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quinta-feira, 10 de junho de 2010

DEPOIMENTOS !! TDAH


VEJA A SEGUIR ALGUNS DEPOIMENTOS DE ADULTOS PORTADORES DE TDAH


O homem que enrolava

Eu sempre fui assim, sabe? Desde pequeno, só que agora minha vida mudou, as coisas são diferentes quando você é adulto. Tem o trabalho, as outras pessoas que dependem de você e o que você faz. Mas sempre fui um cara que estudava na véspera e acabava passando. Dava uma "enrolada" aqui, outra ali e tudo se ajeitava. Ainda achavam que eu era ótimo aluno. Só que agora, na faculdade, não tem como "enrolar", porque a quantidade de material para estudar é absurda e também muito complexa. Leu, leu; não leu, não consegue "enrolar". Pelo menos a média dos professores. Acontece que acabo me sentindo burro, uma verdadeira fraude, porque consegui chegar até aqui "enrolando" todo mundo sem nunca ter estudado a fundo e me aprofundado nas coisas que deveria.

As pessoas acham que sou pedante quando digo que nunca estudei direito, mas é a pura verdade. Estudar, mesmo, só conseguia quando era em grupo. Aí eu conseguia ficar mais tempo concentrado e decorar a matéria. Sozinho, nunca estudava muito tempo. Levantava, ia fazer outra coisa, beber água, ligar o rádio. Ou então passava de uma matéria para a outra, sem acabar a primeira. Hoje, a impressão que tenho é que minha capacidade de aprendizado se esgotou completamente: não consigo aprender mais nada. Leio, leio e não "fixo" mais nada. Sempre estou voltando para as páginas anteriores para ler de novo e ver se consigo memorizar. Quando memorizo, só dura pouco tempo. O mais impressionante é que isto não ocorre apenas com estudo, mas com as coisas em geral. Vale para pessoas que conheci há algum tempo (e não me lembro, volta-e-meia passo vexames), coisas que aconteceram (e os outros lembram, mas eu não) e até mesmo coisas que comprei e nem lembrava que tinha.

O médico disse que sempre fui assim e que agora que minha vida virou uma loucura de tanto estudo e trabalho é que meu déficit de atenção ficou tão evidente. Segundo ele, o DDA não aumenta, mas a impressão que eu tenho é que fiquei muito pior do que era antes.


A mulher que não fazia as coisas

Você acredita que alguém tenha 35 coisas para fazer num dia? Pois é exatamente isto que eu tenho para fazer na data de hoje, está numerado na minha agenda eletrônica. E sabe por quê? Simplesmente vou repassando coisas que não fiz (e deveria ter feito) para os dias seguintes e a lista vai aumentando. O mais absurdo é que eu não fiz metade do que tinha que ter feito porque fiquei em casa, despreocupada, descansando, "na boa". Ao contrário, fiz um monte de coisas e ainda inventei outras tantas para fazer. Resultado: cada dia que passa me sinto mais estressada e cheia de coisas para fazer e acho que não vou dar conta, mesmo. Não tem jeito de me organizar ou escolher apenas o que é importante. Faço coisas menos importantes na frente (ou no meio, o que é mais comum) de coisas importantes que deveria fazer.

E não tem jeito. Já tentei me organizar, usar uma agenda como uma pessoa normal. Eu anoto e depois não consulto. Ou então anoto e nunca acho a anotação que queria. Procuro algo que eu tenho a absoluta certeza que anotei - o número de um documento, por exemplo - e não lembro sequer de que período foi feita a anotação (não lembro nem da época do fato) e tenho que procurar dia por dia, por meses a fio. Isto quando eu não "olho por cima", sem realmente ler cada coisa.

Esta lista atual mesmo provavelmente não corresponde à realidade. Tem ítens que já estavam há tanto tempo que eu deletei e não coloquei mais para os dias seguintes. Outros importantíssimos (acabei de lembrar de um neste exato momento que estou falando com o Sr.) nem estão listados.
Esta história de agenda e lista de coisas a fazer é recente; decidi isto porque sou muito desorganizada. Só para se ter uma idéia, tenho que despejar um inquilino que não paga o IPTU. Pois bem: não sei onde está o contrato, não acho os carnês anteriores do imposto e meu advogado diz que não pode me ajudar se eu não encontrar os documentos. E os meu clientes ainda têm uma enorme confiança em mim e no meu trabalho, me acham super-competente e organizada ! Como, eu não sei...


