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sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A diversidade no autismo




A diversidade no autismo refere-se à compreensão de que cada pessoa no espectro autista é única, com diferentes características, talentos, desafios e formas de interação, não sendo uma condição homogênea. Este conceito de neurodiversidade vê o autismo como uma variação natural do cérebro humano, em vez de uma doença a ser curada, promovendo a inclusão e o respeito às diferenças.

 A diversidade também abrange a diversidade de gênero mais prevalente em pessoas autistas e a importância de considerar sua sexualidade e afetividade. 

O que significa a diversidade no autismo?

Singularidade individual:

Pessoas autistas apresentam uma ampla gama de habilidades e necessidades, desde a comunicação verbal até a independência. 

Neurodiversidade:

O autismo é parte da diversidade neurológica humana, o que significa que é uma forma diferente de funcionamento cerebral. 

Rejeição do modelo médico:

A visão da neurodiversidade se opõe ao modelo médico que enxerga o autismo como uma doença, defendendo que ele é parte da personalidade da pessoa. 

A diversidade de gênero e sexualidade em autistas

Prevalência:

Estudos mostram uma maior frequência de diversidade de gênero em indivíduos com autismo e TDAH, levantando a necessidade de mais pesquisa e apoio. 

Educação e diálogo:

Incluir o tema da sexualidade, afetividade e identidade na educação de pessoas com TEA é fundamental para uma sociedade mais inclusiva. 

Como a diversidade do autismo é representada?

Símbolos:

A fita do quebra-cabeça, com peças coloridas e diferentes, representa a diversidade de experiências e famílias dentro do espectro e a inclusão social. 

Cores:

As cores vibrantes da fita e de outros símbolos servem para chamar a atenção para a diversidade de características e promover a conscientização. 

Representações culturais:

A arte e outras formas de expressão cultural refletem a diversidade do autismo, promovendo o respeito e a aceitação das diferenças. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

O SEGREDO PARA SUPERAR A PROCRASTINAÇÃO


 
Todos nós sucumbimos à procrastinação de tempos em tempos. Mas para as pessoas com TDAH, a tendência a adiar coisas pode se tornar especialmente problemática. Você provavelmente já descobriu que dizer a si mesmo que vai “fazer isso depois” é uma receita para o desastre. É provável que você não se lembre de que devia ter pago a conta ou feito o follow-up de um importante projeto no trabalho, até receber um aviso prévio pelo correio ou ter seu chefe “grudado” no seu pescoço.


O problema é que tendemos a pensar no ato de procrastinação como o problema quando, na verdade, é um efeito colateral.


Se estivermos dizendo a nós mesmos que o que estamos prestes a fazer é chato, sem sentido, problemático, ou que provavelmente falharemos, começaremos a experimentar sentimentos negativos como resultado. Em uma tentativa de aliviar esses sentimentos, evitamos ou adiamos o que precisamos fazer.


Para ilustrar esse ponto para meus clientes, peço que imaginem que recebem um telefonema meu numa manhã e que eu os convido para sair. Eu então digo a eles que essa será a coisa mais chata que já fizeram e que irão odiar cada minuto deste encontro.


É nesse momento que eu pergunto a eles quanto estão motivados para se encontrarem comigo. Eles riem e dizem: “Não muito”. Certamente!


Mesmo o meu cenário imaginário parecendo exagerado e ridículo, o fato é que fazemos isso o tempo todo!


Este ciclo de pensamento negativo compõe o que eu chamo de “Iceberg da Procrastinação”.


Para quem possui TDAH, reunir motivação para realizar uma tarefa é, muitas vezes, uma batalha difícil, mesmo nas melhores circunstâncias.


Quando você considera o efeito que essas crenças negativas têm sobre a motivação, não é de se admirar que muitas pessoas com TDAH também sofram de procrastinação.


A seguir, uma lista de gatilhos de procrastinação comuns e o que você pode fazer para superá-los:


“Eu não me sinto capaz”





Este é provavelmente o maior culpado quando se trata de procrastinação.


Como os portadores de TDAH tem muita dificuldade em manter o foco e acompanhamento, muitas vezes eles deixam as tarefas de lado e aguardam o “momento perfeito” para começar. Ou esperam para sentir o estresse e ansiedade até o último momento possível para impulsioná-los em uma ação, o que só cria um ciclo interminável de caos.


Você provavelmente nunca vai se sentir assim. Mas a boa notícia é que você não precisa sentir isto para executar uma tarefa.


Em vez de esperar pelo momento perfeito, prepare-se para o sucesso.


Faça um lanche; saia para uma caminhada rápida; comece com o que parece ser a parte mais fácil da tarefa primeiro; defina um cronômetro e trabalhe por 15 minutos; ouça uma música; mude o cenário; aproveite as horas do dia em que você tem mais energia.


“Há muitas etapas e tudo parece demais”


Se a tarefa/atividade parecer muito assustadora e você não souber por onde começar, pegue um pedaço de papel e escreva as etapas necessárias para concluí-la.


Escrever é importante, porque apenas o ato de colocar as ideias no papel e fora da sua cabeça, pode colocar as coisas em perspectiva. Os clientes sempre me dizem que, depois de mapearem as etapas em um papel, descobrem que a tarefa/atividade não é tão complicada quanto eles pensavam.


* O primeiro passo ainda parece muito grande? Divida-o ainda mais.


* Tem um e-mail que você adiou o envio? O primeiro passo poderia ser criar um rascunho e preencher o assunto.


* Quer organizar sua cozinha? Comece organizando uma gaveta, prateleira ou gabinete.


“Eu nunca fui bom nisso”


Eu ouço muito isso dos meus clientes. Infelizmente, muitas pessoas com TDAH têm histórias longas de se sentirem inadequadas e incapazes.


O primeiro passo para superar esses sentimentos é perguntar-se se é realmente verdade que você não é bom naquilo que você está fazendo.


Reserve um momento para pensar em situações em que você pode ter feito algo semelhante e obtido sucesso. Talvez você seja ótimo em organizar caixas na dispensa, mas colocar sua mesa em ordem foi um desafio.


Pergunte a si mesmo o que aconteceu com essa situação particular que lhe permitiu ter sucesso e pense em como você poderia abordar o novo projeto de maneira semelhante.


Se você não consegue lembrar de um sucesso passado, lembre-se: só porque você não teve sucesso no passado, não significa que você nunca terá.


Acolha o poder do “ainda”: “AINDA não obtive sucesso, mas estou trabalhando para melhorar”. Pense no que você poderia fazer diferente desta vez ou para quem você poderia pedir ajuda.


“Vai ser muito chato”


O tédio, ou mesmo a simples ameaça, é como criptonita para os cérebros dos portadores de TDAH.


Eu tenho clientes que me dizem que evitam chegar a compromissos com antecedência, pois temem ficar sentados na sala de espera sem nada para fazer.


Se você está adiando uma tarefa ou atividade porque está com medo de ficar entediado, pense em maneiras de torná-la mais divertida.


Talvez você possa criar uma playlist ou um audio book para quando estiver lavando a louça. Vá a um café ou restaurante favorito para trabalhar em seu relatório. Coloque uma música, dance, envolva um amigo … Seja o que for para mantê-lo ativo.


Da próxima vez que você quiser postergar uma tarefa, reserve um momento para se perguntar o que realmente está acontecendo.


O que você está dizendo a si mesmo? O que você está sentindo como resultado? Ansioso? Sobrecarregado? Confuso?


Depois de identificar a causa subjacente, você estará em uma posição melhor para tomar as medidas necessárias para superar a procrastinação e (FINALMENTE) fazer o que tem que ser feito.


Fonte:


Artigo adaptado e traduzido da matéria publicada em 16 de julho, 2019, no Psych Central.


Natalia van Rikxoort, MSW, ACC é assistente social, consultora de TDAH e coach. Sua prática, Lotus Life Coaching Services, fornece serviços de coaching para adultos, jovens e famílias impactados pelos desafios do TDAH e funções executivas.


https://blogs.psychcentral.com/navigating-adhd/2019/07/the-secret-to-overcoming-procrastination-is-exactly-what-you-think/

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Colégios Desrespeitam Autistas

 



Sempre realizo meus textos tentando colocar positividade, tentando passar uma sensação que carrego comigo de que tudo está ou vai ficar bem. Dedico-me a, mesmo nos assuntos por vezes “pesados”, colocar algo de cômico, de leve, doce. Só que, por vezes, há que se encarar o papel de ser menos quem acalenta e ser quem denuncia. E é preciso denunciar a postura degradante do ensino nacional a nível de inclusão de crianças com transtorno global de desenvolvimento, em especial, crianças com autismo. O texto não será curto, não será leve, não será o que queríamos que fosse. Mas, garanto, será necessário, informativo e militante.


