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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)

             


Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. 

                      
   
                                      Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno

À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno. 


1. Agitação não é hiperatividade 


Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa. 


2. Só o médico dá o diagnóstico 


Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade. 


3. Nem todos precisam de remédio 


Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los. 


4. O diálogo com a família é essencial 


Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat. 


5. O professor pode ajudar (e muito) 



Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência.
 Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração.
 Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades.
 Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. 
Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. 
Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.



Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/transtorno-deficit-atencao-com-sem-hiperatividade-tdah-546797.shtml


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

12 SINTOMAS DO TDAH EM ADULTOS.











Em uma postagem anterior, comentei que eu deveria escrever um manual de TDAH. Possuo praticamente todos os sintomas presentes em todos os testes. Alguns de forma mais moderada outros de maneira acentuadíssima. Pretendo narrar os principais sintomas que caracterizam ao transtorno e a mim também.
Gostaria de ressaltar que não sou médico ou psicólogo, o que narro aqui são minhas experiências de vida.

1) MEMÓRIA RUIM -  O esquecimento costuma ser a ponta do iceberg, o sintoma mais visível. Costumamos ser taxados de 'aéreos', 'distraídos'... Existem pessoas que esquecem objetos, datas, coisas do dia a dia. Eu não. Fui premiado com uma péssima memória para coisas importantes. Esqueço que marquei com um cliente, esqueço que assumi um compromisso com meu chefe, esqueço de pagar uma conta da empresa em que trabalho. Minha memória ruim ficou folclórica. Passei a assumir publicamente meu esquecimento. Meus funcionários me perguntavam: como você fala na cara do cliente que esqueceu? Mas esqueci mesmo. Mentir é pior, era minha resposta. A maioria das pessoas entendia, muitos clientes eu perdi.


2) PROCRASTINAÇÃO - Sem meias palavras, procrastinar é adiar as responsabilidades. É fugir do importante. O pior da procrastinação é que você adia a tarefa, o compromisso, mas ele te tortura. Você não o esquece mas não reúne forças suficientes para encará-lo. Em geral, trocamos a necessidade por um prazer efêmero, idiota, infantil. Já adiei tarefas importantes para assistir TV, ficar no computador...
A culpa martelando a cabeça, mas não fiz. Muitas vezes, a procrastinação cria situações insolúveis. Tive um funcionário, um senhor, excelente, de confiança absoluta. Mas um cara irascível, se indispunha com todo mundo. Muita gente me alertou: conversa com o seu fulano. Ele te escuta, ele vai melhorar, ele precisa do emprego. Repreender um funcionário é terrível, repreender um que é quinze anos mais velho do que você é muito pior. Resultado: adiei, adiei, adiei. Um dia, ele teve uma briga séria com um cliente. Demiti-o sumariamente. Perdi o funcionário, o cliente e ganhei um inimigo. Ele se achou injustiçado e me detesta até hoje.

3) ISOLAMENTO - Minhas filhas me puseram o apelido de "ZÉ BUSCAPÉ", o personagem de desenho animado que vivia enfurnado em seu sítio e atirava em quem fosse visitá-lo. A medida que os anos passam, vou ficando cada vez mais isolado, estou tomando antipatia de gente, horror de muita gente. Adoro estar sozinho, no máximo ao lado da minha família. No máximo! Meu comportamento anti social atingiu uma tal gravidade, que faltei a compromissos profissionais e sociais em que eu era protagonista. Minha empresa patrocinou eventos e cursos em que eu não compareci. Dei bolo. Fiquei em casa assistindo TV.

4) DIFICULDADE PARA TERMINAR O QUE COMEÇOU - Sou uma usina de novas idéias. E grande parte delas muito boas. Quando fechei minha empresa, um cliente veio me parabenizar por tudo o que fiz pelo setor em minha cidade. Segundo ele, o ramo mudou depois que abri minha empresa. Implantei idéias inovadoras, valorizei o conforto dos clientes e acima de tudo, valorizei os profissionais do ramo, que historicamente sempre foram relegados a um plano inferior no mercado local. Mal sabia ele que o que fiz, não foi sequer um terço do que havia planejado. Encontrei em fundos de armários uma série de projetos e ações inconclusas que eu sequer me lembrava de haver iniciado. Cursos, palestras, promoções, ações inovadoras que nunca saíram do papel. Muitas delas lindamente escritas, bem fundamentadas. Jamais viraram realidade. Uma dor profunda me atingiu ao rever aquilo. Teria minha empresa sido diferente se tudo aquilo tivesse virado realidade?