Achei o que não procurava!

Tenho 36 anos, separado, cinco filhos uma neta e estou agora aqui na frente do meu PC com os olhos cheios d'água porque acabei de ler um depoimento chamado...(tive que voltar a página para ler novamente)... O HOMEM QUE ENROLAVA. Lendo esse texto vi minha vida passar na minha mente, praticamente 80% do que está escrito já se passou na minha vida e a razão desta minha emoção é saber que isso, que me acompanha desde garoto e já me prejudicou bastante, tem cura, tem controle, tem parâmetros para se identificar em que grau se encontra. Não imaginam como estou contente em ter aberto, novamente, ontem, a revista EXAME e ter encontrado uma matéria fantástica sobre o DDA. Já são 18.05 hs de quinta-feira e preciso ir agora, mas garanto que estou indo confiante (e emocionado) que minha vida pode melhorar - ou melhor, vai melhorar. Amanhã mesmo vou ligar nestes números que encontrei aqui e procurar ajuda, logo que puder vou dar meu depoimento do que é minha vida e o que já passei, e quem sabe, mais tarde, dar outro contando os resultados. Estou muito feliz, obrigado a todos que estão engajados neste trabalho. Obrigado.


A mulher distraída

Lendo a matéria da revista EXAME e alguns dos depoimentos deste site, me reconheci em muitos deles: sou distraída (meu namorado diz que não posso ter nada caro porque perco tudo...), nunca consigo me fixar por muito tempo em conversas, estudo ou aulas, sempre me pego "viajando" quando mais queria prestar atenção (embora não tenha dificuldades de concentração em coisas bobas, como literatura "fácil" ou filmes), me distraio até fazendo sexo!

Não aguento mais sonhar acordada, eu sofro por não estar "fixada" no que preciso...


O Eterno Insatisfeito

Das minhas lembranças da infância, existem três que me acompanham sempre. Na verdade, a primeira não pode ser uma lembrança, segundo minha ex-psiquiatra, pois isso é impossível. Mas continuo a afirmar: é uma lembrança! Desde minha mais tenra idade, isso quer dizer, logo que nasci, há como que um vulcão dentro de mim querendo explodir. Lembro de estar no berço e sentir uma extrema angústia, como se não deveria estar ali, como que se quisesse voar, me libertar, fugir. Era muito angustiante estar ali preso, sem pode falar ou caminhar. Estranho lembrar disso, mas eu lembro!!! A segunda é sobre o maior prazer da minha infância e que me proporcionava tamanha alegria que nunca mais senti igual: minhas brincadeiras ao ar livre, no mato, correndo na rua, sem ter que prestar atenção em nada, em ninguém. Subia em árvores e me atirava de dois, três metros de altura sobre arbustos. Entrava nas partes de mato mais fechadas, onde ninguém se arriscava. A terceira, é sobre minhas dificuldades na escola e nos estudos. Dos sete aos doze anos de idade, NUNCA estudei. Não conseguia, simplesmente. Era uma tortura! As escolas em que estudei eram públicas e não era exigido muito de seus alunos. Assim, nunca precisei estudar e tirava sempre notas boas. Meus professores ficavam irritados, pois nunca parava quieto nas aulas, conversava durante a aula e dispersava a todos. No boletim, o de sempre: bom aluno, tira boas notas, mas seu comportamento é muito ruim. Precisa melhorar! Ou então: é bom aluno mas não se esforça o suficiente! Todos diziam que eu era indisciplinado e que não respeitava ninguém. Isso me deixava triste, pois não podia controlar isso. Tinha fama de relaxado e pouco esforçado.