Minha jornada não é diferente de tantos e tantos pais que conheço, e a luta é muito maior do que qualquer pessoa que não tenha um filho com autismo possa imaginar. A situação é degradante e humilhante para crianças e pais e acontece a cada esquina nas cidades de nosso Brasil. Uma venda encobre os olhos daqueles que não vivem a situação e sequer imaginam a saga da busca de colégio para um filho com autismo.


Comecemos a tratar a partir da rede pública (mais adiante tratarei da rede particular e da rede particular em Curitiba, especialmente). A lei garante que deverá ser fornecido, em caso de necessidade, um “acompanhante especializado” para crianças com Autismo matriculadas em escolas regulares. E a lei é certeira quanto a essa necessidade. Grande parte das crianças autistas tem plena condição de se desenvolver na escola regular. Além de ser um benefício para a criança, é um benefício para os demais alunos, pois terão a oportunidade de aprender a lidar com a pluralidade da sociedade. Ocorre que, na grande maioria dos casos, as crianças precisam de um acompanhante para auxiliá-las a adaptar as questões escolares a suas peculiaridades.


Crianças autistas têm dificuldades de lidar com os momentos de ociosidade que são muitos em uma sala de aula. Momentos de brincadeiras livres também podem ser um problema, pois, sem orientação direcionada para aquela específica criança, ela poderá entrar em quadro de estereotipia ou ecolalia (ou seja, incorrer em comportamentos ritualísticos, movimentos inadequados repetitivos, entoação de palavras sem objetivo de comunicação etc). Algumas explicações do professor podem ser subjetivas demais, tendo que ser adaptadas (tais quais muitas tarefas a serem realizadas). Há também a necessidade de observar os sinais específicos da criança para entender quando entrará em um quadro de estresse extremo, a fim de não deixá-la recair em um momento de birra/crise. Isso sem falar que, em muitos casos, há atraso pedagógico. E tudo isso para dizer o mínimo.


Geralmente essas crianças precisam de um acompanhante especializado exclusivo, visto que as intervenções são comportamentais e contínuas. Olhos voltados diretamente para auxilia-lá a criar independência e poder, em algum momento, caminhar com os próprios passos sem auxílio tão direto.Ocorre que, mesmo com laudos médicos apontando explicitamente essa necessidade, tal direito vem sendo ceifado em inúmeros casos aqui em Curitiba e em tantas outras localidades. Lendo o cenário apresentado em nossa cidade, nossa situação é deplorável e degradante.


Inicialmente, em muitos casos, mesmo com recomendação médica expressa apontando que a criança precisa de um tutor que a atenda singularmente, o que tem sido disponibilizado um acompanhante especializado compartilhado com várias crianças. Basicamente, alguém para ajudá-las em necessidades básicas e em uma ou outra intervenção. Tal prática é completamente atentatória, pois se desvirtua das necessidades reais de nossas crianças. Observe-se que, antes mesmo da lei que imperava o direito de autistas terem tutores especializados em caso de necessidade, havia (e há) em nosso ordenamento o “princípio do melhor interesse da criança”, que ingressa a legislação pátria por ratificação de tratado internacional e com força de norma constitucional.


Não se descarta que, em certos casos, efetivamente haja compartilhamento de tutor especializado,contudo, o problema é quando isso é feito em casos e de forma em que a criança fica desassistida. O colégio passa a ser um depósito, visto que a criança está ali, mas sem condições de aprendizado e socialização.


Só que esse não é, de longe, o único problema. Em Curitiba, tem-se oferecido estagiários para cumprir a função de tutor especializado. Veja que aqui sequer se trata de opinião, mas de um claro descumprimento da legislação! Prevê o parágrafo único do art. 3ª da Lei 12764/2012, in verbis: Parágrafo único. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado.


A ausência de tutor escolar especializado ainda encontra óbice no art. 2º da Lei 7853/1989, o qual dispõe: Art. 2º Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico. I – na área da educação:(a) a inclusão, no sistema educacional, da Educação Especial como modalidade educativa que abranja a educação precoce, a pré-escolar, as de 1º e 2º graus, a supletiva, a habilitação e reabilitação profissionais, com currículos, etapas e exigências de diplomação próprios;


Assim, é direito da criança autista ter acompanhante especializado, visando sua inclusão em instituição de ensino regular. Observe-se que a referida norma foi clara em definir que o “acompanhante” deve ser “especializado”, demonstrando, assim, a preocupação do legislador com a efetividade do referido acompanhamento escolar, visando um resultado positivo na busca da educação inclusiva.


A Lei 11.788/2008 define estágio da seguinte forma: Art. 1º Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos.


Ora, se o estágio é ato educativo, sua função é evidentemente empregada por pessoa que se encontra em processo de aprendizagem. Por sua vez, ato de estar em processo de aprendizagem para o exercício de um oficio – evidentemente – contrasta com a característica de ser especialista na referida área. Em consulta ao dicionário, assim se define o termo “especialista”: “Que se dedica exclusivamente ao estudo ou à prática de uma ciência, uma arte, uma profissão. Quem se especializou num determinado âmbito do conhecimento ou em alguma coisa em específico Profissional treinado para uma atividade específica”


É evidente, pois, que, ao oferecer estagiário para ocupar a função de acompanhante escolar especializado, visa o Estado perverter a ordem legal, barateando os custos sob pena de padecer a efetividade de inclusão de crianças com transtornos de desenvolvimento. Trata-se do “jeitinho” brasileiro. Um estagiário é melhor que nada?! Sem dúvida! Mas não é o que as crianças realmente precisam! E eu dou todo louvor ao estágio, é um momento importantíssimo e de muita dedicação. Eu já fui estagiária um dia e sei quanta garra se tem quando se está aprendendo uma profissão.


Já vi algumas pessoas fundamentarem que seria bom porque os estagiários estão com “mente aberta”. Todavia, não há qualquer pesquisa científica que aponte que isso seria positivo. Por outro lado, há sim pesquisas científicas que apontam a necessidade de que profissionais que trabalham com crianças com autismo tenham alta qualificação. Nesse sentido, é evidente que o termo “especializado” remete, de fato, à necessidade dessas crianças terem alguém com qualificação adequada para trabalhar com eles.


E o que assusta é que existem decisões judiciais que não têm considerado urgente que seja fornecido esse tutor (não concessão de tutela antecipada), admitindo que sejam estagiários até o final de um processo judicial, quando então sim será discutido se será ou não um tutor “especializado” (e estou falando de casos com laudos médicos explicando a necessidade, com doutrina jurídica). Com todo o respeito, mas a lei parece bem clara ao definir que o tutor deve ser ESPECIALIZADO e no sentido que a definição legal de estagiário não se enquadra nessa categoria.


Ainda há casos de escolas que apontam que não têm disponibilidade de material humano para ficar com a criança em período integral, e que ela terá que fazer meio período. Escolas Públicas! Em alguns casos o desespero vem das próprias escolas que apontam que o estágio é muito dificultoso, pois, quando o estagiário está de fato aprendendo, tem que se desvincular da instituição, na medida em que o contrato de estágio pode durar apenas dois anos.


Agora, fugindo um pouco da questão legal e passando para uma análise mais pessoal… Claro que “cada caso é um caso” e pode ser que, em algumas situações, diante de algumas crianças, um estagiário dê conta de fazer o papel de tutor/acompanhante escolar. Mas, com certeza, essa não é a realidade de todas as crianças. Não é a minha realidade e não é a realidade de tantos outros casos, e definitivamente isso pode ser comprovado, inclusive, por laudos de médicos e terapêuticos que diversas mães possuem, mas que estão sendo simplesmente ignorados, em uma marginalização velada de nossas crianças.


Não podemos “tapar o sol com a peneira”, e temos que encarar que estamos em um momento nacional com diversas dificuldades para gerenciamento do dinheiro público. Mas é nauseante ouvir no noticiário, dia após dia, valores escandalosos desviados para os bolsos de tantos engravatados, enquanto nossas crianças não conseguem ser sequer incluídas no ensino público. O pífio gerenciamento das contas públicas, a corrupção, a falta de estudo sobre melhoramentos do ensino infantil e fundamental. Um cenário de decadência e abandono, para seres tão pequeninos que mal começaram suas vidas.


E, para quem pensa que o setor privado é a saída, sinto em informar, mas as dificuldades apresentam-se. Percorri diversos colégios de Curitiba e o que vi me deixou completamente indignada. São diversos os descumprimentos legais, que enojam e consagram o enterro sem cortejo da educação inclusiva. Os desafios começam no básico: conseguir uma vaga.


Este ano, minha pequena vai para o primeiro ano do ensino fundamental, e a troca de colégio era essencial, visto que, no local em que está, só há educação infantil. A primeira dificuldade que encontrei foi em conseguir um colégio que ACEITE minha filha. E veja que eu não estou falando de VAGA, estou falando de ACEITAR MATRICULÁ-LA.


