conheço muito bem, pois convivo com ela há um bom tempo. Sou bipolar e me considero muito ansiosa, mas não tinha ideia do que é o transtorno de ansiedade até meu filho desenvolvê-lo em comorbidade com o transtorno bipolar.
Como o transtorno bipolar é mais incapacitante e de pior prognóstico, o tratamento medicamentoso é voltado prá ele, pois para o transtorno de ansiedade são indicados anti-depressivos, que se tomados por bipolares , estes terão virada maníaca. Assim para o tratamento do transtorno de ansiedade resta a terapia.
Posso compartilhar a terapia cognitiva comportamental, que ajudou a longo prazo, meu filho enfrentar suas fobias , inerentes do transtono de ansiedade.

Para terem ideia, no transtorno de ansiedade podemos ter :
  • Ansiedade de Separação,
  • Ansiedade Generalizada,
  • Fobia Específica,
  • Fobia Social,
  • Pânico,
  • Agorafobia
A ansiedade de separação vem por volta dos 7 anos de idade. Antes disso, meu filho ia prá escola e pedia prá eu voltar do portão pois "ele não queria pagar mico". Com 7 anos, ele estava na antiga 2ª série, e não teve quem o fizesse ficar na escola, ele se agarrava em mim, suava, tremia.
A ansiedade generalizada já é a preocupação excessiva com o que vai acontecer, esta já faz parte do meu curriculum, via de regra eu sofro por antecipação, acabo sofrendo 10 vezes pela mesma coisa.
As fobias são terríveis. Durante um tempo , ele tinha um medo excessivo que trazia sofrimento por determinadas figuras. Uma delas era uma pixação num muro em uma rua que dava acesso a minha casa, nós não podíamos passar por lá nem de carro, a pé então, ele travava e não entrava na rua, tínhamos que dar a volta no quarteirão. Foi muito gratificante, quando instruído pela psicóloga, ele conseguiu ir até o muro e dar uma banana prá ele.
O Pânico não tem desencadeante, estávamos bem em casa e de repente o coração dele disparava, ele suava frio, não conseguia respirar e precisava colocar a cabeça prá fora da janela do apartamento em busca de ar, também era terrível.
Agarofobia é o medo exagerado de ficar preso em algum lugar que seja difícil sair. Este ainda nos persegue, não podemos andar de metrô. Muitas vezes tive que sair correndo do trem, pois ele estava desesperado e aí vem também a taquicardia. Eu saía com ele e terminava o percurso de táxi.
Bem, geralmente e pro meu filho foi sempre assim, quando o transtorno bipolar se manifesta, principalmente em fase de mania, o transtorno de ansiedade cede. Assim , quando ele está maníaco, os medos somem ( nada mais lógico ) .
O que costuma ser mais estudado e mais conhecido é a relação entre ansiedade e depressão.

Todo o sofrimento nos leva à busca de informação e nos dá um aprendizado, devemos compartilhá-lo.

Fiquem com Deus!!!