5) HUMOR VOLÚVEL - Este tópico é particularmente difícil de explicar. Meu humor varia de uma forma absurda. É tão automático que fica complicado tentar exemplificar. Deve ser muito difícil conviver com alguém assim. Em determinados dias, acordo melancólico, meio deprê. Ou ao longo do dia, um fato pequeno, desimportante, derruba meu ânimo. Fico silencioso, acabrunhado, me dá uma enorme vontade de deitar e ficar quietinho. Mas, da mesma forma que um fato menor arrasa, outro ainda menor é capaz de mudar as cores da minha vida. De um segundo para outro. A simples lembrança de algo, uma música, qualquer coisa que possa, ou não, estar relacionado com o fato gerador da tristeza. Ou pior ainda, posso lidar com situações limite mantendo a calma. Em outro dia, entro em erupção por nada, ou quase nada. E minha ira tem uma característica interessante, explodiu, acabou. Fica apenas a dor da vítima da minha fúria.

6) DESORGANIZAÇÃO - Já melhorei muito, mas muito mesmo. Apenas na superfície. Consigo manter minha casa razoalvelmente organizada, cumpro horários com relativa facilidade (relativa), aparento um grau normal de desorganização. O que não consigo organizar é MINHA VIDA. Essa é um caos. Não consigo estabelecer prioridades e se estabeleço não as cumpro. Não consigo cumprir nada que me exija acompanhamento regular, nada que se repita ao longo do tempo. Não consigo pagar minhas contas em dia. Vivo recebendo ameaças de corte no fornecimento da água, da luz, da tv, da internet...
Em minha falecida empresa, os funcionários aprenderam a conviver comigo. Eu estabelecia uma rotina de trabalho, cobrava durante um certo período, depois esquecia de cobrar. Aquilo caía no esquecimento e ninguém mais cumpria. Um caos.

7) INTOLERÂNCIA AOS LIMITES - Detesto limites, mesmo os legais. Quando me deparo com restrições que não aceito - e são muitas - monto verdadeiros debates em minha cabeça como forma de justificar minha não aceitação àquela regra. Exemplo: outro dia fui à Viçosa, cidade próxima a Juiz de Fora, em determinado ponto da estrada existe um posto de combustível fechado. Situado em uma das poucas retas da estrada, a existência do posto fez com que, naquele ponto, fosse proibida a ultrapassagem. Ultrapassei. Nenhum guarda viu, não fui apanhado. Mas, na minha cabeça comecei a elaborar minha defesa se fosse pego. Imaginei o policial emitindo a multa e eu explicando a ele que aquela faixa contínua não se justificava mais pois o posto estava desativado. E ele argumentando que se a faixa é contínua, não há o que se discutir, é a lei. Isso leva minutos. Quero por que quero, justificar minha transgressão. Isso vale para qualquer tipo de restrição. Ouvir um não é uma dor imensa, uma raiva desgraçada.Quando fui comprar minha primeira caixa de ritalina, havia uma pequena divergência na receita. O funcionário da primeira drogaria que entrei disse que não podia vender duas caixas, somente uma, e que precisava chamar o gerente para decidir. Arranquei a receita de suas mãos, disse alguns impropérios e fui a outra drogaria. Por sorte o funcionário não notou. A receita estava errada, assim como eu.

8) NÃO APRENDER COM ERROS - Isso é muito, muito difícil. Você repete os mesmos erros sempre. E não os reconhece quando os reencontra; somente quando obtém os mesmos desastrosos resultados. Vivemos em círculos, repetindo os erros e as dores por eles provocadas. Afetivamente, eu me comportei da mesma forma com minhas quatro ex-esposas. Isso mesmo, QUATRO. Agi da mesma maneira, magooei a todas elas e não consigo enxergar antecipadamente. Não antevejo a situação. Reconheço o estrago, mas aí já é tarde.

9) GERENCIAMENTO DO TEMPO - É duro, muito duro. Como disse acima, costumo cumprir meus horários. Mas a que custo, meu Deus. Programo mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou sempre acho que dá tempo de fazer mais alguma coisa. Isso gera um stress louco, uma correria que já me levou a atropelar pombos em duas ocasiões diferentes. Em ambas eu estava a mais de 100 km por hora em ruas urbanas, comuns. Dentro da cidade. Programei duas atividades com pessoas e em locais diferentes com um intervalo inexequível. Resultado: deixei duas pessoas insatisfeitas. A duras penas estou aprendendo.