Minha mãe sempre fala que eu era um terremoto, um capeta. Até os quatro anos, gritava e fazia o maior fiasco quando queria alguma coisa, como subir na mesa de doces no aniversário de algum amigo. Conta ela que meu primo, bem mais tranqüilo que eu, ganhou uma caixa para ficar dentro brincado quando tínhamos quatro anos (temos a mesma idade. Meu primo passava o dia dentro da caixa brincando. Então ela resolveu fazer uma para mim. Quando me colocou dentro, o fiasco: comecei a gritar e gritar até que me tiraram de lá. E sempre foi assim segundo ela. Nada me satisfazia, não ficava quieto nunca, não conseguia brincar nem por meia hora dentro de casa ou com algum brinquedo que tivesse ganhado. Ela (e outras pessoas mais próximas) sempre diz: ninguém conseguia te agüentar. Sempre me senti muito, mas muito diferente. Nada me satisfazia durante muito tempo, tudo passava a ser um tédio com o tempo, principalmente depois que as minhas brincadeiras na rua (correndo, pulando e escalando sem parar) não faziam mais sentido, pois já era adolescente. Então comecei a procurar uma resposta de forma incessante para minha angústia, minha insatisfação. Freqüentei diversas religiões, tentei trabalhar num escritório (um terror, esquecia as coisas, me atrasava, levava bronca toda semana). Lia livros de toda espécie, sempre procurando uma explicação (nem preciso dizer que não conseguia ler o livro inteiro). Então, até que enfim, aos 15 anos, achei o alívio que tanto procurava: nas drogas. Usei muita, mas muita droga durante quatro anos. As minhas preferidas eram do tipo estimulante cocaína, anfetaminas. Não gostava de maconha e álcool. Isso durou até os dezenove anos, quando decidi por conta própria abandonar o vício. E consegui, graças a Deus! Eu sou do interior do RS e me mudei para Porto Alegre há sete anos. Aqui, fiz de tudo. Dei aulas de computação, fiz um semestre de engenharia, um ano de jornalismo, trabalhei um ano na companhia de telefonia, fiz um pouco de tudo. Mas nada me satisfazia. De uma hora para outra, resolvi fazer medicina. Estudei durante oito meses de uma forma absurda. Hoje nem acredito que pude fazer aquilo. Se ficasse acordado por dezesseis horas num dia, estudava pelo menos doze. Mas consegui, passei. Só que após algum tempo de entusiasmo e empolgação, tudo voltou ao normal. Fico entediado de estudar. Demoro para fazer as coisas que devem ser feitas. Agora estou no internato. E agora a cobra está fumando. A exigência é grande, não tem moleza. Os residentes nos cobram muito, preciso ficar atento a tudo, preciso chegar na hora... E isso para mim é um verdadeiro sacrifício sobre-humano. Vejo meus colegas levarem numa boa e não entendo como eu me enrolo tanto, me canso tanto. Após três horas atendendo, me sinto um trapo, um traste de tão cansando. Bem, nesse meio tempo, fiz sete anos de psicoterapia. Mas nada mudou em todas as tentativas de orientação, medicação. Continuo sofrendo esse eterno dilema de querer fazer as coisas e simplesmente não conseguir. Por exemplo, ler um bom livro, ler periodicamente artigos e outras coisas de medicina, sair para me divertir, conversar conseguindo expressar as milhões de coisas que vão me passando pela cabeça, parar de ler todas as placas de anúncio, de trânsito e de carro quando caminho pelas ruas, usar internet sem ter que abrir quatro, cinco, seis janelas ao mesmo tempo, organizar meu dia seguinte, parar de sentir tédio. Mas agora estou feliz! Encontrei pessoas muito parecidas comigo e fiz o meu diagnóstico: déficit de atenção. Vou procurar nesta semana o serviço do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, pois preciso de orientação. Estou feliz, mas ainda assim entediado.


Menina diferente

Minha mãe conta que desde que sou pequena sabe que tenho algo diferente... Sempre tive dificuldades de me concentrar em tudo o que fazia. Procurei ajuda para entender porque estudava tanto e meu rendimento era tão baixo, pois esquecia 50 por cento do que já tinha estudado ou então me dispersava muito na prova. Agora tenho 23 anos e ainda sofro muito com isso. Também passei a ter depressão, a ponto de ficar boa parte do dia deitada sem fazer nada. Quanto aos sintomas de TDAH, acho que eles são: minha incrível capacidade de sonhar acordada (passo muito tempo do dia assim), não conseguir cumprir metas, respeitar horários, ter disciplina. Tento me esforçar para ter mais organização e força de vontade, mas não consigo. Algumas vezes acordo e quero fazer tudo naquele dia, planejo, etc. Mas ao final do dia já estou com preguiça e adio tudo mais uma vez. A preguiça é um sintoma constante na minha vida... e me odeio por isso... gostaria de ter autocontrole total de mim.


