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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Definição da Agressividade na Infância


Definição da Agressividade na Infância
A agressividade em psicopatologia definimos como:
a) “conduta intencionalmente dirigida a provocar lesão ou destruição de um objetivo (pessoal, animal ou objeto)”;

b) agressões físicas ou verbais contra os demais (ameaça, empurrões, dirigir-se aos demais com insultos ou gritos);

c) agressões contra objetos (quebra ou jogar objetos ao chão, dar pontapés);

d) e auto-agressão (bate a cabeça, arranhar-se, fazer pequenos cortes em si mesmo).

Todas estas definições podem formar una possível classificação de comportamento agressivo.

Atualmente e seguindo a classificação estatísticas dos transtornos mentais da academia americana de psiquiatria (DSM-IV, 2000), este comportamento não se considera por si mesmo uma entidade patológica, mas a parte de um conjunto de sintomas de numerosos transtornos tais como o transtorno anti-social, a esquizofrenia, o autismo, o atraso mental e o transtorno do déficit de atenção e hiperactividade.

As Causas da Agressividade.

As diversas teorias que tentam explicar a agressividade dividem-se, fundamentalmente, em ativas e reativas. As ativas ou teorias biológicas, subentende-se a origem interna da agressão, são entendidas como inatas e consistentes à espécie humana. As reativas explicam os mecanismos ambientais que facilitam e mantêm o comportamento agressivo, destacando entre elas a teoria da aprendizagem social.

Desse ponto de vista da teoria da aprendizagem social, o comportamento agressivo se dá ante uma situação de conflito que provoca um sentimento de frustração na criança. O tipo de reacção que terá a criança dependerá de como saiba reagir diante dessa situação conflitante. É dizer que dependerá de sua experiência prévia.

Os processos pelos quais tenha aprendido a comportar-se de maneira agressiva são a modelagem e o reforço (basicamente a observação por parte da criança de modelos que respondam agressivamente às situações conflitantes). Esses processos actuaram, por sua vez, como mecanismos de manutenção desses comportamentos.

Predição de Violência

Profissionais de saúde mental geralmente dizem que a violência não pode ser predita e a maioria insiste que a lei não deve pedir-lhes que façam tais profecias ao sentenciar criminosos. Eventos incomuns são difíceis de prever de forma exata e o comportamento de um paciente numa clínica ou hospital pode ser evidência insatisfatória para outros ambientes e situações, como as brigas domésticas. As predições a curto prazo podem ser mais precisas e as atuais pesquisas podem melhorá-las.

Drogas e Psicoterapia

Drogas e psicoterapia são usadas na prevenção a longo prazo e na conduta violenta. As drogas mais úteis são os neurolépticos (antipsicóticos), ansiolíticos, lítio, antidepressivos e betabloqueadores. Estas drogas atuam em sistemas de neurotransmissores usando ácido gama-aminobutírico (GABA), noradrenalina (NA) ou serotonina (5-hidroxitriptamina ou 5-HT) e também atuam nos sistemas nervosos periférico e central, reduzindo a ansiedade por supressão da emergência normal da resposta de luta ou fuga do corpo. Impede o comportamento agressivo em pacientes com transtornos cerebrais orgânicos e transtornos explosivos intermitentes.

Psicoterapia de vários tipos é usada no tratamento a longo prazo de pacientes violentos, dentro e fora dos hospitais. As drogas geralmente são suplementadas por psicoterapia de suporte oferecendo tranqüilização, incentivo e aconselhamento. Terapias de grupo e familiar são úteis em parte porque ocorre tanta violência dentro das famílias e em parte porque os pacientes em grupos discutirão questões que, de outra forma, evitariam. São confrontados por pessoas com problemas semelhantes e colocados numa posição de ajudá-las enquanto se ajudam.