10) NECESSIDADE DE NOVIDADE/ MUDANÇA - Preciso do novo. Preciso de mudança. E de preferência de vida. Arrisquei-me mais de uma vez ao mudar de cidade, de emprego de faculdade e de esposa ou namorada na vã ilusão de reduzir minha insatisfação pessoal. Nada me proporciona satisfação ou prazer a longo prazo. Preciso do novo. Da sensação de recomeçar. Da adrenalina da nova conquista. Do prazer do inusitado. E por que não, da perplexidade das pessoas que me cercam; da incredulidade de quem convive comigo. O problema é que são sentimentos vazios ou sustentado em pilares frágeis, incapazes de suportar o peso de tanta insatisfação. Então, vem uma nova mudança. Um novo começo, e o círculo se fecha para recomeçar amanhã.

11) CERTEZAS INCERTAS - Em um post anterior, abordei esta questão. Construo em minha mente cenários reais, situações concretas que jamais existiram ou se existiram aconteceram de forma diversa da que tenho em minha mente. Tenho certeza absoluta de certas afirmativas, brigo por elas. Para depois descobrir que estavam erradas. Em algumas ocasiões cheguei a crer que estava enlouquecendo. Vejo diante de mim situações inteiras, com minúcias, que estão erradas. Naquele post narro minha ida ao médico em que eu tinha a certeza absoluta do prédio e do consultório do médico. Jamais ele ocupou uma sala naquele prédio.
O contrário também acontece. Nego veementemente que disse ou fiz determinada coisa, para ser desmascarado logo depois e passar por mentiroso ou fingido. Aquele momento que nego, jamais existiu em minha vida. Não me lembro de haver passado por aquilo, de ter afirmado aquilo. Tudo se apagou de minha mente. Minha terceira esposa se exasperava com essa característica, mais de uma vez me mandou procurar um médico. Devia tê-la escutado; mas eu deveria estar pensando em outra coisa naquele momento.

12) SENTIMENTO DE INFERIORIDADE - Esse é um sentimento que me acompanha desde a adolescência. Lembro-me de não ter coragem de 'chegar' nas meninas mais bonitas por me char feio e acreditar que elas jamais aceitariam sair, ou mesmo dançar comigo. Conformava-me com as mais ou menos, ou as feiosinhas. Graças a Deus, tive mulheres bonitas em minha vida, mas foi por sorte ou por que elas deram muita chance. Jamais pleiteei algo maior em minha vida. Quando tentei, o fiz de maneira inábil e perdi. Isso só reforçou o sentimento de inferioridade. Aos vinte e um anos eu tinha um ótimo curriculum e excelentes perspectivas de vida. Após anos de escolhas erradas, medos infundados, tenho praticamente o mesmo curriculum e quase nenhuma perspectiva em termos materiais. Por medo de errar, medo de me expor, medo de descobrirem que eu não era capaz. Absoluta falta de auto confiança.

Parte deste artigo foi baseado no excelente artigo: POR QUE PERDEMOS O FOCO, no site www.tdah.org










http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2011/02/12-sintomas-do-tdah-em-adultos.html

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

TDAH, O TRATAMENTO NÃO É FÁCIL








Não, Simone; o tratamento do TDAH não é tão mágico quanto um par de óculos para quem é míope. Pelo menos no meu caso, mesmo o tratamento tendo mudado minha vida, ainda luto cotidianamente contra o TDAH e sua equipe de sabotadores. Creio, honestamente, que a idade em que fui diagnosticado - 50 anos - influi diretamente no resultado do tratamento.
Cinquenta anos de TDAH  não tratado criaram em minha personalidade defesas, artimanhas e comportamentos que não se apagam somente com o remédio. Eu precisaria (e preciso) de uma boa terapia, mas a grana não dá; me restam o blog e uma sistemática auto análise em todos os meus comportamentos. Praticamente tudo o que eu faço - e principalmente o que eu NÃO quero fazer - eu submeto a essa auto análise. É preciso fazer? É importante que seja feito? Se eu não fizer o que estarei perdendo? O que estou trocando por aquilo que deveria estar fazendo, vale a pena? Por exemplo: trabalho de uma forma bastante livre, tenho um netbook com acesso à internet à mão, se eu não me policiar acabo usando o net pra acessar o blog em lugar de trabalhar. Eu abasteço o Facebook da empresa de informações; e a vontade que dá de acessar o meu Face pra saber das novidades! Isso parece muito fácil pra quem não tem TDAH, nós temos nosso próprio cérebro como inimigo; ele nos alimenta de falsos prazeres imediatos, de desculpas para que façamos o prazeroso e não o necessário. Um comportamento quase infantil. E não é apenas nesse campo da vida que o TDAH atua; no relacionamento afetivo aquele jogo de sedução e conquista com outra mulher (ou outro homem) é plenamente justificado por nosso cérebro doente. Por mais que amemos nossos parceiros, nossa mente inunda-se de pensamentos negativos sobre nossos relacionamentos. As brigas, os defeitos, tudo isso surge diante de nossos olhos como a nos dizer: a pessoa que está diante de você não tem nenhum desses defeitos! Um estímulo ao prazer imediato alimentando o jogo da sedução.
Aí entra a auto análise de que falei; penso a médio e longo prazo. Vale a pena o risco ao meu relacionamento? Sou eu que quero manter esse jogo ou é a necessidade de prazer imediato do TDAH? Em 90% dos casos a culpa é da doença. Eu mudo meu rumo e sigo minha vida.
Acho quase impossível vencer o TDAH sem medicamento algum. A ritalina aumenta minha concentração, meu foco, minha disposição, minha memória. O resto é comigo e minha vontade de não repetir os mesmos erros. E confesso que caio muito, erro muito e repito muito dos erros passados; mas aprendi a me perdoar, a enxergar que tenho uma doença incurável e que, às vezes, parece invencível. Aí entra, de novo, o remédio; é ele quem me dá forças pra enfrentar e derrubar o que parecia invencível.
Estou me preparando para experimentar o Venvanse. Minha médica acredita que será muito melhor. Eu torço por isso, mas, se eu não me adaptar, não tem problema, volto pra minha ritinha, com ela, mais a força de recuperação que tenho, eu  enfrentarei o TDAH de novo.
Todos os dias da minha vida, se for preciso.