Prevê o artigo 8º da lei nº 7.853/1989: “Art. 8º – Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa: I – recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta”. Maravilha de lei, mas que não tem a mínima efetividade. Por quê? Vou explicar um pouco como ocorre.


Você liga ou vai até um colégio e diz que quer matricular seu filho, e pergunta se existe vaga, ao que respondem que “sim”! Daí você diz que seu filho é autista e, magicamente, em questão de minutos, todas as vagas são preenchidas. Então você pede para um amigo ou amiga sua ir ao mesmo colégio perguntar se há vagas e… num odioso passe de mágica, a vaga aparece. Eu vivi isso e muitas mães viveram. “Então denuncie!”, é o que todas nós ouvimos. Como? Que prova eu tenho? Morro de vontade de dar aqui os devidos nomes aos “bois” e dizer local e dia que isso aconteceu comigo e com outras mães. Mas, novamente, que provas temos? Gravar ligações e contatos? Quer dizer que agora tenho que andar com um gravador e uma escuta para procurar um colégio para minha filha (e torcer que isso seja considerado como prova lícita)? Desculpe, isso é degradante demais.


Eu também posso pedir um documento da escola dizendo que há vaga antes de dizer que minha filha é autista, mas os colégios nunca dão esse documento (na lógica, “se ela pediu é porque alguma coisa tem”). E vamos supor que eu consiga comprovar. Eu posso conseguir na justiça que o colégio que quero seja “obrigado” a aceitar minha filha (além de denunciar criminalmente). Mas quem colocaria o filho para passar cinco horas de seu dia dentro de uma instituição que sequer queria aceitá-lo lá dentro? E como vai ser essa relação entre a família e o colégio, sendo que a própria matrícula foi fruto de um processo judicial?! É evidente que não basta simplesmente haver uma lei que protege nossas crianças. De que adianta uma lei que não tem eficácia?!


E então você consegue uma vaga! Vão aceitar seu filho! Puxa vida, dá vontade de beijar o(a) condenador(a) na boca quando diz “Claro, podemos matricular”. Mas aí você vai falar sobre acompanhante especializado, mostra o laudo, fala que é imprescindível, e uma nova e hedionda briga com o colégio começa. Mesmo comprovada a necessidade, há muita briga. Certos colégios dizem que não podem oferecer tutor. E aí? Vai entrar com uma ação contra o colégio de seu filho? Vai se sentir seguro e tranquilo(a) em deixar seu filho em uma instituição que não respeita os direitos das crianças com autismo? Decisão difícil e, particularmente, eu não sei o que dizer.


Quando um pai ou mãe me procura como advogada, e passo as informações jurídicas, ao final, geralmente me perguntam: “e o que você faria?”. E, honestamente, eu não sei qual o melhor caminho a se tomar. Eu realmente acho que deveríamos processar esses colégios em prol até de uma militância que atenda às crianças autistas que estão por vir. Mas deixar um filho em um colégio que eu estou processando para que o respeite me parece uma loucura, porque a interação saudável entre colégio e família é essencial e, de fato, há um mal estar gerado. Ademais, como ignorar que um colégio não se dispõe a cumprir a lei?


E, vamos ser honestos, é claro que a lei que dispõe que a criança tem direito ao acompanhante especializado acaba sendo mais onerosa para colégios pequenos. Mas, como pensar em montar um colégio sem pensar em quanto custará a inclusão? Porque é dedutível que haverá crianças de inclusão. É uma matemática simples: atualmente, consta que uma a cada sessenta e oito crianças é autista, assim, deve-se pensar, a grosso modo, que ao menos uma a cada sessenta e oito crianças do colégio supostamente pode precisar de um acompanhante especializado. Seguir a mesma lógica para demais casos de inclusão (down, paralisia cerebral, deficientes físicos), preparar uma estrutura (física e pedagógica) de acesso e inserir isso nos gastos previsíveis do colégio, fazendo um valor de mensalidade pensada para isso… é o mínimo. Não há mistério! Não consigo entender como os colégios pensam apenas na sociedade como se fossem todos dentro do padrão neurotípico.


“Pipocam” anúncios de todo tipo: de mensalidades que incluem “ballet”, “judô”, “natação”… e isso tudo além da educação física (que é evidentemente fundamental), mas não é abrangida nessas mensalidades a inclusão? Estamos ensinando crianças a dançar, lutar e nadar, mas não as estamos ensinando a lidar com o diferente. E “lidar com o diferente” é essencial para cada bailarino, judoca ou nadador. Lidar com o diferente vem antes do “plié”, do “ippon”, do “nado borboleta”. Lidar com o diferente é a base da formação de um ser humano de caráter sólido, capaz de trabalhar em equipe e encontrar, na dificuldade do outro, o aprendizado de saber expor e superar suas próprias dificuldades. Nenhuma aula extraclasse faz sentido se a base da educação, que perpassa a inclusão, está incompleta.


Ainda, nós, mães e pais de autistas, somos obrigados constantemente a ler e ouvir comentários absurdos ,como: “Ah… mas isso vai fazer com que a mensalidade do meu filho que não é autista seja mais cara”. Sobre essa mentalidade, apenas uma informação: Desde a declaração de Salamanca de 1994, da qual o Brasil é signatário, está decidido que a responsabilidade de arcar com todas as questões relativas à deficiência é de todos, exceto daquele que tem a deficiência. Então, a questão aqui não é o que se acha ou se deixa de achar, mas sim uma questão legalmente amparada. O custo de inclusão, diluído nas mensalidades dos demais alunos de um colégio, realmente não seria um grande acréscimo, e privilegiaria um ensino que prepara os alunos para viver em sociedade, na medida em que a vida real não é feita apenas de pessoas típicas. A diferença engrandece e ensina.


Alguns colégios dizem que matriculam se o pai ou mãe declarar que “não quer” acompanhante especializado. Outros, ainda, dizem que matriculam se os pais pagarem 50% do valor do acompanhante especializado. E, sem conseguir fazer provas, com medo de criar uma relação ruim com o colégio, muitas vezes aceitamos essas posições. Como julgar? Quando a lei existe mas não se exercita no mundo dos fatos, a sensação de desamparo faz com que compactuemos com o indesejável. Faz com que sejamos forçados a engolir, da maneira mais odiosa, o cerceamento dos direitos de nossos próprios filhos.


Há casos, ainda, que os próprios pais se disponibilizam a custear um tutor por vontade própria, o que considero completamente lícito, se assim for a vontade. É claro que isso tem inúmeras vantagens, pois a seleção de profissional será feita de forma muito mais apurada e detalhada. Mas, às vezes, o colégio coloca que não pode aceitar alguém que não seja contratado pela instituição. Entendo que o colégio possa realmente fazer essa recusa. Veja, acho lícito aceitar que os pais contratem o acompanhante e arquem com isso sozinhos se assim o desejarem, mas também acho que o colégio pode se reservar ao direito de fazer essa proposta. O problema é o que vem depois: muitos pais fazem essa proposta e a veem recusada, só que o colégio diz que não vai oferecer tutor. Ou seja, recusa-se o acompanhante especializado oferecido pelos pais e, em troca, não oferece outro acompanhante especializado.


Ainda, há casos que recusam o tutor especializado dos pais e oferecem um estagiário. Mais uma vez, repito: acho louvável ser estagiário (inclusive, acredito que a função de estagiário deveria ser mais valorizada). Mas ser estagiário é algo incompatível com ser especializado. O estagiário, por natureza, está aprendendo para que se torne especializado, mas, enquanto isso, ainda não o é! E não é achismo. Basta ver a lei, como analisamos anteriormente. Além disso, lembremos que o contrato de estágio tem duração limitada a dois anos, por lei. Logo, quando um estagiário está aprendendo melhor e já adaptado à criança, a mudança necessariamente irá ocorrer. Nessa decisão, a pessoa mais prejudicada é a criança, que fica sem o acompanhante especializado.


Muitos colégios alegam que não podem aceitar um acompanhante especializado fornecido pelos pais, porque teriam “problemas trabalhistas”. Todavia, isso não é completamente verdade. É possível, sim, que o profissional atue sem causar qualquer problemática futura de cunho trabalhista para o colégio. Basta o setor jurídico do colégio “se mexer um pouquinho” e pedir aos pais a adequação de toda a documentação para esses casos. Enfim, o que notamos é que, mesmo quando os pais querem oferecer o acompanhante especializado, a situação pode se tornar um problema.


Você quer um colégio público? Você quer um colégio particular? Você quer um colégio particular e ainda se disponibiliza a pagar um tutor? Parece que, para todos esses casos, a maioria dos pais irá enfrentar uma exaustiva jornada para conseguir apenas ter o acesso a uma educação inclusiva.


