CRIANÇAS FELIZES DEMAIS

.

CRIANÇAS FELIZES DEMAIS

.

Seguidores do Saber !

Seguidores

Direitos de Imagens

Direitos de Imagens
Toda imagem visualisada neste blog,São de origem do Google

.

Colabore Conosco clique em nossos anùncios. Obr.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

12 SINTOMAS DO TDAH EM ADULTOS.











Em uma postagem anterior, comentei que eu deveria escrever um manual de TDAH. Possuo praticamente todos os sintomas presentes em todos os testes. Alguns de forma mais moderada outros de maneira acentuadíssima. Pretendo narrar os principais sintomas que caracterizam ao transtorno e a mim também.
Gostaria de ressaltar que não sou médico ou psicólogo, o que narro aqui são minhas experiências de vida.

1) MEMÓRIA RUIM -  O esquecimento costuma ser a ponta do iceberg, o sintoma mais visível. Costumamos ser taxados de 'aéreos', 'distraídos'... Existem pessoas que esquecem objetos, datas, coisas do dia a dia. Eu não. Fui premiado com uma péssima memória para coisas importantes. Esqueço que marquei com um cliente, esqueço que assumi um compromisso com meu chefe, esqueço de pagar uma conta da empresa em que trabalho. Minha memória ruim ficou folclórica. Passei a assumir publicamente meu esquecimento. Meus funcionários me perguntavam: como você fala na cara do cliente que esqueceu? Mas esqueci mesmo. Mentir é pior, era minha resposta. A maioria das pessoas entendia, muitos clientes eu perdi.


2) PROCRASTINAÇÃO - Sem meias palavras, procrastinar é adiar as responsabilidades. É fugir do importante. O pior da procrastinação é que você adia a tarefa, o compromisso, mas ele te tortura. Você não o esquece mas não reúne forças suficientes para encará-lo. Em geral, trocamos a necessidade por um prazer efêmero, idiota, infantil. Já adiei tarefas importantes para assistir TV, ficar no computador...
A culpa martelando a cabeça, mas não fiz. Muitas vezes, a procrastinação cria situações insolúveis. Tive um funcionário, um senhor, excelente, de confiança absoluta. Mas um cara irascível, se indispunha com todo mundo. Muita gente me alertou: conversa com o seu fulano. Ele te escuta, ele vai melhorar, ele precisa do emprego. Repreender um funcionário é terrível, repreender um que é quinze anos mais velho do que você é muito pior. Resultado: adiei, adiei, adiei. Um dia, ele teve uma briga séria com um cliente. Demiti-o sumariamente. Perdi o funcionário, o cliente e ganhei um inimigo. Ele se achou injustiçado e me detesta até hoje.

3) ISOLAMENTO - Minhas filhas me puseram o apelido de "ZÉ BUSCAPÉ", o personagem de desenho animado que vivia enfurnado em seu sítio e atirava em quem fosse visitá-lo. A medida que os anos passam, vou ficando cada vez mais isolado, estou tomando antipatia de gente, horror de muita gente. Adoro estar sozinho, no máximo ao lado da minha família. No máximo! Meu comportamento anti social atingiu uma tal gravidade, que faltei a compromissos profissionais e sociais em que eu era protagonista. Minha empresa patrocinou eventos e cursos em que eu não compareci. Dei bolo. Fiquei em casa assistindo TV.

4) DIFICULDADE PARA TERMINAR O QUE COMEÇOU - Sou uma usina de novas idéias. E grande parte delas muito boas. Quando fechei minha empresa, um cliente veio me parabenizar por tudo o que fiz pelo setor em minha cidade. Segundo ele, o ramo mudou depois que abri minha empresa. Implantei idéias inovadoras, valorizei o conforto dos clientes e acima de tudo, valorizei os profissionais do ramo, que historicamente sempre foram relegados a um plano inferior no mercado local. Mal sabia ele que o que fiz, não foi sequer um terço do que havia planejado. Encontrei em fundos de armários uma série de projetos e ações inconclusas que eu sequer me lembrava de haver iniciado. Cursos, palestras, promoções, ações inovadoras que nunca saíram do papel. Muitas delas lindamente escritas, bem fundamentadas. Jamais viraram realidade. Uma dor profunda me atingiu ao rever aquilo. Teria minha empresa sido diferente se tudo aquilo tivesse virado realidade?

