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quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Tdah E As Falsas Amizades





É impressionante a quantidade de emails e comentários que recebo de adolescentes reclamando do isolamento, do retraimento e da dificuldade de fazer e manter as amizades, e mais ainda, conseguir namoradas ou namorados.
Mais do que na idade adulta, ser aceito pelo grupo é fundamental para os adolescentes. E a adolescência é um período muito cruel na vida de todos nós. É comum que o grupo realce as piores características de seus membros; seja a orelha de abano, o andar engraçado, a gagueira, ou o TDAH.
No nosso caso, o complexo de inferioridade torna essas gozações mais doloridas e humilhantes
Os portadores de TDAH reclamam que e os 'amigos' dão cortes e ridicularizam a dificuldade que muitos tem de manter o foco numa conversação.
É claro que cada caso é um caso, mas até hoje me perco nas conversas quando existem mais pessoas ao meu redor. Capto facilmente as conversas paralelas e se elas estão mais interessantes do que a conversa do meu interlocutor, embarco no papo do vizinho e, muitas vezes, deixo meu interlocutor falando sozinho.
O que fazer é a pergunta mais frequentemente feita no blog.
Avalie a real gravidade da situação, é realmente uma situação de agressividade e humilhação ou você está apenas criando tempestade em copo 'água?
Se a conclusão que você chegou é que o comportamento de seus amigos é real e agressivo troque seus amigos. Ninguém deve se submeter ao ridículo em troca de atenção, e falsa atenção, diga-se de passagem. Quem gosta não humilha, não ridiculariza.
Se seus 'amigos' te humilham, substitua-os por outros. Frequente novos ambientes, conheça novas pessoas, certamente você irá encontrar pessoas que gostem de você de verdade, que enxerguem tudo o que você tem de bom e não apenas sua dificuldade de se expressar ou de manter um foco permanente em uma conversa.
Não permita que o sentimento de inferioridade tão comum em nosso comportamento de TDAH o transforme em um ermitão, um sujeito entristecido enfurnado em casa por medo da reação das pessoas.
Você sabe que o TDAH nos deixa com esse sentimento de inferioridade, com essa sensação de que fazemos tudo errado e estamos sendo julgados- e reprovados - por todas as pessoas com quem interagimos.
Se você sabe disso, você pode reagir, você deve reagir. Não se afunde no medo, levante a cabeça e afaste - se daquelas pessoas que nao lhe fazem bem. Mude de ares, mude de vida, mude de amigos. Você é o dono de sua vida, de suas atitudes e decisões e cabe a você decidir se vai aceitar esse estado de coisas ou conviver com quem merece sua companhia.
Pare de aceitar qualquer coisa, tome as rédeas de sua vida e dirija-a ao infinito e além.

Ps.: pra coisa não ficar muito ruim pra você, mantenha seus olhos fixos em seu interlocutor, tente aparentar interesse pelo que ele fala, mesmo que seu pensamento esteja longe. Se sua mente escapar muito peça desculpas e retome o fio da meada, se você tem intimidade com a pessoa, compartilhe com ela sua viagem mental, pode ser até divertido.
Agora, se você fizer o tratamento corretamente, um dia essas estratégias podem fazer parte de suas memórias e você ainda vai rir muito delas.


http://www.dihitt.com.br/barra/o-tdah-e-as-falsas-amizades

terça-feira, 22 de maio de 2012

TDAH e felicidade...

 




Cada um encara alegria e felicidade de um modo diferente, mas acho que, vivendo todos dentro de um mesmo balaio de gato, chamado sociedade, temos mais ou menos as mesmas expectativas, ou pelo menos deveríamos ter, pra dançar conforme a música, certo? Errado!

Lembro que quando era pequena e obrigada a ficar horas a fio sentada na frente da lousa dentro de uma sala de aula entediante, onde as matérias desfilavam na minha frente sem chamar um pingo da minha atenção pra elas, passava muito desse tempo olhando para fora, pela janela. Observava as árvores que rodeavam as salas e percebia a sutileza de tons de verdes que a luz, dependendo da hora do dia, criava sobre as folhas. Imaginava um grande estojo de lápis de cor somente em tons verdes, vários deles, pra poder desenhar aquela maravilha que acontecia lá fora...

Tinha vontade de escrever sobre a vida dos pássaros que pousavam nos galhos, sobre o movimento dos carros na porta da escola, da buzina dos mais apressados, sobre o cabelo espetado da minha colega da frente, sobre o piso de madeira pesado que recobria todo o chão da sala.

Queria criar danças tribais em homenagens ao Deus Sol e a Deusa Lua, cantar a alegria de estar viva e cheia de idéias malucas na cabeça e contar estórias para os menores que eu, alegrando a imaginação deles com minhas peripécias circenses.