O tratamento comportamental e cognitivo de pacientes agressivos visa à substituição sistemática de padrões de pensamento e comportamento potencialmente violentos por outros mais adaptativos. Os behavioristas, por exemplo, pensam na personalidade paranóica, limítrofe e anti-social como padrões de comportamento mal adaptados e rígidos. Modelos cognitivos sanam deficiências em explicações comportamentais simples de violência, levando em consideração expectativas, atribuições, interpretações, objetivos e motivações.

Essa psicoterapia é útil principalmente quando a violência resulta de um transtorno da personalidade ou de controle dos impulsos.

Ao tratar pacientes violentos, os terapeutas podem evitar. Uma reação autoritária ou punitiva, porém, é igualmente má. Violência costuma decorrer de sentimentos avassaladores de impotência e humilhação; uma resposta punitiva somente eleva a sensação de impotência e, portanto, aumenta a probabilidade de agressividade.

Mudança dos Padrões Violentos

A mudança de padrões violentos pode ser obtida diretamente por recompensas manipuladoras e estímulos ambientais ou indiretamente por alternativas de ensino. Os métodos diretos incluem punição, correção excessiva (apologias, reparações), conduta de contingência (contratos comportamentais com penas por quebra) e técnicas de autocontrole. As respostas alternativas são desenvolvidas principalmente através do treinamento de habilidades sociais e resolução de problemas. Outros métodos são limitar a exposição dos pacientes a modelos de comportamento agressivo, tornando-os menos sensíveis à provocação e ensiná-los a usar sugestão e auto-instrução para orientar suas ações. Especialmente no caso de transtornos de personalidade, a terapia do comportamento e cognitiva pode ser efetiva tanto num ambiente controlado, mas os resultados devem ser transferido para os ambientes cotidianos.

Os pacientes que tenham adquirido o hábito de agressividade acham difícil fantasiar, planejar ou antecipar conseqüências. Devem aprender a imaginar respostas alternativas as sugestões que sempre tenham evocado agressividade. Pede-se a eles que registrem situações nas quais ocorra violência e observem as recompensas temporárias: respeito intimidado, alívio de responsabilidade, ganho material e assim por diante. As más conseqüências específicas são então destacadas. Depois de aprender a perceber eventos diferentemente, os pacientes podem ser ensinados sobre outros modos de obter seus fins através do treinamento das habilidades sociais, que usa métodos tais como modelos, narrativas, elogios e feedback corretivo. O tratamento em grupo é especialmente útil por ser menos caro que a terapia individual e porque outros membros do grupo podem servir de modelo, parceiros e fornecedores de recompensas.

No treinamento das habilidades de resolução de problemas, os pacientes são ensinados a ver o ponto de vista de outras pessoas, antecipar suas reações e compreender as conseqüências de suas próprias ações. Nas famílias em que as crianças têm transtornos de conduta, poderá ser útil o treinamento de conduta familiar. Esta é uma forma de treinamento de habilidades de resolução de problemas em que os pais são ensinados a usar disciplina consistente como substituto para aspereza inconsistente. Aprendem a dar ordens claras, negociar compromissos e usar formas leves de punição.

Fonte das Pesquisas
http://www.cienciahoje.pt/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Agressividade no TDAH



A agressividade no transtorno de déficet de atenção e hiperactividade (TDAH)



As crianças com TDAH apresentam, frequentemente, comportamentos inadequados, maior dificuldade para aceitar limites, necessidade de obter recompensas de forma imediata ou em menor frequência; mas é de maior gravidade o transtorno opositor e desafiante (negar a obedecer e desafiar constantemente as figuras de autoridade). Esses aspectos podem levar, mais adiante, a um transtorno grave de conduta.
A coexistência de ambos os quadros (TDAH e Opositor Desafiante) é muito frequente e considera-se que, provavelmente, a impulsividade é o factor que favorece a união dos dois transtornos. As crianças predominantemente desatentas não demonstram este tipo de conduta; portanto, um factor associado de maior risco de comportamento agressivo irá apresentar no subtipo predominantemente hiperactivo impulsivo ou no subtipo combinado (tipos de classificação do TDAH segundo o DSM-IV).