5) HUMOR VOLÚVEL - Este tópico é particularmente difícil de explicar. Meu humor varia de uma forma absurda. É tão automático que fica complicado tentar exemplificar. Deve ser muito difícil conviver com alguém assim. Em determinados dias, acordo melancólico, meio deprê. Ou ao longo do dia, um fato pequeno, desimportante, derruba meu ânimo. Fico silencioso, acabrunhado, me dá uma enorme vontade de deitar e ficar quietinho. Mas, da mesma forma que um fato menor arrasa, outro ainda menor é capaz de mudar as cores da minha vida. De um segundo para outro. A simples lembrança de algo, uma música, qualquer coisa que possa, ou não, estar relacionado com o fato gerador da tristeza. Ou pior ainda, posso lidar com situações limite mantendo a calma. Em outro dia, entro em erupção por nada, ou quase nada. E minha ira tem uma característica interessante, explodiu, acabou. Fica apenas a dor da vítima da minha fúria.

6) DESORGANIZAÇÃO - Já melhorei muito, mas muito mesmo. Apenas na superfície. Consigo manter minha casa razoalvelmente organizada, cumpro horários com relativa facilidade (relativa), aparento um grau normal de desorganização. O que não consigo organizar é MINHA VIDA. Essa é um caos. Não consigo estabelecer prioridades e se estabeleço não as cumpro. Não consigo cumprir nada que me exija acompanhamento regular, nada que se repita ao longo do tempo. Não consigo pagar minhas contas em dia. Vivo recebendo ameaças de corte no fornecimento da água, da luz, da tv, da internet...
Em minha falecida empresa, os funcionários aprenderam a conviver comigo. Eu estabelecia uma rotina de trabalho, cobrava durante um certo período, depois esquecia de cobrar. Aquilo caía no esquecimento e ninguém mais cumpria. Um caos.

7) INTOLERÂNCIA AOS LIMITES - Detesto limites, mesmo os legais. Quando me deparo com restrições que não aceito - e são muitas - monto verdadeiros debates em minha cabeça como forma de justificar minha não aceitação àquela regra. Exemplo: outro dia fui à Viçosa, cidade próxima a Juiz de Fora, em determinado ponto da estrada existe um posto de combustível fechado. Situado em uma das poucas retas da estrada, a existência do posto fez com que, naquele ponto, fosse proibida a ultrapassagem. Ultrapassei. Nenhum guarda viu, não fui apanhado. Mas, na minha cabeça comecei a elaborar minha defesa se fosse pego. Imaginei o policial emitindo a multa e eu explicando a ele que aquela faixa contínua não se justificava mais pois o posto estava desativado. E ele argumentando que se a faixa é contínua, não há o que se discutir, é a lei. Isso leva minutos. Quero por que quero, justificar minha transgressão. Isso vale para qualquer tipo de restrição. Ouvir um não é uma dor imensa, uma raiva desgraçada.Quando fui comprar minha primeira caixa de ritalina, havia uma pequena divergência na receita. O funcionário da primeira drogaria que entrei disse que não podia vender duas caixas, somente uma, e que precisava chamar o gerente para decidir. Arranquei a receita de suas mãos, disse alguns impropérios e fui a outra drogaria. Por sorte o funcionário não notou. A receita estava errada, assim como eu.