Férias terrivelmente relaxantes

Meu marido nunca tinha percebido com tanta clareza a minha total incapacidade de relaxar e permanecer quieta. Como ambos trabalhamos muito e eu levo trabalho das crianças da escola para casa, estou sempre ocupada. Nos fins-de-semana estou sempre preparando algo ("é inadiável, desculpe querido") ou então me ocupando dos filhos. Quando não estou me ocupando dos filhos, estou resolvendo problemas da casa.

Pois bem, ele resolveu nos dar de presente um final de semana num desses hotéis tipo resort, no Nordeste, que só tem praia e mais nada para fazer. Nada, mesmo ! Logo no final do primeiro dia eu parecia uma doida andando de um lado para outro procurando o que fazer. Andava na praia, corria na areia, ia para a piscina, voltava para a praia. Abria e fechava o livro. Inventava alguma coisa o tempo todo. No segundo dia já estava querendo ir embora. É engraçado que eu sempre fantasio situações de relaxamento, como uma casa no campo, coisas assim. Mas descobri que sou incapaz de suportar uma vida monótona.

Sabe de uma coisa? A tal da hiperatividade do DDA não é apenas física, é mental também. Minha mente não consegue ficar parada nem por um instante. Até mesmo na fila do banco (que é um suplício, imagino que para todo mundo que tem DDA) eu fico fazendo brincadeiras mentais com os dizeres dos pôsters ou fantasiando situações, "voando" como se diz. Por isso é que me ocupo o tempo todo. Eu costumo dizer que descanso carregando pedras. Não consigo ficar sem fazer nada. Bem, no final da viagem meu marido tirou uma conclusão (que eu já estava cansada de saber): nossa filha tinha a quem puxar. Ela estava em tratamento para DDA há pouco menos de um ano.

Mas, por outro lado, é justamente esta energia toda que me fez chegar até onde cheguei, ser considerada uma excelente profisssional. As pessoas não me vêem como "estressada" ou "hiperativa", apesar de ser exatamente assim que eu me sinto.




Qualquer pessoa se enquadra nestes depoimentos descritos.

Procure ajuda ainda é tempo!
Fonte do Texto

Imagem do google

http://www.tdah.org.br/

sábado, 5 de junho de 2010

CRIANÇAS ESPECIAIS !



Crianças esquecidas são aquelas portadoras de inabilidades quase invisíveis. Elas possuem braços e pernas perfeitos, podem ver e ouvir, correr, brincar, etc..., mas a maioria não pode nem ir a uma festa de aniversário ou dormir fora de casa. Elas são as últimas a serem convidadas para brincar e as primeiras a serem culpadas por algo dar errado. A doença que trazem não é fatal, mas uma pequena parte de sua alma e de seu coração morre a cada rejeição que sofrem. Elas parecem ter um comportamento estranho e imprevisível e isso ocorre tanto para elas quanto para a sociedade. Elas são super notadas, apesar de serem ‘crianças esquecidas’.



http://lucianicordeiro.blogspot.com/
Perfil da autora do texto
Nani
São Paulo, São Paulo, Brazil
Uma mãe como tantas outras, com um filho Tdah lindo e ruivo e de mais duas mesticinhas lindas demais também.

Não faz muito tempo vi uma mãe afirmar que é imensamente feliz por ter uma filha com TDAH.Não pela diferenciação ,mas por ser merecedora de que Deus a tenha escolhido por dar-lhe um filho,e a felicidade é dupla.pois seu filho é especial.(Mary Cely)

Meu filho é TDAH !(Carta Desabafo)




Venho por meio desta esclarecer, que

Sim, ando furiosa. Saber hoje que meu filho é TDAH ( transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ), e saber que, por isso :

"Um grande n.º de outras dificuldades a longo prazo tem sido associadas com relações negativas com seus pares na Infância, incluindo um maior risco de desenvolvimento de uma condição comórbida ( ex. : depressão, ansiedade ), abuso de substâncias, comportamento delinqüente ou criminoso, e instabilidade no trabalho. Resumindo, as crianças com TDAH que também apresentam desadaptação social, quando comparadas com outras crianças com TDAH que não são rejeitadas pelos seus pares, carregam um fardo psicológico maior, que as predispõe a dificuldades em várias áreas através da idade adulta ( e durante toda a vida )”.

A partir disso, começa a correria!! Psicóloga, neurologista, exames, dificuldade em lidar com os efeitos colaterais da medicação, aulas de reforço escolar, ufa!!