Hoje, fui a um colégio. Não é o primeiro, não é o segundo, não é o terceiro. Perdi as contas de quantos colégios já entrei em contato ou fui visitar. Não aguento mais fazer “tour” pelos colégios. Eu já vi tantas salas de aula, que estou tomando trauma de carteiras escolares. Fui para uma reunião. E não, não matriculei minha filha ainda em nenhum colégio. Fiquei duas horas na reunião, e talvez as pessoas que ali estiveram possam pensar que foi e está sendo normal a situação, mas não está. Eu nunca tive que fazer uma reunião de duas horas antes de matricular minha filha mais nova, que não tem autismo.


Chegando ao colégio, havia quatro pessoas da instituição para a reunião. Eu não sabia se estava em uma reunião ou em uma banca de mestrado. Uma comitiva para falar da minha filha. No início da reunião, me foi dito que queriam “deixar as coisas as claras” para que eu não me “decepcionasse com o colégio e vice-versa”. Do meu ponto de vista, já começamos errado porque…. Simplesmente cumpram a lei! Tratem minha filha com dignidade! Mas, “ok”, talvez eu esteja cansada demais dessas reuniões e já os estivesse vendo com maus olhos.


Perguntas como: “mas ela é agressiva?”. Por que somos obrigados a escutar isso? Por que perguntam isso para a gente e não perguntam para os demais pais? Eu conheço várias crianças neurotípicas que são MUITO agressivas. Algumas com as quais eu não ficaria sozinha em uma sala. E não têm autismo! Por que não perguntam isso para todo mundo? Não é porque ela tem autismo que ela é agressiva! Juro que me dá vontade de responder: “crianças golden retrivier não são agressivas. São de companhia. Já sabe fazer xixi no jornal, então facilita para a professora.”. Porque é assim que eu me sinto. É como se eu tivesse falando de uma raça diferente, tentando matricular “algo” que não é humano. Por favor, estamos falando da minha filha!


E, se você acha a pergunta que citei pertinente, eu recomendaria conhecer melhor sobre autismo. Conheço mais crianças neurotípicas agressivas que autistas agressivos. E olha que eu conheço MUITOS autistas.


A situação inteira é bizarra! Claro que, em se tratando de aluno de inclusão, é pertinente que reuniões ocorram para traçar plano pedagógico, conversar com a família e terapeutas. Mas… antes da matrícula? Isso não acontece com crianças ditas “normais”. Eu tenho uma filha autista e outra que é neurotípica e posso dizer, por experiência: matricular uma criança neurotípica te coloca na posição de estar escolhendo o colégio, matricular uma criança com autismo é como se os colégios estivessem te escolhendo. A diferenciação é humilhante. É perceber o quão cruel pode ser nossa sociedade.


Em um ponto essa reunião me surpreendeu. Eles disseram que não aceitariam acompanhante especializado contratado pelo pais, mas que ofereceriam um acompanhante especializado formado para a criança. No final da reunião, perguntei: Se eu quisesse matricular minha filha agora, eu poderia? A resposta fora que, “na verdade, eles têm que falar com os superiores e darão uma resposta”! É ilegal (cível e criminalmente), é degradante e é ridículo. Ah… O colégio tem cerne religiosa e diz se pautar em valores como “igualdade” e “fraternidade”. Não consigo ver o que essa situação tem a ver com o evangelho. Pelo que eu saiba, a frase de Jesus é “vinde a mim as criancinhas” e não “vinde a mim as criancinhas neurotípicas, mas as com autismo eu aviso depois se elas podem ‘vinde’ ou ‘não vinde’”.


E esse cenário não se repete apenas na minha cidade. Recebo relatos dos mais diversos locais do Brasil. Porto Alegre, por exemplo, é uma localidade sobre a qual escuto muitos relatos. Tivemos um grande passo com a lei que prevê a obrigação de fornecer acompanhante especializado quando comprovada a necessidade, mas ainda há muito para lutar! Precisamos informar a sociedade e nos mobilizar. A educação é direito fundamental! Não existe “educação inclusiva” na medida em que a educação por sua natureza tem que ser inclusiva. Educar é mais que ensino formal. É mais do que saber quem descobriu o Brasil, o que é uma raiz quadrada, o que é uma mitocôndria ou uma ligação covalente. Educação é parte da formação de um cidadão, e impera o reconhecimento e a tolerância as diferenças. As crianças brasileiras apenas saberão lidar com o diferente quando o colégio, local que elas conhecem como centro do conhecimento, passar a aceitar a diferença.


Abro esse espaço para qualquer colégio que tiver “peito” de vir aqui e dizer: “cumpro a lei, tenho tantas vagas, aceito autistas e ofereço tutor especializado para casos de necessidade”. Basta um colégio me provar que faz isso que eu, com prazer, abro espaço para darem nome, endereço e contato. Até lá, resta esse oceano de insegurança, essa procura incessante de tantas famílias pelo acolhimento de tantas crianças, crianças simplesmente autistas. Tudo gira em torno de um esperado RESPEITO. Tudo gira em torno da complicação, hedionda e perversa, de algo tão simples: uma mãe matricular seu filho na escola.

 

Fonte: Gazeta do Povo

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sábado, 3 de junho de 2017

UNIVERSO DE UM tdah


R.D.S, empresário, 38 anos - o erro de sempre querer agradar os outros.


Desde os tempos da pré-escola, sempre tive como meta ser o melhor aluno da sala.
Tudo que eu fazia tinha que ser melhor que os outros. Por isso, me lembro de que eu não era uma criança normal. Não brincava. Ao invés disso, passava horas e horas estudando.
Certa vez, um fato inusitado aconteceu. Diferente de todos os pais com filhos na escola, meu pai pediu para que eu estudasse menos e brincasse mais.
Claro que o resultado disso eram notas perfeitas. Era sempre o melhor aluno da sala de aula.
Sempre escondi de todos que eu estudava tanto assim. Tinha vergonha de dizer que saía da sala de aula sem entender quase nada. Durante as explicações dos professores, sem querer eu viajava. E pra bem longe. Vivia "no mundo da lua". Não conseguia me concentrar. E quando conseguia entender a matéria, logo a esquecia. Por isso, a necessidade de estudar. Mas tinha que estudar muito e sempre na véspera das provas, pois em poucos dias eu esquecia toda a matéria.
Toda a minha vida acadêmica foi assim. Estudando, aprendendo e esquecendo.
Além da minha vida acadêmica, tive problemas também na vida profissional e na vida social. Na vida profissional, me esforçava muito para manter a concentração. Lia e relia textos diversas vezes para entender.
Qualquer fato externo me dispersava. Quando me passavam uma tarefa eu viajava mas fingia que entendia e depois levava muito tempo até decifrar o que haviam me pedido.
Adquiri algumas técnicas para evitar meu esquecimento. Algumas viraram até manias. Por exemplo, quando eu chegava em casa, abria a internet e visitava alguns sites de notícias de acordo com a sequência que eu tinha criado na cabeça. E virei escravo dela. Podia chegar de madrugada do trabalho, mas eu tinha que ligar o computador e ver a sequência dos sites. Mesmo cansado e com sono, aquilo pra mim era uma obrigação.
Ao lado de família e amigos, esquecia datas e momentos marcantes. Por isso, muitas vezes me julgavam como uma pessoa que "não se importava com ninguém".
Como meu esquecimento a falta de atenção e de concentração estavam prejudicando inclusive minha vida social, fui atrás de respostas para entender o que se passava comigo.
Nas buscas pela internet, li um depoimento de uma pessoa que sofria de TDAH. Parecia que eu estava lendo a história da minha própria vida. A pessoa citava um trabalho que deveria fazer no começo do dia, mas tudo a dispersava. No final do dia, ela tinha feito um monte de coisas pela metade e não tinha terminado aquela principal atividade da manhã.
Pesquisei melhor sobre o assunto, li mais artigos e depoimentos e queria começar um tratamento na melhor especialista na área. Foi quando eu conheci a Dra. Cleide, que confirmou minha suspeita de ter TDAH.
Realizar a terapia foi a melhor atitude que eu tive em minha vida. Descobri o quanto eu era negativo. O fato de querer sempre agradar os outros só me prejudicava. Diante de algum fracasso, minha baixa-estima era visível. Em tudo na minha vida, eu tinha que ser sempre o melhor. Eu era onipotente. Eu não era humilde.
Mas como assim eu não era humilde? Pelo contrário, eu me sentia um fracassado!
A terapia me mostrou que sim, que eu não era humilde. Por que a ambição de ser perfeito? Na escola e no trabalho, sempre quis ser o melhor também. Pra quê? Pra agradar os outros? Infeliz pela felicidade dos outros? Isso me deixou acomodado no trabalho, pois o fato de eu ser o melhor me deixava em uma posição cômoda, sem ser desafiado e sem perspectiva de crescimento. Por isso, ganhava mais tarefas e isso me revoltava cada vez mais. O erro é que eu “não reconhecia e não usava meu potencial”.
Claro, na minha cabeça, o importante era agradar os outros.
Após as terapias, enxerguei coisas que eu não enxergava. Hoje, eu me amo mais, me valorizo mais e sou uma pessoa mais positiva.
Além da terapia, tomo diariamente um estimulante, que me mantém mais concentrado. Noto claramente os benefícios. Antes, era um sacrifício manter a atenção em uma conversa. Sob efeito da medicação, é mais fácil.
Portanto, o primeiro passo foi reconhecer meus erros e perceber que minha vida precisava mudar.
Vale a pena correr riscos. Vale a pena o desafio!

http://www.universotdah.com.br/erro-sempre-querer-agradar-outros.html

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TDAH, DEFENDA-SE!