* Psicóloga pela Florida International University USA. Mestre em Psicologia e Neurocientista do Comportamento da Instituto de Psicologia da USP e Pesquisadora executante do Departamento de Psiquiatria Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina e Psicologia da USP Master em Neuropsicologia da Saúde Mental e Demência pela Faculdade de Leon na Espanha. Doutoranda da Departamento de Neurociências e Comportamento da Instituto de Psicologia da USP





Nestes casos, a impulsividade impede que a criança analise a situação conflitante na qual se encontra utilizando os mediadores racionais ou cognitivos, e que não tente formular as regras de comportamento que o ajudaram a se controlar nessa situação.
Paralelamente ao deficit nas habilidades de mediação verbal ou auto-instruções em muitos dessas crianças, existe um déficit na aprendizagem das habilidades sociais adequadas para enfrentar as relações interpessoais com respostas não agressivas.

Por último, cabe associar ou relacionar o comportamento agressivo da criança TDAH com uma frágil auto-estima; paradoxalmente ao que pode parecer uma atitude arrogante. Atrás desta, subentende-se uma opinião muito pobre de si mesmo, de tal forma que reflecte na sua incapacidade para aceitar o fracasso ou a crítica.

Ao chegar na adolescência, o comportamento agressivo pode intensificar-se. As mudanças físicas e emocionais que poderá enfrentar qualquer criança nesta idade, podem significar uma atenuante (grave) de complicação que desenvolve em graves crises para o adolescente com TDAH no seu ambiente.

A detecção e intervenção precoce são aspectos especialmente importantes em casos de crianças com hiperactividade que apresentem oposição e conduta desafiante e determinante na evolução de ambos os quadros.



O tratamento deve contemplar a intervenção psicológica (tratamento Cognitivo Comportamental) e neuropediátrica, isso envolverá a família, a escola e, principalmente, a criança no processo.

Fonte da pesquisa
http://www.cienciahoje.pt/
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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Introdução ser Igual ou diferente... TDAH


A procura por tratamento psiquiátrico para os mais variados tipos de desordens emocionais tem aumentado significativamente nos últimos anos.

Depressão, ansiedade, desatenção, esquecimentos, desmotivação, irritabilidade e problemas de relacionamento, são queixas freqüentes e às vezes podem ser de difícil manejo por parte do especialista, constituindo-se em um desafio na prática médica diária.

É essencial que uma anamnese detalhada, investigando a vida do paciente desde a sua concepção, faça parte da rotina do médico no seu dia-a-dia. O diagnóstico correto é de suma importância, pois desordens emocionais de início precoce têm sido cada vez mais comuns nos consultórios.

O advento das neurociências e o avanço das pesquisas em várias áreas têm possibilitado o entendimento do mecanismo fisiopatológico de muitos transtornos até então não muito bem compreendidos, como é o caso do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

Vários pacientes relatam que “sempre foram crianças diferentes das outras” e que “sempre tiveram muitos problemas na escola”, tendo sido alvos de apelidos, preconceito, rejeição e às vezes de duras críticas, tanto no contexto familiar quanto na escola (às vezes até por alguns professores) ou no trabalho.

Em casos como esses, a vida pode evoluir de modo disfuncional e desadaptativo, muito aquém do esperado e com provável aparecimento de múltiplas “seqüelas emocionais”, que podem variar desde o sentimento de desmoralização e auto-estima baixa até a presença de outros transtornos mentais.

O que há alguns anos, poderia parecer rebeldia, preguiça ou falta de interesse, foi identificado há quase um século como um transtorno provocado por uma anomalia no desenvolvimento de algumas áreas cerebrais.