8) NÃO APRENDER COM ERROS - Isso é muito, muito difícil. Você repete os mesmos erros sempre. E não os reconhece quando os reencontra; somente quando obtém os mesmos desastrosos resultados. Vivemos em círculos, repetindo os erros e as dores por eles provocadas. Afetivamente, eu me comportei da mesma forma com minhas quatro ex-esposas. Isso mesmo, QUATRO. Agi da mesma maneira, magooei a todas elas e não consigo enxergar antecipadamente. Não antevejo a situação. Reconheço o estrago, mas aí já é tarde.

9) GERENCIAMENTO DO TEMPO - É duro, muito duro. Como disse acima, costumo cumprir meus horários. Mas a que custo, meu Deus. Programo mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou sempre acho que dá tempo de fazer mais alguma coisa. Isso gera um stress louco, uma correria que já me levou a atropelar pombos em duas ocasiões diferentes. Em ambas eu estava a mais de 100 km por hora em ruas urbanas, comuns. Dentro da cidade. Programei duas atividades com pessoas e em locais diferentes com um intervalo inexequível. Resultado: deixei duas pessoas insatisfeitas. A duras penas estou aprendendo.

10) NECESSIDADE DE NOVIDADE/ MUDANÇA - Preciso do novo. Preciso de mudança. E de preferência de vida. Arrisquei-me mais de uma vez ao mudar de cidade, de emprego de faculdade e de esposa ou namorada na vã ilusão de reduzir minha insatisfação pessoal. Nada me proporciona satisfação ou prazer a longo prazo. Preciso do novo. Da sensação de recomeçar. Da adrenalina da nova conquista. Do prazer do inusitado. E por que não, da perplexidade das pessoas que me cercam; da incredulidade de quem convive comigo. O problema é que são sentimentos vazios ou sustentado em pilares frágeis, incapazes de suportar o peso de tanta insatisfação. Então, vem uma nova mudança. Um novo começo, e o círculo se fecha para recomeçar amanhã.

11) CERTEZAS INCERTAS - Em um post anterior, abordei esta questão. Construo em minha mente cenários reais, situações concretas que jamais existiram ou se existiram aconteceram de forma diversa da que tenho em minha mente. Tenho certeza absoluta de certas afirmativas, brigo por elas. Para depois descobrir que estavam erradas. Em algumas ocasiões cheguei a crer que estava enlouquecendo. Vejo diante de mim situações inteiras, com minúcias, que estão erradas. Naquele post narro minha ida ao médico em que eu tinha a certeza absoluta do prédio e do consultório do médico. Jamais ele ocupou uma sala naquele prédio.
O contrário também acontece. Nego veementemente que disse ou fiz determinada coisa, para ser desmascarado logo depois e passar por mentiroso ou fingido. Aquele momento que nego, jamais existiu em minha vida. Não me lembro de haver passado por aquilo, de ter afirmado aquilo. Tudo se apagou de minha mente. Minha terceira esposa se exasperava com essa característica, mais de uma vez me mandou procurar um médico. Devia tê-la escutado; mas eu deveria estar pensando em outra coisa naquele momento.

12) SENTIMENTO DE INFERIORIDADE - Esse é um sentimento que me acompanha desde a adolescência. Lembro-me de não ter coragem de 'chegar' nas meninas mais bonitas por me char feio e acreditar que elas jamais aceitariam sair, ou mesmo dançar comigo. Conformava-me com as mais ou menos, ou as feiosinhas. Graças a Deus, tive mulheres bonitas em minha vida, mas foi por sorte ou por que elas deram muita chance. Jamais pleiteei algo maior em minha vida. Quando tentei, o fiz de maneira inábil e perdi. Isso só reforçou o sentimento de inferioridade. Aos vinte e um anos eu tinha um ótimo curriculum e excelentes perspectivas de vida. Após anos de escolhas erradas, medos infundados, tenho praticamente o mesmo curriculum e quase nenhuma perspectiva em termos materiais. Por medo de errar, medo de me expor, medo de descobrirem que eu não era capaz. Absoluta falta de auto confiança.