No auge de uma discussão um marido ou esposa TDAH pode estar pensando em outra coisa completamente diferente. Quem sabe naquela ruga que surgiu no lábio superior do cônjuge que grita à sua frente. Ou simplesmente no jogo de futebol que está deixando de assistir; ou ainda se lembra de que deveria ter comprado filtro solar,  com esse sol escaldante que anda fazendo...
Horas depois, se perguntado sobre respostas que deu naquele momento, sobre afirmações feitas enquanto pensava em outra coisa,  o TDAH vai negar veementemente. Não aceitará jamais ter dito isso ou aquilo. Mas disse!  O cônjuge se lembrará de detalhes: de como estava sentado, os gestos que fez,  as palavras que usou. O TDAH vai negar! Vai negar peremptoriamente. Mas estará errado!
Ou não...
Imaginemos a situação oposta: O TDAH convivendo com um cônjuge manipulador, vingativo e com ótima memória.
Quem garantirá que essa cena realmente existiu? O cônjuge manipulador, que já conhece bem seu/sua TDAH, manipulará sua péssima memória (ou a absoluta ausência dela,  em alguns momentos) e lhe inculcará culpa, remorso e dor. E extrairá enormes ganhos com isso.
Poderá obter obediência, submissão, colaboração...
TDAHs não são fáceis de se conviver; podem ser inconstantes, irritadiços; temperamentais; indiferentes, desligados,  desmemoriados, e muitos outros defeitos que podem lhes ser imputados.
Mas podem também ser presas fáceis de cônjuges manipuladores.
Portanto, comecem a prestar atenção ao cônjuge. Se ao fim de cada discussão for forçado a capitular, e se ao fim de cada capitulação tiver de pagar um preço ao seu cônjuge; seja em obediência, em submissão ou em perda de liberdade; cuidado você pode estar sendo manipulado!
Nós, os TDAHs podemos estar errados; mas precisamos estar atentos. Não somos vilões, somos vítimas. Vítimas de uma doença que poderia cegar-nos, fazer-nos surdos ou diabéticos; mas nos fez desatentos, titubeantes, impulsivos,  mas também intensos, carinhosos, apaixonados e apaixonantes. Não merecemos ser manipulados por pessoas sem escrúpulos, que usam sua boa memória para nos encher de culpa e obter vantagens de nosso transtorno.






http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/

domingo, 2 de outubro de 2016

TDAH, Raiva e Risperidona




Sobre a risperidona, um pai comenta:

"tenho um filho tdah e quando descobri simplesmente mudamos de pensamento, passamos de tentar corrigir ele para nos desafiar em descobrir o que podemos fazer de melhor para ele, principalmente para que ele cresça bem nessa sociedade cheia de regras e preconceitos ... hj damos uma dose mínima de risperidon 0.3ml, sei que vc é contra e minha família tb é, mas vejo ele com muito mais rendimento após esse tratamento indicado pela neurologista dele, bem é isso só para você entender um pouco mais o filhote que hj tem 5 anos. Obrigado desde já."



O que respondi:

E como vai indo o teu querido menino?

Li há pouco e vou me reportar primeiro ao teu amor de pai que se importa e que quer a melhora do filhotinho! Parabéns ao casal!



Segundo, a questao da risperidona. Ele continua tomando? Sim, não questiono os efeitos notáveis que a risperidona promove na questão do controle da hiperatividade. Só que os relatos são de que, após um tempo, volta tudo ao que era antes e, aí, precisam reforçar as doses ou tomar mais outro psicofármaco. O que cria uma roda viva!



O que preocupa por demais é a questão do tempo de ingestão. O crescimentos dos mamilos, daqui um tempo; a alteração da libido, o sobrepeso. Há artigos de jovens que declaram "estar pensando como garotas" e está comprovado que é efeito colateral de anos de risperidona... há outros psicofármacos que também dão este efeito.

A prolactina em excesso está em 90% dos casos analisados. (Sobre Priapismo e Ginecomastia, deixo os links ao final)

O principal é tentar descobrir o que motiva a raiva infantil. Por vezes uma má qualidade no sono é o cerne de toda a questão. Outras vezes, o tipo de alimentação (ou as duas coisas juntas). Alimentos industrializados costumam ter muitos conservantes, corantes, espessantes, etc e tudo isto altera . Há vezes em que o bullying, a humilhação na escolinha, a sensação de rejeição, de exclusão, são a razão do comportamento agressivo. Uma criança "se defende" como pode ao ser criticada constantemente (o que pode estar acontecendo na escola).++




Com relação à medicação, o que sugiro:

- procurar um terapeuta floral ou ir direto em uma farmácia de manipulaçao homeopática e adquirir o Rescue Remedy Kids. Este é um poderoso Floral de Bach, que tem auxiliado muitas crianças. Não produz interação com o psicotrópico (para quem toma), o que possibilidade tomar junto e ir diminuindo ou espaçando as doses da risperidona) e, se ele for muito nervoso e inquieto, um composto que podes pedir na farmácia de manipulação homeopática: Impatiens, Larch, White Chestnut e Wild Oat, tudo em um mesmo vidrinho de 30ml, diluído em água destilada (deixa na geladeira e dura 15 dias). Além de tomar as gotinhas 3 x ao dia, podes passar na parte interna dos pulsos, na nuca, atrás dos joelhos dele. Como não tem nenhum efeito colateral, podes administrar sem medo. Totalmente liberado pela ANVISA.

- conversar com o neuro pra que ele assessore esta diminuição gradativa.


http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2016/01/tdah-raiva-e-risperidona.html

domingo, 20 de outubro de 2013

TDAH, esse transtorno pode significa...






O TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estas características são expressas em vários momentos distintos, como, por exemplo, quando o portador encontra-se em casa, na escola, na creche, enfim, os sintomas são e estão no dia a dia do paciente.

Segundo a OMS, sua classificação no Código Internacional de Doenças é o CID-10 e é conhecido como Transtorno Hipercinético. Esta síndrome é causada pela diminuição dos neuro-transmissores dopamina e noradrenalina, fazendo com que a atividade do córtex pré-frontal seja menor. Esta região cerebral é a responsável por observar, guiar, direcionar e/ou inibir o comportamento, organizar, planejar e realizar a manutenção da atenção e do autocontrole.

Entre 3% e 6% das crianças na fase escolar foram diagnosticadas com TDAH. Só nos EUA foram diagnosticadas com TDAH mais de 4 milhões de crianças.

Antigamente era conhecido como “Disfunção Cerebral Mínima” e somente recebeu o nome de TDAH em 1987.

É importante entendermos que o TDAH é um transtorno real que, infelizmente, causa problemas para seus portadores. Também é necessário o conhecimento que é perfeitamente possível o crescimento e o convívio com a síndrome, como exemplo, podemos citar Michale Phelps, que, antes de se tornar um herói americano e o maior ganhador de medalhas olímpicas da história, sofria por ser portador de TDAH. Sua mãe, Debbie, diz que Phelps teve o diagnóstico de TDAH aos 09 anos e que com a ajuda de tratamento – terapia medicamentosa e psicoterapia – e o apoio da família ele conseguiu canalizar suas energias para a natação tornando-se, hoje, o que todos no mundo conhecem.

Segundo a Wikipedia, leia em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_do_d%C3%A9ficit_de_aten%C3%A7%C3..., o TDAH pode ser dividido em três tipos:

A) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção:

Caso seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

1. Freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras.
2. Com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
3. Com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra.
4. Com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções).
5. Com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
6. Com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).
7. Com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais).
8. É facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa.
9. Com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias.

B) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade:
Caso seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

Hiperatividade
1. Freqüentemente agita as mãos ou os pés.
2. Freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado.
3. Freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação).
4. Com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.
5. Está freqüentemente "a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor".
6. Freqüentemente fala em demasia.

Impulsividade
1. Freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas.
2. Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez.
3. Freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras).

C) TDAH combinado:

Em ambos os casos esses critérios também devem estar presentes:
• Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.
• Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por ex., na escola [ou trabalho] e em casa).
• Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
• Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e não são melhor explicados por outro transtorno mental (por exemplo Transtorno do Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou um Transtorno da Personalidade).

