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terça-feira, 29 de julho de 2014

Qual é o segredo de um casamento TDAH saudável?

Algumas regras para discutir direito e para perdoar mais depressa (TDAH)

Qual é o segredo de um casamento TDAH saudável? Pode ser a maneira pela qual os casais se comunicam quando brigam - e com que rapidez eles perdoam e seguem em frente. 







Qual é o segredo de um casamento TDAH saudável? Pode ser a maneira pela qual os casais se comunicam quando brigam - e com que rapidez eles perdoam e seguem em frente. Por Melissa Orlov.

Todos os casais brigam. É parte do amor e do casamento. Mas nem todos os casais sabem como seguir em frente depois de uma briga - e os que sabem têm uma  grande vantagem e uma grande chance de felicidade duradoura.

O objetivo para todos os casais (especialmente os que têm TDAH) não é parar de brigar - isso vai acontecer - mas aprender como ter uma "briga boa".

O que a ciência diz

O especialista em relacionamentos, John Gottman, Ph.D., autor de The Seven Principles for Making Marriage Work (Os Sete Princípios Para Fazer o Casamento Funcionar), e seus colaboradores, fez um conjunto de pesquisas sobre relacionamentos saudáveis. Seu trabalho sugere que não é a frequência com que você briga que determina a durabilidade do seu relacionamento. São as ações que você adota quando você briga, e como você repara o dano depois, que prognosticam a estabilidade de um relacionamento.
Infelizmente, os relacionamentos TDAH têm as condições estabelecidas contra si mesmos. Por quê?

1- Casais atingidos pelo TDAH enfrentam mais altos e baixos do que outros casais.

2- As pesquisas recentes feitas com gêmeos sugerem que problemas da regulação emocional,  característica principal do déficit de atenção, são ligados geneticamente. Casais TDAH regularmente têm respostas emocionais desproporcionais em ocasiões inesperadas. Isso pode levar os parceiros, TDAH ou não TDAH, a se sentirem como se tivessem de pisar em ovos.

3- O parceiro não TDAH geralmente cai no hábito de criticar o parceiro TDAH, de estar sempre julgando, corrigindo e "educando" o parceiro a ser organizado, a prestar mais atenção, e coisas assim. O parceiro reclamante pensa que está fazendo uma base sólida para o relacionamento. Não está. Na maior parte do tempo os TDAHs vêem a crítica e as ordens como abuso verbal. Eles se sentem molestados e agredidos,como se ele não pudesse fazer nada direito. Sua resposta é atitude defensiva e a raiva.

Discussões versus "Brigas Boas"

Eu ouvi estas queixas de muitos portadores de TDAH ao longo dos anos: "Estou fazendo o melhor que posso para ficar calmo quando minha mulher, que não tem TDAH, fica pegando no meu pé  sempre pelas mesmas coisas, todo o tempo. Mas eu não consigo deixar de ficar bravo. Ela me provoca. Parece que brigamos o tempo todo. Depois que começamos, ela também fica muito brava... essas brigas estão me fazendo muito mal."
O marido parece precisar de um controle melhor dos sintomas para ser mais confiável, e sua mulher precisa ser mais respeitosa e simpática enquanto ele tenta atingir esse controle. Mesmo com essas mudanças, o casal ainda brigará de vez em quando. Aprender a ter uma "briga boa" - arejando discordâncias como parceiros iguais, em vez de atirar as diferenças na cara um do outro, ajudará. Gottman sugere algumas idéias para tirar a raiva das brigas:

1- Comece com uma queixa, não com uma crítica. "estou preocupado porque o lixo não está sendo removido regularmente" é uma queixa. "Você nunca remove o lixo como prometeu" é uma crítica. Queixas funcionam melhor; elas são mais respeitosas e não põem o ouvinte na defensiva tão rapidamente.

2- Comece de leve, ou por um tópico. Começos de leve mostram respeito para com a outra pessoa, por não fazer pressuposições. Geralmente incluem uma observação e focalizam em sentimentos. A seguir, um exemplo de um começo de leve: "Eu realmente senti sua falta. Nós não estamos ficando juntos o bastante nesses últimos dias". A versão ruim disso seria: "Você nunca presta atenção em mim!"

3- Seja respeitoso. Não importa quão difícil seja o assunto, ou quão bravo você esteja, seu parceiro sempre merece respeito. Não há justificativa para gritos ou depreciações. Trate seu parceiro como você gostaria de ser tratado.