http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/
Imagem web Picassa

TDAHs DE MÃOS DADAS











Acabei de ler um comentário que mexeu comigo; minha amiga Isa parabenizou-me pelo estágio em que me encontro em meu tratamento.
Respondi a ela que não existem estágios, estamos todos numa gigantesca caminhada e precisamos uns dos outros para continuarmos a seguir em frente. Às vezes um de nós avança um pouco mais e esse avanço deve servir de estímulo aos que se atrasaram e, se for necessário, estender a mão àquele que caiu ou desanimou no curso dessa longa trajetória. Mais adiante, quem estava na dianteira pode escorregar e cair e precisará de quem o ajude a reerguer-se e, novamente, sentir-se motivado e com força suficiente para retomar o avanço.
Esse blog é a essência do que digo, os comentários que recebo servem-me de inspiração e estímulo, não somente para escrever novos posts mas também como combustível nessa jornada infindável de combate ao TDAH.
Não se iludam, nesse um ano e meio de tratamento e de blog tive momentos de desânimo e decepção ao ponto de um dia anunciar o fim do blog. E por que o blog não acabou? Por causa do enorme apoio e força que recebi de várias pessoas que eu não conheço pessoalmente, mas que fazem parte da minha vida, e conhecem-me tão bem, pois partilhamos as mesmas dores, as mesmas derrotas e por que não, as mesmas vitórias.
O tratamento do TDAH não pode ser solitário, sozinho é muito mais difícil, precisamos uns dos outros, preciso ouvir a opinião de vocês, as estratégias de vocês, as lutas e as conquistas de cada um de meus leitores e amigos pois através de vocês eu me fortaleço e ganho ânimo para manter o blog e o tratamento.
Não sou e nem tenho a pretensão de ser mais ou melhor do que ninguém; sou apenas um portador de TDAH mais escandaloso e barulhento do que a maioria e que está tentando usar o TDAH para melhorar a minha vida e a de quem se dispuser a caminhar ao meu lado.
Ainda procrastino, ainda tenho memória falha, explosões de fúria, inconstância, mas não me entrego; luto dia e noite contra cada um desses sintomas. Se não consigo combater um deles especificamente, vou atrás de outra estratégia mais eficiente do que a que adotei até aqui.
Comentei com o Caco que minha primeira estratégia para parar de fumar foi reconhecer a minha incapacidade de largar o vício sozinho. A partir do dia em que cheguei a essa conclusão, comecei a procurar  algo, ou alguém, que me ajudasse com essa empreitada. Sei lá por quanto tempo procurei algo em que eu acreditasse, até que um dia, sem querer, encontrei um anúncio no jornal de uns médicos que faziam aplicações de raio laser para parar de fumar. Fui lá, fiz as tais aplicações e parei de fumar há treze anos.
Não posso abrir mão da ritalina e muito menos do apoio da Dra. Valéria e da Luciana, com esse suporte tenho certeza de que vou conviver melhor com o TDAH. Até que um dia possamos derrotá-lo definitivamente.
Obrigado pela inspiração e o apoio, Isa.



http://www.tdah-reconstruindoavida.com.br/2012/06/tdahs-de-maos-dadas.html