Tinha um monte vida dentro e fora de mim, latejante, pulsante, mas ela não seguia a direção que me impunham, não era domesticável, nem controlada. Isso me entristecia porque não fazer o que me era pedido sempre terminava em punição e castigo.

Hoje ainda sofro com esses mesmos impulsos infantis. Quero deixar o trabalho pra depois pra ficar brincando com papel, tecido, açúcar, ler, passear, dormir...

Tem dia que me permito um pouquinho de cada coisa, em outros controlo meu tempo pra dar conta da diversão e da obrigação também. Em outros sou rigorosa como uma mãe exigente e passo o dia todo cumprindo os deveres mais chatos e entediantes do mundo.

Mas acho que estou encontrando meu jeito de ser feliz e funcional ao mesmo tempo.

Independente de saber que minha hiperatividade é decorrente de uma série de distúrbios químicos e que minha dificuldade em me concentrar no que é realmente importante vem do meu vício por "substâncias do bem-estar", sou assim e isso nada vai mudar.

Já sei que num vai dar pra alegrar a todos, atingir metas e objetivos que a sociedade espera de mim, por exemplo. Ainda sofro por decepcionar pessoas queridas, como os meus filhos, não sendo uma mãe tão presente ou participativa como outras.

Mas prefiro deixar pra eles a proposta de uma vida coerente e livre de preconceitos, na busca contínua pela satisfação e alegria pessoal e, consequentemente de todos os que estão a minha volta.
 
 
 
http://eutenhotdaheagora.blogspot.com.br/2011/02/tdah-e-felicidade.html
 
 
 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Comorbidades



O termo "comorbidade" significa a presença de mais de um transtorno em um mesmo indivíduo num determinado período de tempo. A comorbidade do transtorno bipolar (TAB) com outros transtornos psiquiátricos é muito comum e se associa a um pior quadro e pior resposta ao tratamento.
Entre os transtornos psiquiátricos presentes na comorbidade com o transtorno bipolar, podemos ter:

  • Abuso ou dependência de Álcool e Substâncias,
  • Transtornos Ansiosos ou de Ansiedade,
  • TOC ( Transtorno Obssessivo Compulsivo ),
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),
  • Transtornos do Controle de Impulsos,
  • Transtornos Alimentares,
  • Transtornos de Personalidade
Em recente estudo sobre comorbidades em pacientes bipolares, feito em 2005 por Krishnan, foi encontrado em 50% à 70% dos pacientes com transtorno bipolar algum tipo de comorbidade psiquiátrica.

Das comorbidades citadas, uma eu conheço muito bem, pois convivo com ela há um bom tempo. Sou bipolar e me considero muito ansiosa, mas não tinha ideia do que é o transtorno de ansiedade até meu filho desenvolvê-lo em comorbidade com o transtorno bipolar.
Como o transtorno bipolar é mais incapacitante e de pior prognóstico, o tratamento medicamentoso é voltado prá ele, pois para o transtorno de ansiedade são indicados anti-depressivos, que se tomados por bipolares , estes terão virada maníaca. Assim para o tratamento do transtorno de ansiedade resta a terapia.
Posso compartilhar a terapia cognitiva comportamental, que ajudou a longo prazo, meu filho enfrentar suas fobias , inerentes do transtono de ansiedade.

Para terem ideia, no transtorno de ansiedade podemos ter :
  • Ansiedade de Separação,
  • Ansiedade Generalizada,
  • Fobia Específica,
  • Fobia Social,
  • Pânico,
  • Agorafobia
A ansiedade de separação vem por volta dos 7 anos de idade. Antes disso, meu filho ia prá escola e pedia prá eu voltar do portão pois "ele não queria pagar mico". Com 7 anos, ele estava na antiga 2ª série, e não teve quem o fizesse ficar na escola, ele se agarrava em mim, suava, tremia.
A ansiedade generalizada já é a preocupação excessiva com o que vai acontecer, esta já faz parte do meu curriculum, via de regra eu sofro por antecipação, acabo sofrendo 10 vezes pela mesma coisa.
As fobias são terríveis. Durante um tempo , ele tinha um medo excessivo que trazia sofrimento por determinadas figuras. Uma delas era uma pixação num muro em uma rua que dava acesso a minha casa, nós não podíamos passar por lá nem de carro, a pé então, ele travava e não entrava na rua, tínhamos que dar a volta no quarteirão. Foi muito gratificante, quando instruído pela psicóloga, ele conseguiu ir até o muro e dar uma banana prá ele.
O Pânico não tem desencadeante, estávamos bem em casa e de repente o coração dele disparava, ele suava frio, não conseguia respirar e precisava colocar a cabeça prá fora da janela do apartamento em busca de ar, também era terrível.
Agarofobia é o medo exagerado de ficar preso em algum lugar que seja difícil sair. Este ainda nos persegue, não podemos andar de metrô. Muitas vezes tive que sair correndo do trem, pois ele estava desesperado e aí vem também a taquicardia. Eu saía com ele e terminava o percurso de táxi.
Bem, geralmente e pro meu filho foi sempre assim, quando o transtorno bipolar se manifesta, principalmente em fase de mania, o transtorno de ansiedade cede. Assim , quando ele está maníaco, os medos somem ( nada mais lógico ) .
O que costuma ser mais estudado e mais conhecido é a relação entre ansiedade e depressão.