Parte deste artigo foi baseado no excelente artigo: POR QUE PERDEMOS O FOCO, no site www.tdah.org










http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2011/02/12-sintomas-do-tdah-em-adultos.html

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

TDAH, O TRATAMENTO NÃO É FÁCIL








Não, Simone; o tratamento do TDAH não é tão mágico quanto um par de óculos para quem é míope. Pelo menos no meu caso, mesmo o tratamento tendo mudado minha vida, ainda luto cotidianamente contra o TDAH e sua equipe de sabotadores. Creio, honestamente, que a idade em que fui diagnosticado - 50 anos - influi diretamente no resultado do tratamento.
Cinquenta anos de TDAH  não tratado criaram em minha personalidade defesas, artimanhas e comportamentos que não se apagam somente com o remédio. Eu precisaria (e preciso) de uma boa terapia, mas a grana não dá; me restam o blog e uma sistemática auto análise em todos os meus comportamentos. Praticamente tudo o que eu faço - e principalmente o que eu NÃO quero fazer - eu submeto a essa auto análise. É preciso fazer? É importante que seja feito? Se eu não fizer o que estarei perdendo? O que estou trocando por aquilo que deveria estar fazendo, vale a pena? Por exemplo: trabalho de uma forma bastante livre, tenho um netbook com acesso à internet à mão, se eu não me policiar acabo usando o net pra acessar o blog em lugar de trabalhar. Eu abasteço o Facebook da empresa de informações; e a vontade que dá de acessar o meu Face pra saber das novidades! Isso parece muito fácil pra quem não tem TDAH, nós temos nosso próprio cérebro como inimigo; ele nos alimenta de falsos prazeres imediatos, de desculpas para que façamos o prazeroso e não o necessário. Um comportamento quase infantil. E não é apenas nesse campo da vida que o TDAH atua; no relacionamento afetivo aquele jogo de sedução e conquista com outra mulher (ou outro homem) é plenamente justificado por nosso cérebro doente. Por mais que amemos nossos parceiros, nossa mente inunda-se de pensamentos negativos sobre nossos relacionamentos. As brigas, os defeitos, tudo isso surge diante de nossos olhos como a nos dizer: a pessoa que está diante de você não tem nenhum desses defeitos! Um estímulo ao prazer imediato alimentando o jogo da sedução.
Aí entra a auto análise de que falei; penso a médio e longo prazo. Vale a pena o risco ao meu relacionamento? Sou eu que quero manter esse jogo ou é a necessidade de prazer imediato do TDAH? Em 90% dos casos a culpa é da doença. Eu mudo meu rumo e sigo minha vida.
Acho quase impossível vencer o TDAH sem medicamento algum. A ritalina aumenta minha concentração, meu foco, minha disposição, minha memória. O resto é comigo e minha vontade de não repetir os mesmos erros. E confesso que caio muito, erro muito e repito muito dos erros passados; mas aprendi a me perdoar, a enxergar que tenho uma doença incurável e que, às vezes, parece invencível. Aí entra, de novo, o remédio; é ele quem me dá forças pra enfrentar e derrubar o que parecia invencível.
Estou me preparando para experimentar o Venvanse. Minha médica acredita que será muito melhor. Eu torço por isso, mas, se eu não me adaptar, não tem problema, volto pra minha ritinha, com ela, mais a força de recuperação que tenho, eu  enfrentarei o TDAH de novo.
Todos os dias da minha vida, se for preciso.