O profissional precisa estar atento, pois é possível que alguns desses pacientes sejam portador do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). É muito comum que jovens e adultos apresentarem sintomas da doença. O que ocorre é que eles têm o TDAH desde a infância e nunca foram diagnosticados, e após alguns anos de TDAH não diagnosticado e sem tratamento, a evolução costuma ser desfavorável, com deficiências em múltiplas áreas, apesar de serem pessoas inteligentes e criativas e de muitas já terem se submetido a vários tipos de tratamento.

O TDAH é um transtorno neurobiológico, heterogêneo e do desenvolvimento, portanto, de início precoce. Quase nunca aparece sozinho, sendo muito comum à presença de uma ou mais doenças (comorbidades), que tornam o quadro mais complexo e de difícil diagnóstico e tratamento.

O TDAH, ao contrário do que se pensava, é uma condição clínica que pode persistir até a fase adulta em cerca de 60 a 70 % das vezes, perpassando todas as fases de desenvolvimento e apresentando diferentes desafios durante cada fase.

Também, ao contrário do que se imaginava, o TDAH não é uma doença “inocente” e benigna. Em virtude do significativo impacto causado por ela na sociedade, em que se pese, entre outros, o sentimento de fracasso precoce relatado por grande parte dos pacientes e o alto custo da doença, o TDAH é uma condição séria que exige intervenção imediata e multimodal, com equipe de profissionais qualificada para o diagnóstico, tratamento e manejo dos sintomas.

Pais, professores e profissionais de saúde precisam conhecer o desenvolvimento normal de uma criança para estarem capacitados a identificar precocemente os sintomas do TDAH, que muitas vezes pode se apresentar de modo sutil e de difícil diagnóstico.

Estudos estatísticos mostram que crianças com TDAH quando comparadas a crianças normais da mesma idade e condição sócio-econômica, apresentam maior risco de sofrerem rejeição e preconceito, de manifestarem mais sintomas emocionais além de desenvolverem mais transtornos psiquiátricos ao longo da vida, incluindo, entre vários outros, comportamento anti-social, abuso de álcool e drogas e transtornos do humor e ansiedade.

Lamentavelmente, o TDAH é uma doença ainda pouco conhecida, subdiagnosticada e subtratada em todo o mundo, sendo urgente a criação de um programa informativo para a população e dentro das escolas, procurando esclarecer equívocos, desfazer mitos, fazendo com que o transtorno seja mais bem conhecido e seus portadores, mais encaminhados para tratamento.



EVOLUÇÃO

Com o progresso tecnológico a todo vapor, observamos cada vez mais que os nossos clientes têm se mostrado mais ativos em relação a seus tratamentos. Há algumas décadas, o paciente colocava a própria saúde nas mãos do médico, em quem confiava cegamente, sem nada questionar.

Contrariamente, nos dias de hoje, não raramente atendemos pessoas que já vêm inclusive com o diagnóstico pronto. Outros, querem entender tudo o que têm, o que pode ser feito, os riscos que correm, com uma postura interativa e participante, que na maioria das vezes contribui para uma melhor relação médico paciente.

É claro que sabemos que muitas crianças são bastante atentas e preocupadas com tudo o que lhe diz respeito. E que quando o especialista deixa um “espaço” para que ela se “coloque”, quase sempre teremos uma criança colaboradora e agente ativa do seu tratamento. Nesses casos, vemos que tal postura aumenta a auto-estima e a autoconfiança da criança, sendo um ponto favorável à evolução do tratamento, apesar de, infelizmente, termos situações que impossibilitam muitas crianças de participarem mais e de compreenderem melhor aquilo que lhes causa sofrimento, como baixa condição financeira, estruturas familiares caóticas e outras.


http://www.evelynvinocur.com.br/

quarta-feira, 28 de abril de 2010

TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade






OBJETIVO

Essa leitura tem o objetivo de tentar esclarecer o maior número possível de situações sobre o TDAH – transtorno ainda hoje não compreendido plenamente, mas certamente bem mais bem entendido do que há algumas décadas.