Todo o sofrimento nos leva à busca de informação e nos dá um aprendizado, devemos compartilhá-lo.

Fiquem com Deus!!!

domingo, 8 de abril de 2012

Comorbidades - o rabo do gato!

 


Gosto de pensar nas comorbidades assim, como o rabo de um gato. Até existe gato sem rabo, né? Mas é raro.

TDAH sem comorbidade é mais ou menos assim, raro demais.

Posso falar com mais propriedade das minhas comorbidades, mas sei que existem muitas e todas elas sugerem aquela velha charada: quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

Quem causa o que: as comorbidades aumentam os sintomas do TDAH ou o contrário?

Bom, venho de uma geração em que todos fomos podados pelos nossos pais e avós de maneira explícita. Não cooperava, apanhava e ponto.
É claro que os seres abençoados pelo TDAH encontram uma forma de se manifestar de qualquer jeito, mas imagino que seja aí que surgem as comorbidades, ou pelo menos algumas delas.

Outras já fazem parte do recurso mais simples usado pelo cérebro pra se adequar.
As síndromes entram um pouco aí, como recurso último usado pelo corpo pra manter a casa em ordem.

O que mais incomoda os TDAHs adulto são as comorbidades, ou pelo menos são elas que levam quase todos aos consultórios médicos atrás de uma solução para o seu caso.

Comigo foi assim. Durante anos percorri vários consultórios em busca de uma resposta pra enorme quantidade de problemas mentais que me atormentavam, mas a resposta correta só veio no ano passado.

Na década de 90 fui diagnosticada como maníaca depressiva, no início de 2000, recebi o diagnóstico de portadora de TOC e claustrofobia aguda também. Muita medicação incorreta depois, passaram-se quase 10 anos. E tudo só piorou.

No ínico do ano passado já num saia de casa graças a uma Síndrome do Pânico animal que quase me derrubou total. Parei de trabalhar, de dirigir, desenvolvi uma Fobia Social horrível, num conseguia mais escrever em público, atender telefone, suava o dia inteiro e quase num conseguia dormir.

Meu diagnóstico foi o seguinte:
Depressão Crônica (epa, nunca fui triste?!!)
Claustrofobia Aguda
Síndrome do Pânico
Fobia Social Avançada
TOC (transtorno obsessivo compulsivo)
TAG (transtorno de ansiedade generalizada)
Bipolaridade Leve

Gente, num é brincadeira não, ouvi isso tudo de médicos por meses.
A medicação fazia um excelente efeito, mas era só mudar a dose e tudo se complicava novamente.

Foi aí que passei numa consulta com um médico muito especial que, antenado com diagnósticos mais novos e modernos, sugeriu que talvez eu tivesse uma única causa pra tudo isso, o TDAH Adulto.

Fui encaminhada para uma Neurologista especializada que revirou minha vida atrás de respostas, me pediu exames que afastassem qualquer outra possibilidade e em pouco tempo estava medicada e realmente melhorando um pouco a cada dia.

Foi como acertar, pela primeira vez um tiro no alvo. As comorbidades ainda são tratadas, mas quase nunca tenho crises. Minha vida voltou ao normal, voltei a produzir, sair, dirigir tudo com a mesma alegria que tinha quando era criança, coisa que nem lembrava mais o que era.

Os sintomas do TDAH amenizaram um pouco, mas sei que o remédio não cura, ele é um paliativo pro dia a dia. Tenho que aprender a conviver com minhas limitações, me reeducar na medida do possível e entender essa máquina louca que carrego em cima do pescoço.

Descobri que minha criatividade é meu motor de combustão, que sem adrenalina eu não fico bem, mas que existem várias formas de me sentir bem sem fugir dos limites e padrões.

Os desafios estão ai para serem vencidos e tudo depende de nossa vontade e disciplina para superar as limitações iniciais ou desencanar dos objetivos que não nos caem bem.