Dito isto, seguem conselhos fornecidos pela ABDA – Associação Brasileira de Déficit de Atenção, extraído, com alterações, de http://www.abda.org.br/br/textos/textos/item/322-tdah-algumas-dicas-para....

• “Mandamentos

1. Reforçar o que há de melhor na criança.
2. Não estabelecer comparações entre os filhos.
3. Procurar conversar sempre com a criança sobre como está se sentindo.
4. Aprender a controlar a própria impaciência.
5. Estabeleça regras e limites dentro de casa, mas tenha atenção para obedecer-lhes também.
6. Não esperar ‘’perfeição’’.
7. Não cobre resultados, cobre empenho.
8. Elogie! Não se esqueça de elogiar! O estímulo nunca é demais.
9. Manter limites claros e consistentes, relembrando-os frequentemente.
10. Use português claro e direto, de preferência falando de frente e olhando nos olhos.
11. Não exigir mais do que a criança pode dar: deve-se considerar a sua idade.

• Estudo

1. Escolher cuidadosamente a escola e a professora para que a criança possa obter sucesso no processo de ensino-aprendizagem.
2. Não sobrecarregar a criança com excesso de atividades extracurriculares.
3. O estudo deve ser do jeito que as crianças ou os adolescentes bem entenderem.
4. Tenha contato próximo com os professores para acompanhar melhor o que está acontecendo na escola.
5. Todas as tarefas têm que ser subdivididas em tarefas menores que possam ser realizadas mais facilmente e em menor tempo.

• Regras do dia-a-dia
1. Dar instruções diretas e claras, uma de cada vez, em um nível que a criança possa corresponder.
2. Ensinar a criança a não interromper as suas atividades: tentar finalizar tudo aquilo que começa.
3. Estabelecer uma rotina diária clara e consistente: hora de almoço, de jantar e dever de casa, por exemplo.
4. Priorizar e focalizar o que é mais importante em determinadas situações.
5. Organizar e arrumar o ambiente como um meio de otimizar as chances para sucesso e evitar conflitos.

• Casa
1. Manter em casa um sistema de código ou sinal que seja entendido por todos os membros da família.
2. Manter o ambiente doméstico o mais harmônico e o mais organizado quanto possível.
3. Reservar um espaço arejado e bem iluminado para a realização da lição de casa.
4. O quarto não pode ser um local repleto de estímulos diferentes: um monte de brinquedo, pôsteres, etc.

• Comportamento
1. Advertir construtivamente o comportamento inadequado, esclarecendo com a criança o que seria mais apropriado e esperado dela naquele momento.
2. Usar um sistema de reforço imediato para todo o bom comportamento da criança.
3. Preparar a criança para qualquer mudança que altere a sua rotina, como festas, mudanças de escola ou de residência, etc.
4. Incentivar a criança a exercer uma atividade física regular.
5. Estimular a independência e a autonomia da criança, considerando a sua idade.
6. Estimular a criança a fazer e a manter amizades.
7. Ensinar para a criança meios de lidar com situações de conflito (pensar, raciocinar, chamar um adulto para intervir, esperar a sua vez).

• Pais
1. Ter sempre um tempo disponível para interagir com a criança.
2. Incentivar as brincadeiras com jogos e regras, pois além de ajudar a desenvolver a atenção, permitem que a criança organize-se por meio de regras e limites e, aprenda a participar, ganhando, perdendo ou mesmo empatando.
3. Quem tem TDAH pode descarregar sua “bateria” muito rapidamente. Se este for o caso, recarregue-a com mais frequência.
4. Evite ficar o tempo todo dentro de casa, principalmente nos fins de semana. Programe atividades diferentes, não fique sempre fazendo a mesma coisa.
5. Estabeleça cronogramas, incluindo os períodos para ‘’descanso’’, brincadeiras ou simplesmente horários livres para se fazer o que quiser.
6. Nenhuma atividade que requeira concentração (estudo, deveres de casa) pode ser muito prolongada. Intercale coisas agradáveis com tarefas prolongadas.
7. Procure sempre perguntar o que ela quer, o que está achando das coisas. Não crie uma relação unidirecional.
8. Use mural para afixar lembretes, listas de coisas a fazer, calendário de provas.
9. Estimule e cobre o uso diário de uma agenda. Se ela for eletrônica, melhor ainda.

Lembre-se sempre

1. Procure o máximo de informações possível sobre o TDAH.
2. Tenha certeza do diagnóstico e segurança de que não há outros diagnósticos associados ao TDAH.
3. Tenha certeza de que o tratamento está sendo feito por um profissional que realmente entende do assunto.
4. Lembre-se que seu filho (a) está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue. Deve sempre lembrar-se aos pais que estes devem ser otimistas, pacientes e persistentes com o filho. Não devem desanimar diante dos possíveis obstáculos.”

A situação dos que possuem na família pessoas portadoras de TDAH não é fácil, principalmente porque temos crianças com esta síndrome e crianças são sempre ativas e elétricas. Mas devemos lembrar que, como tudo na vida, sempre temos dois lados na história e a impulsividade e a hiperatividade podem se transformar em estímulo para galgar desafios e se superar, como fez o Michael Phelps.

Algumas características que esta impulsividade e hiperatividade podem gerar são, por exemplo, criatividade, possuir pensamento original, persistência, resiliência, afetividade, comportamento generoso e, normalmente, inteligência acima da média.

Se você tem este problema na família, você pode procurar ajuda e suporte, pois existem várias instituições que prestam auxílio e fornecem orientação para os pais e familiares nesta situação, como a própria ABDA, citada acima e o Projeto Passarinho – www.projetopassarinho.com.br.
Se você não possui este problema na sua família ou no seu círculo de amizades, você pode, então, ajudar, basta doar um pouco do seu tempo ou de recursos para as instituições que desenvolvem trabalhos relacionados ao TDAH, participe.

Ser SOCIAL é agir DE VERDADE.

http://www.socialdeverdade.com.br/blog/tdah-esse-transtorno-pode-significar-inteligencia-acima-da-media

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

TDAH, O TRATAMENTO NÃO É FÁCIL








Não, Simone; o tratamento do TDAH não é tão mágico quanto um par de óculos para quem é míope. Pelo menos no meu caso, mesmo o tratamento tendo mudado minha vida, ainda luto cotidianamente contra o TDAH e sua equipe de sabotadores. Creio, honestamente, que a idade em que fui diagnosticado - 50 anos - influi diretamente no resultado do tratamento.
Cinquenta anos de TDAH  não tratado criaram em minha personalidade defesas, artimanhas e comportamentos que não se apagam somente com o remédio. Eu precisaria (e preciso) de uma boa terapia, mas a grana não dá; me restam o blog e uma sistemática auto análise em todos os meus comportamentos. Praticamente tudo o que eu faço - e principalmente o que eu NÃO quero fazer - eu submeto a essa auto análise. É preciso fazer? É importante que seja feito? Se eu não fizer o que estarei perdendo? O que estou trocando por aquilo que deveria estar fazendo, vale a pena? Por exemplo: trabalho de uma forma bastante livre, tenho um netbook com acesso à internet à mão, se eu não me policiar acabo usando o net pra acessar o blog em lugar de trabalhar. Eu abasteço o Facebook da empresa de informações; e a vontade que dá de acessar o meu Face pra saber das novidades! Isso parece muito fácil pra quem não tem TDAH, nós temos nosso próprio cérebro como inimigo; ele nos alimenta de falsos prazeres imediatos, de desculpas para que façamos o prazeroso e não o necessário. Um comportamento quase infantil. E não é apenas nesse campo da vida que o TDAH atua; no relacionamento afetivo aquele jogo de sedução e conquista com outra mulher (ou outro homem) é plenamente justificado por nosso cérebro doente. Por mais que amemos nossos parceiros, nossa mente inunda-se de pensamentos negativos sobre nossos relacionamentos. As brigas, os defeitos, tudo isso surge diante de nossos olhos como a nos dizer: a pessoa que está diante de você não tem nenhum desses defeitos! Um estímulo ao prazer imediato alimentando o jogo da sedução.
Aí entra a auto análise de que falei; penso a médio e longo prazo. Vale a pena o risco ao meu relacionamento? Sou eu que quero manter esse jogo ou é a necessidade de prazer imediato do TDAH? Em 90% dos casos a culpa é da doença. Eu mudo meu rumo e sigo minha vida.
Acho quase impossível vencer o TDAH sem medicamento algum. A ritalina aumenta minha concentração, meu foco, minha disposição, minha memória. O resto é comigo e minha vontade de não repetir os mesmos erros. E confesso que caio muito, erro muito e repito muito dos erros passados; mas aprendi a me perdoar, a enxergar que tenho uma doença incurável e que, às vezes, parece invencível. Aí entra, de novo, o remédio; é ele quem me dá forças pra enfrentar e derrubar o que parecia invencível.
Estou me preparando para experimentar o Venvanse. Minha médica acredita que será muito melhor. Eu torço por isso, mas, se eu não me adaptar, não tem problema, volto pra minha ritinha, com ela, mais a força de recuperação que tenho, eu  enfrentarei o TDAH de novo.
Todos os dias da minha vida, se for preciso.