ALGUNS CASOS

I - Bernardo é o tipo de menino que não pára, que nunca se cansa, é muito curioso e quer saber todos os porquês. Gosta de ir à escola mas quando chega lá, prefere ficar brincando no pátio a ir assistir as aulas da Tia Fernanda. Na sala de aula, Bernardo até parece que está no “ensaio da escola de samba”, de tanto que se mexe. São mãos, pernas, pés, ombros, cintura, cada parte para um lado. Coitado do menino, parece que está com pó de mico no corpo! Bernardo bem percebe tudo isso mas finge não notar, não quer dar o braço a torcer. Mas a verdade é que Bernardo se sente super mal por ser assim, sem ter o controle de mudar esse jeito. Ele se acha fraco e sente-se derrotado por um “troço” que “vive” dentro dele, fazendo “gato e sapato” dele. Ele chora muito sozinho, normalmente quando toma banho, para sua mãe não perceber. Ele não entende por que não consegue parar quieto e fica agoniado em pensar até quando vai ser assim. Balança-se até quando dorme. Bernardo gostaria de virar uma poeirinha, de sumir, pra não ter que ver a tristeza de seus pais quando virem o seu boletim ... mas as coisas não param por aí. Bernardo também é muito distraído. Basta uma buzina na rua, um lápis que caia ou uma criança passando pelo corredor da escola, que ele não consegue mais continuar o que estava fazendo. Ele tem que olhar, quer ver e saber de tudo. Só que quando Renato interrompe uma tarefa que estava fazendo, é um sofrimento para reiniciá-la. Confunde-se todo e acaba virando motivo de chacota, pois sempre é o último a acabar – o que lhe gera um monte de apelidos, como lesminha, lentinho, ... Outro dia, ele jurou que não ia pedir para ir ao banheiro e nem ficar se balançando na cadeira ou mordendo os lápis. Ele tentou tanto ficar quieto, mas tanto, que dormiu profundamente sobre a carteira de aula e vocês podem até imaginar o vexame que ele passou... O Bernardo tem dois problemas, um de querer acabar logo e aí tudo fica malfeito, sujo, tudo rabiscado ou amassado, de tanto passar a borracha; e o outro, de querer fazer tudo limpo e perfeito, mas isso ele não consegue! Bernando, tadinho, se sente um estorvo, uma pedra no caminho dos pais.


II- Renato é irmão do Bernardo e tem 10 anos, é um ano mais velho, embora seja da mesma séria pois já repetiu um ano. Renato fica muito zangado quando os colegas reclamam que ele não fica quieto e que atrapalha a aula. Renato se sente injustiçado e perseguido e não compreende porque todos na escola o tratam assim. Renato é bem impopular no grupo e tem ficado sozinho no recreio, pudera, já arrumou briga com quase todos os colegas,... uma dia chegou a dar um soco no Felipe, seu melhor amigo. Renato fica muito ressentido com a professora e acha que ela exagera quando diz que ele é embagunçado e confuso. Ele bem que tenta fazer tudo direitinho mas a verdade é que onde ele bota a mão tudo vira bagunça. Ele sai da sala esbarrando em tudo, não pensa no que faz e fala sem pensar. Outro dia, no recreio, foi jogar de longe, uma pedra na lata do lixo, mas jogou com tanta força que rachou a janela da sala de aula! Renato também mente muito. Mas as pessoas acabam sabendo. Já tentou imitar a assinatura da mãe no boletim, tenta colar nas provas, mas sempre se acha certo e os outros, errados. Outro dia ficou muito irado por não ter sido escolhido para o time do jogo do futebol. Falou um monte de grosserias para os meninos do time, e saiu, mas antes deu um cascudo no colega que estava mais perto. Renato recebeu a sua segunda advertência da escola, pois respondeu mal à professora, gritou com ela, xingou e chegou a enfrentá-la, levantando o dedo em sua direção. No último conselho de classe, todos foram unânimes em “convidar” o Renato a ir para outra escola, uma que fizesse melhor o seu perfil e que fosse uma escola preparada para lidar com crianças assim, pois ali, naquela escola, eles não estavam preparados para lidar com o Renato. E também por que naquela escola eles não aceitavam alunos que repetissem o ano duas vezes, e o Renato não foi aprovado novamente...