E ouvir, do colégio onde seu filho estuda que você "tem que dar um jeito nele", e "não queremos mães mal educadas neste colégio", etc. , me leva a seguinte pergunta: uma mãe pode ficar furiosa por se sentir abandonada e saber que seu filho, muito amado, inteligente, só que "meio atrapalhado", tem que ficar trocando de colégio para ver quem o aguenta ?


Por que todas as mães de crianças TDAH passam por isso?

Por que, quando eu ainda não contestava o colégio, nunca fui "convidada" a levar meu filho pra outra instituição, mesmo ele não se adaptando ao colégio ? E agora, após o diagnóstico de TDAH, no primeiro problema, fazem de tudo para que eu tire o meu filho do colégio, inclusive com ataques pessoais ?


Sobre o parágrafo acima, gostaria de entender: por que, quando eu ia ao colégio, todos os funcionários sabiam quem era meu filho, não pelo ruivo do seu cabelo, mas sim, por ser desastrado, etc, e ficavam comentando nas minhas costas? Por que viviam os professores reclamando e nenhuma boa alma me apareceu para dizer que seria boa a ajuda de um psicólogo ? Por que, das várias vezes que conversei com a coordenadora Margareth sobre levar o Felipe ao psicólogo ou se ela não achava que ele tinha algum problema, simplesmente me dizia: ora mãe, não é para tanto! Basta ser mais firme! _ E eu dizia: Mais??? Como???

Passei 12 anos tentando descobrir o problema e muitos profissionais ( de escolas ) diziam que “quando ele crescer vai amadurecer”...


Ok, eu já sei, que muitos profissionais estão despreparados, etc, mas... Não haverá aí também uma acomodação desses profissionais em fórmulas antigas, ultrapassadas, etc?


Mas aí apareceram as crianças com problemas... Os arcaicos, podem dizer: Maldita inclusão!!!! ( E eu digo: Bendita seja!!! ) Antigamente a população era menor, as pessoas tinham pouco acesso à informação e a vida era mais fácil ... assim dizem...


Já sei que, segundo todos os que conhecem bem esse transtorno, o problema sempre é da criança e dos pais. Todos estes profissionais lamentam o fato de nós, pais e os portadores de TDAH, passarmos por isso. Não estou me fazendo de vítima, ao contrário. O que eu gostaria de saber é: e quando alguém é vítima de um TDAH, o que dizer à vítima?


Sim, sou uma mãe furiosa. Além de mãe furiosa, agora sou também, a secretária que cuida da agenda do meu filho: aulas de judô, aulas particulares de inglês, aulas de reforço de matemática, química, física e português. Minha grande alegria deste ano foi conseguir uma professora de português que se comprometeu em não só dar aulas de reforço para a matéria deste ano, mas também, ajudá-lo a “sair do atraso” de vários anos nesta matéria.

Quem for MÃE que me atire a primeira pedra. Mas somente aquelas que forem mães. Às demais, fica somente a minha fúria.


Deus me deu o privilégio da maternidade. Tenho 3 filhos, somente um TDAH. Segundo o Dr. Jobair Ubiratan Aurélio da Silva, neurologista do meu filho, Deus escolhe bem as mães de filhos TDAH. Me sinto uma privilegiada em ter um filho assim. Depois dele, comecei a aprender sobre a hipocrisia, o descaso, o “tudo de ruim”, mas também, o melhor dos seres humanos.



Às que são mães, mas de filhos “que não dão nenhum problema”, digo-vos: tenho duas filhas que são deste tipo, e é como brincar de boneca... Uma alegria só!! Elogios....muitos!!! Professores as adoram, tem muitos amigos, aprendem tudo rapidinho...hummmmmmm, uma delícia!!

Mas... e quando o filho apresenta um problema? Claro, a culpa é da mãe!! Mimam demais, não dão disciplina, etc, etc... Um inferno!!


Mas... e quando não mimam e dão disciplina?? Claro, não estão fazendo seu trabalho direito!!


E quando a criança é TDAH ? .... hum...perguntinha difícil, já que hoje em dia já não se pode dizer que isso é uma invenção dos pais pra não educarem seus filhos... (CID 10: F90.0 ).

TDAH , apesar de nos cobrar doses enormes de paciência, não é um “bicho de 7 cabeças”. Mas, se pensarmos que parecemos “bichos de 7 cabeças” para essas crianças, a coisa muda.