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Imagem web Picassa

quinta-feira, 7 de março de 2013

TDAH






De acordo com o estudo, a média da taxa de desenvolvimento físico (altura e peso) dos jovens antes de uma parte deles iniciar o tratamento contra TDAH não apresentou diferenças. No entanto, a pesquisa concluiu que adolescentes de 12 a 13 anos que fizeram o uso dos medicamentos estimulantes por mais de três anos cresceram três centímetros menos do que a média para essa fase da vida. Além disso, os participantes de 14 a 15 anos cresceram menos e ganharam menos peso do que a média para a faixa etária.
Para Alison, os médicos deveriam tomar cuidado com a dose dos remédios na hora de receitar um tratamento a um jovem com TDAH para evitar ao máximo um efeito negativo no desenvolvimento juvenil. A pesquisadora reforça ainda que, embora o crescimento dos adolescentes tratados contra o transtorno possa ser menor na puberdade, outros estudos já mostraram que esses indivíduos são capazes de atingir peso e altura semelhantes a de seus pais e irmãos na idade adulta.

sábado, 8 de dezembro de 2012

ESCARPAS E ABISMOS; A VOLATILIDADE DO TDAH.








Ontem e hoje não foram bons dias.
Cheguei atrasado a um encontro ontem. Saí de casa com o horário cronometrado, andei um ou dois kilômetros e descobri que havia esquecido a carteira. Até continuaria sem ela apostando que não seria parado em nenhuma blitz da polícia. Só que eu não tinha nenhum centavo no bolso. Nem para pagar o estacionamento. Resultado: voltei para casa em desabalada carreira. Desci do carro correndo e percebi que esqueci, lá dentro, a chave de casa. Voltei para buscá-la.
O pior, ainda em casa, antes de sair, notei que a carteira não estava onde deveria. Dei uma olhada por cima, não a vi, e imaginei que ela estivesse no carro.
Fui confiando nisso, mas não conferi ao entrar no carro. Dancei.
Perdi metade do horário marcado.

Um sentimento de derrota se apossou de mim. Achei que já havia superado esta etapa. Mas, se TDAH não tem cura, creio ser normal esse tipo de situação. Uma escalada íngreme com alguns tropeços e deslizes ao longo da subida. Não posso esperar a perfeição de uma hora para outra, mas fica uma pontinha de decepção.

Hoje meu humor está descalibrado. Vai da mais alta escarpa até o abismo mais profundo. Em pouquíssimo tempo. Aparentemente sem nenhuma razão.
Até então, eu teria creditado toda essa variação aos fatos ocorridos no dia. Mas nada de mais aconteceu hoje. Lógico, não existem dias sem dissabores. Mas nada que justifique uma variação tão grande. Muitas vezes eu me perguntava como meu humor podia variar tanto. Qualquer coisinha me derrubava. Uma tristeza enorme tomava conta de mim. Assim estou eu hoje. Com um predomínio significativo da tristeza. Agora mesmo, eu estava tocando sax o que me deixou em estado de quase euforia. Guardei o instrumento e, parece, que a alegria ficou fechada em seu estojo.
Neste exato momento estou retomando este post, dia 30 de dezembro. Ontem, não consegui postar nada. Este tópico que estou escrevendo ficou inconcluso. O sono me derrotou. Acordei cansado, muito cansado. Andei exagerando um pouco essa semana. O corpo sentiu. Parte dessa tristeza pode ser por isso também.

Estou começando a me sentir confuso por causa do TDAH.
 Estou alerta para os meus comportamentos, mas nem sempre consigo reconhecer o que é TDAH e o que não é.
Pensando bem, faz alguma diferença? Isso me veio à cabeça agora.
O rótulo é tão importante? Se o comportamento é negativo, precisa ser mudado. Independente de sua "origem".
O importante é permanecer alerta para enxergar o comportamento negativo e trabalhar para mudá-lo.
Olha a escarpa aí, gente!
Pensar nisso me deu um sentimento positivo, um ânimo novo! Já me sinto a meio caminho do cume da montanha mágica.
Olho para baixo, o abismo negro e profundo ficou para trás. Preciso  atuar para voltar menos a ele. Ainda não sei como.
Nos últimos dois dias, internamente, silenciosamente, venho solapando a credibilidade da Ritalina. O esquecimento de terça-feira, a abrupta variação de humor de ontem, comecei a perceber que flashs de desconfiança pipocavam em minha mente. Um mecanismo qualquer de desqualificação começava a atuar. Escrevendo esse blog, no parágrafo sobre o TDAH me bateu uma luz. Estava preso ao acessório, enredado nas filigranas, e perdendo de vista o essencial.
Começo a acreditar que estas variações de humor traziam no seu íntimo, bem lá no fundinho, essa desconfiança com o tratamento que me rondava desde o episódio do esquecimento da chave.
Por isso tenho mantido este blog. Escrever o que sinto tem sido de grande auxílio. Consigo enxergar "de fora" o que sinto, o que penso, o que vivencio. Ao colocar "no papel" essa dúvida sobre o que é ou não fruto da TDAH, me dei conta da pequenez da questão. Enquanto eu cuidava das formiguinhas, um bando de elefantes vinha em minha direção. Eu seria esmagado por eles.
Incrível, me sinto mais leve. A sombra que pairava sobre mim vai se dissipando. Nem eu mesmo consigo acreditar em tudo o que aconteceu nesses poucos minutos dentro de mim. A luta interna que está sendo travada na minha cabeça. Quem não assistiu ao filme " O Senhor dos Anéis" não sabe o que vou dizer. Me senti como o Gollum e suas duas personalidades, uma luta contínua para decidir se mataria ou não o Frodo.
Estou pasmo, abismado, com minhas próprias reações. Em questão de segundos me libertei de um sentimento de derrota, de impotência.
Foco, Alexandre!
Mais um comportamento descoberto. Mais uma armadilha reconhecida.
Mais um passo dado.
" Ao infinito e além ! " 
  




Opinião
É meu caro, o que não consigo entender é como a vida dos TDAH são tao parecidas.
Felizmente há pessoas que mesmo apanhando tanto, conseguem continuar indo em frente.
Eu estou desistindo dessa briga.

http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2011/01/escarpas-e-abismos-volatilidade-do-tdah_23.html