4- Use palavras não ameaçadoras e não ameace seu parceiro. Se você ficar afogado pelas emoções e sentir que não vai aguentar, tente deixar seu parceiro sair da briga.

5- Use frases clarificadoras, tais como, "Se eu entendi corretamente, nós dois pensamos..."

6- Fale com calma. Isso é difícil quando as coisas são emocionais. Treinamento da prudência e respiração profunda ajudam.

7- Use ajudas verbais para atenuar suas interações. Em minha casa, se um de nós fica muito emocionado - acontece com nós dois - podemos usar uma ajuda verbal previamente combinada para sugerir que precisamos fazer uma pausa. Retomamos a conversa mais tarde.

8- Olhe seu parceiro nos olhos. Isso serve a dois propósitos: de comunicar eficazmente como você se sente e ssegurar que você tem a atenção do seu parceiro.

9- Procure as concordâncias. Você terá mais chance de se engajar construtivamente se focar nas similaridades e preocupações compartilhadas. Redirecione uma briga sobre a hora de dormir com "Sei que ambos estamos tentando achar o melhor equilíbrio entre sono suficiente e tempo com as crianças...", pondo ambos na mesma equipe de resolução de problemas.

10- Faça perguntas com o final aberto. As melhores brigas são conversas nas quais você discorda. Não dê aula ao seu parceiro. Em vez disso, convide-o para a conversa. "Você vê isso desse jeito?" ou "O que você pensa?". Isso pode ajudar. Ouça a resposta do seu parceiro.

11- Faça declarações afirmativas. Mesmo que você discorde do seu parceiro, você ainda assegurará que as opiniões dele serão ouvidas. "Entendo que você sente que eu deveria fazer mais tarefas, mas não estou seguro que eu tenha tempo suficiente. Precisamos falar mais sobre isso" é mais construtivo do que "Estou muito ocupado". Você pode não assumir mais tarefas, mas demonstrou que ouviu a queixa do seu parceiro.

12- Aceite a legitimidade das emoções negativas. Em vez de lutar contra emoções negativas, seja solidário ao seu parceiro. Isso é importante se o seu parceiro está sentindo aflição. Você deve estar pronto para seguir em frente, mas ajudará a cura do seu parceiro se responder com "Sinto muito que tenhamos passado por tudo isso. Tem sido difícil".

Se essas estratégias parecem óbvias, pergunte a si mesmo se você as está usando consistentemente. Provavelmente não. É necessário pensamento e prática para usar declarações afirmativas e fazer perguntas com final aberto quando estiver bravo. Não são somente as palavras, são as emoções envolvidas que contam.

Segure a inundação

Um cônjuge não TDAH me confidenciou: "É difícil para mim sair de perto durante uma briga. Sinto-me ignorada, como se ele não estivesse escutando. Quando ele fica bravo, pode ficar explosivo e fora de controle. Às vezes, quando tento sair de perto, ele está em tal grau de raiva que vai atrás. Quando saio de perto, ele espera que eu esqueça e não discuta o problema".

A raiva do marido é chamada de "flooding" (inundação). É uma resposta fisiológica ao sentimento de que você está em perigo ou com outra emoção extrema. As partes do cérebro necessárias para brigar se inundam de sangue e de oxigênio para um melhor desempenho. Infelizmente, eles são retirados de partes do cérebro que lidam com o pensamento lógico. Quando você está "inundado", você pode sentir que não deveria estar brigando, mas não consegue que as partes lógicas do cérebro o impeçam. Por essa razão, brigas sob "inundação" podem ameaçar um casamento ou um relacionamento. A melhor maneira de lidar com a "inundação" é concordar em ter uma muleta verbal para interromper a conversa antes que ela vá mais longe.

A importância da tranquilização

As pesquisas sugerem que saber como se recuperar de uma briga é uma habilidade crítica. Uma pessoa oferece uma dica para fazer as pazes, tal como um pedido de desculpas, enquanto a outra fica aberta a essa dica. Um parceiro deve aceitar de coração um pedido de desculpas do seu companheiro, em vez de erguer um muo e se recusar a aceitar as desculpas.
É difícil prever quais comportamentos de reparação funcionarão pra quais duplas. Humor em momento de estresse pode aumentar os problemas para alguns e pode aliviar as piores ofensas, para outros.