http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/
Imagem web Picassa

TDAHs DE MÃOS DADAS











Acabei de ler um comentário que mexeu comigo; minha amiga Isa parabenizou-me pelo estágio em que me encontro em meu tratamento.
Respondi a ela que não existem estágios, estamos todos numa gigantesca caminhada e precisamos uns dos outros para continuarmos a seguir em frente. Às vezes um de nós avança um pouco mais e esse avanço deve servir de estímulo aos que se atrasaram e, se for necessário, estender a mão àquele que caiu ou desanimou no curso dessa longa trajetória. Mais adiante, quem estava na dianteira pode escorregar e cair e precisará de quem o ajude a reerguer-se e, novamente, sentir-se motivado e com força suficiente para retomar o avanço.
Esse blog é a essência do que digo, os comentários que recebo servem-me de inspiração e estímulo, não somente para escrever novos posts mas também como combustível nessa jornada infindável de combate ao TDAH.
Não se iludam, nesse um ano e meio de tratamento e de blog tive momentos de desânimo e decepção ao ponto de um dia anunciar o fim do blog. E por que o blog não acabou? Por causa do enorme apoio e força que recebi de várias pessoas que eu não conheço pessoalmente, mas que fazem parte da minha vida, e conhecem-me tão bem, pois partilhamos as mesmas dores, as mesmas derrotas e por que não, as mesmas vitórias.
O tratamento do TDAH não pode ser solitário, sozinho é muito mais difícil, precisamos uns dos outros, preciso ouvir a opinião de vocês, as estratégias de vocês, as lutas e as conquistas de cada um de meus leitores e amigos pois através de vocês eu me fortaleço e ganho ânimo para manter o blog e o tratamento.
Não sou e nem tenho a pretensão de ser mais ou melhor do que ninguém; sou apenas um portador de TDAH mais escandaloso e barulhento do que a maioria e que está tentando usar o TDAH para melhorar a minha vida e a de quem se dispuser a caminhar ao meu lado.
Ainda procrastino, ainda tenho memória falha, explosões de fúria, inconstância, mas não me entrego; luto dia e noite contra cada um desses sintomas. Se não consigo combater um deles especificamente, vou atrás de outra estratégia mais eficiente do que a que adotei até aqui.
Comentei com o Caco que minha primeira estratégia para parar de fumar foi reconhecer a minha incapacidade de largar o vício sozinho. A partir do dia em que cheguei a essa conclusão, comecei a procurar  algo, ou alguém, que me ajudasse com essa empreitada. Sei lá por quanto tempo procurei algo em que eu acreditasse, até que um dia, sem querer, encontrei um anúncio no jornal de uns médicos que faziam aplicações de raio laser para parar de fumar. Fui lá, fiz as tais aplicações e parei de fumar há treze anos.
Não posso abrir mão da ritalina e muito menos do apoio da Dra. Valéria e da Luciana, com esse suporte tenho certeza de que vou conviver melhor com o TDAH. Até que um dia possamos derrotá-lo definitivamente.
Obrigado pela inspiração e o apoio, Isa.



http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2012/06/tdahs-de-maos-dadas.html

domingo, 28 de julho de 2013

Crianças e jovens com dificuldade TDAH




Pedro Assis Prudente Cerqueira de Morais, 14 anos, não perde o caminho da bola quando está no futebol. Com os games, da mesma forma: o garoto é fera e consegue terminá-los sem perder o foco. Na escola, entretanto, as coisas não são tão simples. A partir do sexto ano, seu rendimento foi caindo, a despeito do esforço. "Ele começou a ficar frustrado, porque esperava ter boas notas e não obtinha o resultado", lembra a mãe, a administradora Suelma Assis Prudente de Morais, 41.

Em uma ocasião, Pedro sofreu um tombo e Suelma achou melhor levá-lo a um neurologista. No consultório, diante dos exames, ouviu, estarrecida, uma descrição do filho. "Eram certos comportamentos do Pedro como, por exemplo, o de não apagar a luz quando saia do quarto ou mesmo o hábito de jogar as roupas no chão. Às vezes, pedíamos duas coisas e ele só fazia uma, se não enfatizássemos bastante o que queríamos. E o médico descreveu tudo isso."