Segundo todos os especialistas que lidam com portadores deste transtorno, SIM, eu tenho todo o direito de estar furiosa!!! EXIJO que os profissionais da educação se enterem do que é TDAH, para saber como lidar com ele, para que assim, deixemos de ser “bichos de 7 cabeças”.


Agora que todos já sabem quem eu sou, pelo meu “comportamento” na escola, digo que era essa mesma a minha intenção: SER COMENTADA.


Além de mãe furiosa, não sou conhecida por ser super protetora, muito pelo contrário: sou uma mãe, tia, prima, irmã, filha, sobrinha, neta, bisneta, cunhada e vizinha que não gosta de bate- boca. Isso mesmo! Me chamam de obstinada (nem sempre sendo como um elogio), aquela que resolve as situações quando os demais envolvidos também anseiam por ela.

A família do meu marido é bastante numerosa (são 10 irmãos). Não havia muito diálogo entre eles, mas sim, muitas reclamações. Hoje, o Natal, e muitas datas comemorativas, acontecem na minha casa. Detalhe: é uma família japonesa. Por incrível que pareça, não há intrigas, disputas, mas há sim, muito carinho entre os cunhados/cunhadas e aproveitamos nosso tempo juntos, para brindar à vida, pelo prazer que nos dá em nos reunirmos, fazermos parte da vida uns dos outros, fazendo aquilo que Jesus nos ensinou: Amarmos uns aos outros. Sabe quem tem o mérito por isso? TODOS nós. TRABALHO DE EQUIPE. SENSO DO DEVER . A consciência de sermos o exemplo maior dos nossos filhos.


Toda linda história de amor nem sempre tem um lindo começo. Depende dos corações que batem dentro de nós. Eu tento sempre sentir “onde aperta o sapato “ no outro. Quando não consigo, através de uma simples tentativa, tento entrar dentro do ser que me pede ajuda, para entendê-lo.


Acredito piamente que essa é a única estrada a seguir. Entender o outro não quer dizer fazer o que o outro quer, mas sim, buscar um consenso.

Espero que entendam “onde o sapato me aperta” com esse “desabafo”. Já que me está proibido pela diretora falar com quem quer que seja deste colégio (ela disse que é dona desta instituição e eu só posso resolver (...) com ela ... ). Sem comentários.

NÃO estou furiosa por meu filho ter ficado de recuperação _ que fique bem claro. Eu mesma já discuti com uma professora de geografia, 2 anos antes, por NÂO o ter deixado de recuperação. A minha preocupação é com o ser humano que estou preparando “pro mundo”. Que o repitam, o coloquem de recuperação, pouco me importa. Me preocupa sim, e muito, em torná-lo em um “Homem de Bem” (pareço minha avó, desse jeito..rs). Com a ajuda de Deus, conseguirei, sabendo que : “Uma andorinha só não faz verão”.


E quem for MÃE, que me atire a primeira pedra!

Fonte da Pesquisa Imagem do google
Luciani Cordeiro
http://lucianicordeiro.blogspot.com/


Como você mesma diz (Super)Nani não podemos salvar o mundo! Mas uma gota de sabedoria pode apagar um fogo da ignorância e da maldade.
Unidas na força de mostrar o que é TDAH.
(Mary Cely)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Um cara estranho Tdah e reflexos


Estava dando uma olhada nas comunidades de DDA’s existentes no Orkut e me deparei com uma brincadeira onde um dos membros pedia para que cada um deixasse uma música que representasse o que a pessoa sentia por ser um TDAH.
De todas que vi, me prendi muito na letra da música do Los Hermanos - Cara Estranho. Acho que ela representa todo o sofrimento de se ter uma alma que não pertence a esse mundo.


Ai vai a letra e o vídeo mais abaixo






Cara Estranho
Los Hermanos

Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
No corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
Não mede a força que já tem
Exibe à frente o coração
Que não divide com ninguém
Tem tudo sempre às suas mãos
Mas leva a cruz um pouco além
Talhando feito um artesão
A imagem de um rapaz de bem

Olha ali quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
Se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber
Que foge sempre do lugar
Deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Que vence a briga sem suar
E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
Dizer ao mundo todo
Que só conhece o seu quinhão ruim
É simples desse jeito
Quando se encolhe o peito
E finge não haver competição
É a solução de quem não quer
Perder aquilo que já tem
E fecha a mão pro que há de vir

Fonte da Pesquisa e texto
http://coisassqueeusei.blogspot.com
Video You tube