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TDAH

 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) ainda é um transtorno envolto em inúmeros paradigmas no âmbito escolar, que o definem como má-educação, aluno indisciplinado e em muitos casos pouco inteligentes. Procuramos explorar esse tema em nosso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), pois sabemos que será muito comum encontrarmos, em nossas aulas de Educação Física, alunos com esse transtorno e teremos que estar preparados para lidar com tais peculiaridades.
Pensando nas peculiaridades da criança com TDAH, acreditamos na importância do papel do professor de Educação Física no desenvolvimento afetivo, cognitivo e motor desse aluno. Para alcançar os objetivos da Educação Física, ou seja, a formação desses alunos, é necessário o conhecimento e a capacitação do professor em relação ao transtorno, para a melhor organização de suas aulas.
Atuando na área escolar durante nossa formação acadêmica, nos deparamos com inúmeras situações que nos despertaram a curiosidade em relação ao tema. Na prática encontramos diversos transtornos e dificuldades de aprendizagem, porém o TDAH tornou-se mais comum em nosso cotidiano, nos fazendo criar novas estratégias a cada dia para o trabalho com essas crianças. Pudemos analisar, que muitos professores por falta de conhecimento “rotulavam” esses alunos como mal educados e indisciplinados, não acreditando em suas potencialidades e não procurando um currículo adequado para auxiliar na formação do aluno com TDAH. Nesse sentido, buscamos aprofundamento quanto ao tema e tentamos entender o mundo da criança com TDAH e o quanto o professor de Educação física pode colaborar com esse aluno.
Para fins didáticos, organizamos o TCC em cinco capítulos, dispostos da seguinte maneira:
Primeiro capítulo: abordará de maneira detalhada a definição do transtorno, os sintomas, diagnóstico, causas e os possíveis tratamentos.
Segundo capítulo: contextualizará o TDAH no âmbito escolar, apresentando metodologias de ensino para facilitar o processo inclusão educacional.
Terceiro capítulo: apresentará a relação entre a Educação Física escolar e sua contribuição para o desenvolvimento do aluno com o Transtorno, destacando aspectos físicos, dificuldades e habilidades motoras, afetivas e cognitivas.
Quarto capítulo: conterá a pesquisa de campo, incluindo análise e discussão dos questionários aplicados a professores de Educação Física de escolas públicas e privadas da cidade de Sorocaba.
Quinto capítulo: trará as considerações finais do trabalho.
Conseqüentemente ao exposto, o objetivo do trabalho é relatar a formação, o conhecimento e a capacitação do educador físico frente aos alunos com TDAH, suas metodologias de trabalho e como a escola tem identificado o transtorno para o possível diagnóstico.
CAPÍTULO I: TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE
“O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo – numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência”.ALBERT EINSTEIN
1.1 DEFINIÇÃO
Diversos autores têm definido o TDAH como um transtorno que compromete a vida sócio-afetiva, profissional e principalmente escolar. Na literatura encontram-se diversas definições para o transtorno que causa grandes impactos para o indivíduo que o possui.
O TDAH é considerado como um transtorno mental, sendo um dos mais comuns na infância e na adolescência, caracterizado por desatenção, atividade motora excessiva e impulsividade (BARKLEY, 2002:35; COUTINHO et al, 2007; CUNHAC et al, 2001).
Araújo e Silva (2003) citam que esse transtorno
É considerado também como um distúrbio biopsicossocial, ou seja, parece haver fortes fatores genéticos, biológicos, sociais e vivênciais, que contribuem para a intensificação desse problema. O TDAH seria, para o portador, uma maneira diferente de pensar, ocasionando graves dificuldades de relacionamento.
Pode-se observar que os autores citados utilizam diferentes nomenclaturas que definem o TDAH, dentre elas encontra-se: distúrbio (designação que engloba numerosos fenômenos observáveis na esquizofrenia, como comportamento excêntrico, anormalidade dos pensamentos e dos afetos), transtorno (ligeira perturbação de saúde. Termo usado em doença ou de outro vocabulário similar, a fim de causar impacto psicológico menor no doente, ou em quem o acompanha) e doença (denominação genérica de qualquer desvio do estado normal. 2. med. Conjunto de sinais e/ou sintomas que têm uma só causa; moléstia.) (FERREIRA, 1999).
No presente trabalho, será empregada a terminologia Transtorno, atualmente mais utilizada na literatura e no DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais) – órgão que estabelece diagnóstico, estatística e classificação para o TDAH. Em algumas passagens será empregado o termo Hiperatividade na qual Goldstein e Goldstein (1998) utilizam essa terminologia em sua obra como sinônimo de TDAH.
Baseado nas definições encontradas entendemos que o TDAH é um transtorno comportamental, que ocasiona problemas de relacionamento pessoal, aproveitamento escolar e desempenho profissional.
1.2 CAUSAS
Nas décadas de 1960 e 1970 entendia-se que o TDAH surgia em decorrência de lesões ocorridas no parto. Entretanto, após o desenvolvimento de estudos mais elaborados, conclui-se que problemas durante o nascimento eram de menor importância para o desenvolvimento dessa condição (GOLDSTEIN & GOLDSTEIN, 1998:52).
Esses novos estudos apontaram diversos fatores como responsáveis pela causa do TDAH, dentre eles distúrbios clínicos, efeitos colaterais de medicamentos, distúrbios convulsivos, dieta alimentar errônea durante a infância, infecções de ouvido, hereditariedade e lesões cerebrais, exposição fetal ao tabaco e álcool, problemas no desenvolvimento, ferimentos ou malformação, lesões cerebrais ou desenvolvimento cerebral anormal, problemas familiares, agentes ambientais, exposição precoce aos altos níveis de chumbo (BARKLEY, 2002:79; GIACOMINI & GIACOMINI, 2006; GOLDSTEIN & GOLDSTEIN, 1998:53; NAPARSTEK, 2004).
Goldstein e Goldstein (1998:59) dizem que o chumbo é um metal que não contém nenhum valor biológico conhecido, mas sua ingestão pode envenenar o sistema energético humano. Barkley (2002:86) ressalta que existem evidencias de que níveis altos de chumbo no organismo de crianças e jovens podem estar associados ao maior risco de comportamento desatento e hiperativo.
Barkley (2002:79) e Facion (2003) também apontam que o TDAH tem múltiplas causas e coloca que, mesmo com o avanço de pesquisas, é difícil encontrar provas científicas consistentes de algo que possa causar esse problema no comportamento humano.
Craft (2004:149) “conceitua o TDAH como um distúrbio intrínseco causado por uma disfunção do sistema nervoso central”. Para Riccio, Hynd, Cohen e Gonzáles (1993) o estudo das causas dessa condição caminha sob três pontos de vista: neuroanatômica que estuda as três áreas do cérebro, que supostamente controlam a atenção e inibem a atividade motora; a neuroquímica, que estuda os neurotransmissores que auxiliam a comunicação entre as vias nervosas e a neurofisiológica que estuda a interação dinâmica entre os componentes neuroquímicos e anatômicos do cérebro (apud CRAFT, 2004:149).
Segundo Benczik e Rohde (1999:55) “os achados científicos têm indicado claramente a presença de disfunção em uma área do cérebro conhecida como região orbital frontal em crianças e adolescentes com TDAH”. Porém, segundo os autores, os estudos ainda são iniciais e pouco conclusivos. O que se tem observado com freqüência é que existem alterações no funcionamento de algumas substâncias encontradas nessa área do cérebro, os neurotransmissores, que tem a função de passar informações entre um neurônio e outro (BENCZIK & ROHDE; 1999:57).
Ajudando a compreender a explicação da causa do TDAH como originário de uma disfunção na produção de neurotransmissores, Araújo e Silva (2003) dizem que,
[...] é causado pela pouca produção de Catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que é uma classe de neurotransmissores responsável pelo controle de diversos sistemas neurais no cérebro, incluindo aqueles que governam a atenção, o comportamento motor e a motivação. Uma visão de base neurológica para o TDAH é que baixos níveis de catecolaminas resultam em uma hipoativação desses sistemas. Portanto os indivíduos afetados não podem moderar sua atenção, seus níveis de atividade, seus impulsos emocionais ou suas respostas a estímulos no ambiente tão efetivamente quanto as pessoas com sistemas nervosos normais.
Fatores genéticos e hereditários têm sido amplamente estudados em relação ao TDAH e, segundo Goldstein e Goldstein (1998:60)
A relação entre a hiperatividade e hereditariedade está claramente estabelecida. A primeira ligação foi estabelecida pelo estudo dos parentes de uma criança hiperativa. Sabe-se que uma criança hiperativa tem uma probabilidade quatro vezes maior de possuir outros membros da família com os mesmo problemas. Entretanto, o relacionamento entre crianças e sua família englobam, também, fatores ambientais.
Na mesma linha de pesquisa, Rohde e Halpern (2004:62), sugerem haver estudos familiares que mostraram consistentemente uma recorrência familiar significante para esse transtorno. Os autores apontam também fatores psicossociais que atuam no funcionamento adaptativo e na saúde emocional geral da criança, como desentendimentos familiares, presença de transtornos mentais nos pais, classe social baixa, família muito numerosa, criminalidade na família, psicopatologia materna e colocação em lar adotivo.
Diferentes autores têm pesquisado sobre as causas do TDAH. Seus estudos mostram que ainda existem muitos paradigmas em relação às causas desse transtorno. Como visto, as causas mais comuns são ambientais, genéticas e alterações cerebrais, ou seja, o TDAH pode ser causado por diferentes fatores, porém, não é possível precisar a influência de cada um para o surgimento dessa condição.
1.3 SINTOMAS E DIAGNÓSTICO
A manifestação do transtorno ocorre na infância, no momento em que à criança apresenta excessivas alterações no comportamento. Partindo do princípio de que as crianças normalmente são agitadas e inquietas, seria então difícil diagnosticar qualquer distúrbio comportamental, mas quando se trata de crianças com TDAH a idéia de inquietude e agitação se multiplica, e o comportamento dessa criança torna-se excessivo em relação a outras que convivem no mesmo ambiente. O TDAH causa muitos problemas para crianças com esse transtorno em basicamente três áreas: familiar, escolar e social (SANTOS, 2007).
O transtorno pode ser caracterizado pela combinação dos sintomas distração, impulsividade e hiperatividade. É a partir desse trio que irá se desenvolver o universo do TDAH, que oscila da plenitude criativa a exaustão de um cérebro que nunca para (SILVA, 2003:20).

Para considerar que uma criança ou adulto realmente apresente o diagnóstico positivo do TDAH é indispensável que passe por exames clínicos psicológicos e neurológicos, para que não haja falsas expectativas em relação ao problema. De acordo com Benczik e Rohde (1999:37), para existir o TDAH, é necessário que alguns sintomas já estivessem presentes antes dos sete anos e já causassem dificuldades para as crianças, no entanto, é necessário à observação de pais e professores em relação ao histórico comportamental de seu filho ou aluno.