O adolescente, à época com 12 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Déficite de Atenção com Hiperatividade (TDAH), problema cada vez mais comum no ambiente escolar, mas ainda pouco discutido entre os profissionais da educação. Para o pesquisador e professor de neurologia infantil da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Aucélio, os métodos pedagógicos atuais fazem com que crianças e adolescentes sejam exigidos além de sua capacidade etária.

No caso dos que possuem TDAH, essas exigências tornam mais evidente a necessidade de um tratamento, já que as dificuldades não tardam a aparecer. "Hoje, a informação chega muito mais rápido e com maior complexidade. A pessoa com déficite de atenção tem mais trabalho para processar essa quantidade de informação", afirma o pesquisador.

Para Cristiane, mãe de Linconl e Pedro, ambos portadores de TDAH, o fundamental é encarar o problema sem preconceitos: "É fácil demais culpá-los e ficar alheio depois"

O TDAH não é uma doença com diagnóstico simples. Segundo Aucélio, ela é uma enfermidade neurocomportamental, muitas vezes caracterizada pela hiperatividade (desejo de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e sem efetividade). Já o déficite de atenção é a dificuldade em se concentrar - aspecto que traz maior transtorno na escola. "E quando você tem a hiperatividade associada ao déficite de atenção, além de um prejuízo na escola, há um prejuízo social, já que pouca gente suporta ficar perto de uma criança hiperativa."

Suelma conta que o problema do filho não foi facilmente assimilado pela família, sobretudo pelo marido dela. Ocorre que o TDAH é muitas vezes confundido como uma forma de as crianças e os adolescentes escaparem das responsabilidades. "Porém, quando ele entendeu, deu total apoio e hoje temos a prova que um bom ambiente familiar é imprescindível", enfatiza.

A identificação precoce do transtorno tem a vantagem de poupar o paciente de maiores aborrecimentos na vida adulta. "Uma vez que você entende que isso está acontecendo dentro da sua casa, começa a observar na sua família pessoas que têm o traços do TDAH e que não foram tratadas quando jovens. Elas apresentam dificuldades tanto pessoais quanto profissionais de lidar com a vida", analisa a administradora. Pedro é enfático ao reconhecer o papel da mãe no combate ao mal: "É sempre importante que ela esteja do meu lado, em todos os momentos. Principalmente nesses que envovem a escola, porque ela me dá incentivo".

Para Cristiane Alves Rodrigues, 40 anos, mãe de dois adolescentes com TDAH, Linconl, 15, e Pedro, 13, a escolha acertada da escola se mostrou central para o controle da patologia. "Meus filhos têm dificuldades que os fazem precisar de um tratamento diferente, que nem todo ambiente escolar pode oferecer", desabafa. O segredo para a boa convivência com os sintomas, diz ela, é jamais colocar a culpa da situação nas crianças. "É muito fácil agir assim e ficar alheio ao que realmente acontece."

Carlos Aucélio frisa que o diagnóstico do TDAH trabalha com várias circunstâncias, dentro das quais a vida social, familiar e escolar da criança, o histórico acadêmico dela, além dos antecedentes patológicos na família. "Há toda uma rotina, com critérios adequados para a idade, para afirmarmos o que está acontecendo com ela." O médico explica que isso é necessário porque o TDAH pode ser um sintoma de outros problemas, como transtorno bipolar ou alfabetização inadequada.

Mais uma vez são os pais quem devem ficar atentos. Aucélio diz que o momento de ver o médico é quando a criança ou o adolescente passa a ter prejuízos sociais em decorrência dos sintomas. Segundo o pesquisador da UnB, embora o diagnóstico não caiba à escola, é preciso que os profissionais da educação estejam cientes da problemática e alertem os pais.

CORREIO BRAZILIENSE


http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2011/04/criancas-e-jovens-com-dificuldade-de-aprendizagem-podem-ter-tdah-3260266.html