José Renato é o pai do Bernardo e do Renato. Ele e a esposa, dona Sarita, já foram chamados algumas vezes à escola. O problema é que o sr. José Renato fica agressivo, perde o controle, não concorda com a escola e bota a culpa nas professoras e na falta de competência da escola. Segundo ele, seus filhos são crianças espertas e ativas, que nem ele era, quando tinha a mesma idade. Já dona Sarita fica muito preocupada com o futuro dos filhos e gostaria de levá-los a um médico para uma avaliação mas nem pensar – o sr. José Renato jamais aceitaria! E muitos anos se passaram com o casal brigando por isso e hoje a relação deles está tão desgastada que a dona Sarita está pedindo o divórcio, pois não agüenta mais o sr. José Renato.


III- A Beatriz, ou Bia, como ela é chamada, é uma linda menina na flor dos seus 8 anos, que é calma, tranqüila, e nem faz barulho na aula. Adora sentar-se junto à janela e ficar seguindo com o olhar o revoar das borboletas do jardim! A professora já percebeu que ela é muito distraída e que vive no mundo da lua. Nas provas, erra besteiras e até matérias que ela sabe, de tão desatenta que é! Quando acaba a aula, ela sempre esquece alguma coisa na escola. Sua cabecinha não se fixa ali, nos seus pertences. Já perdeu um monte de casacos e livros, entre outras coisas. Em casa, dois dias antes das provas, Bia estuda a matéria toda, e assim consegue tirar notas suficientes para passar. Mas outro dia foi um problema. Sua mãe pediu a ela que tirasse a tomada do ferro, pois ela ia atender ao telefone. Mas ao chegar lá, Bia se esqueceu o que tinha ido fazer. Logo depois, a casa toda estava uma fumaça só! Que perigo! Bia ficou de castigo um dia e meio, trancada no quarto e vai ficar uma semana sem ver o seu programa favorito de TV. Dona Dora, a mãe de Bia, é muito nervosa e fica com muita raiva, acha que ela faz de propósito, e dá vários apelidos a ela, como desmiolada, alienada, bêbada, destrambelhada, retardada, surda, etc. Bia apanha muito da mãe, e sofre com isso, e na escola teve uma piora muito grande na parte social. Não tem nenhuma amiga, fica sentada num canto durante todo o recreio, olhando para o vazio. Bia é negligenciada pelas crianças da escola, que já mandou vários bilhetes para a dona Dora, mas a Bia perde todos eles e ainda se esquece de avisar a mãe. A escola está preocupada, pois acham que Bia tem um quadro amotivacional e querem que seus pais a levem ao médico. O pai da Bia está pensando em mandá-la para um colégio interno bem rígido, para ver se ela toma jeito naquela “cabeça oca”. Os pais da Bia se sentem impotentes e se acham culpados por ela ser assim, e vivem brigando e se culpando mutuamente. O colégio interno seria uma maneira desses pais se livrarem do “problema-Bia” e ficarem menos angustiados. A presença da filha para esses pais é muito penosa, na medida em que eles não sabem lidar com tanta frustração.


Casos como esses, onde a situação pode se complicar tanto, poderíamos traçar um paralelo com famílias que “apanham no escuro”, sem sequer saber de que direção vem o “ataque” e muito menos como se defender,... muitas vivem “anos” apanhando no escuro, ...


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