Uma vez, enquanto meu marido e eu estávamos brigando porque eu me choquei com o carro dele acidentalmente, ele tentou fazer as pazes me entregando um buquê de flores murchas tiradas do porta-malas, onde ele as havia esquecido. O gesto me desconcertou e terminou com a briga.
Flores mortas podem não funcionar para acalmar seu parceiro, mas eis aqui alguns ramos de oliveira que você pode oferecer:

1- Faça um pedido de desculpa.

2- Fale sobre reconsiderar o ponto de vista dele ("Eu não tinha pensado nisso desse modo").

3- Lembre seu parceiro de que vocês estão no mesmo time: "Se nós concordamos que é importante ir dormir às 10 horas, o que poderá nos ajudar a fazer isso?"

4- Demonstre apreço: "Amei quando você aceitou começar a fazer exercícios".

5- Generalize a conversa para encontrar pontos de vista em comum ("Podemos discordar nos detalhes, mas ao menos, finalmente, concordamos que as calhas precisam de conserto neste ano!")

Concorde em discordar

Além de tudo o que já foi dito, você precisa concordar em discordar. A pesquisa longitudinal feita com casais demonstrou que cerca de 70 por cento do que o casal discutia 10 anos atrás ainda está sendo discutido 10 anos mais tarde. Se 70 por cento das discordâncias não têm solução, faz sentido saber negociar uma trégua. Isso é chamado de "work around" (contornar).

Você não está sugerindo que seu parceiro resolva o problema. Em vez disso, você reconhece que a coisa sobre a qual vocês têm brigado não tem solução, e é do seu maior interesse lidar com ela de modo construtivo. Isso põe você de volta no mesmo time de amantes.


ADDitude
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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Alimente seu cérebro







Você sabia que comer muita comida "errada" pode realmente encolher as áreas do seu cérebro que tomam decisões? Adote estes hábitos alimentares que ajudam seu cérebro, recomendados pelo Dr Daniel G. Amen, para melhorar sua atenção, memória e humor, de modo natural. Por Daniel G. Amen.

Alimente seu cérebro

Alimento bom e saudável é remédio para o cérebro. Para pessoas com todos os tipos de TDAH, o alimento pode ter um efeito poderosamente positivo sobre a cognição, os sentimentos e o comportamento. A dieta correta pode até mesmo permitir que você diminua a dosagem de sua medicação, de acordo com seu médico. A dieta errada, por outro lado, pode ter um efeito de verdade muito negativo sobre os sintomas do TDAH.

Os benefícios de uma dieta saudável para o cérebro

Quando eu convenço meus pacientes a se alimentar com dieta saudável para o cérebro, eles notam melhor estabilidade do humor, atenção mais concentrada e mais resistência. Eles também relatam menos distração, menos cansaço ao final da manhã e da tarde. e menor desejo de substâncias açucaradas. Veja, aqui, algumas estratégias que eu uso em minha clínica para ajudar meus pacientes com TDAH a conquistar esses benefícios.

Qualidade em vez de quantidade

Escolha sempre alimentos de alta qualidade - e seja cuidadoso com as calorias. Graças, em parte, à impulsividade, o TDAH geralmente está associado à obesidade, que já foi demonstrada ser perigosa para o cérebro. Trocar uma torta de canela de 720 calorias por uma salada de 400 calorias feita de espinafre, salmão, mirtilos, maçãs, nozes e pimentão vermelho, aumentará muito suas energias e talvez o torne mais esperto. Em um estudo, macacos que comiam mais calorias do que necessitavam tiveram encolhimento nas áreas do cérebro importantes para a tomada de decisões.

Água, água, em todo lugar

Seu cérebro é 80% água. Qualquer coisa que o desidrate, tais como muita cafeína ou álcool, diminui seu pensamento e prejudica seu julgamento. Certifique-se de tomar muita água todos os dias. Para saber se você está bebendo água suficiente para seu cérebro, uma boa regra geral é consumir 2 litros diariamente.

Seja pró-ativo com as proteínas

As proteínas ajudam a equilibrar seus níveis de açúcar e a prestar atenção, alem de propiciar os blocos construtores para a saúde cerebral. Grandes fontes de proteínas incluem peixe, frango ou peru sem pele, feijão, castanhas e vegetais ricos em proteínas, tais como brócolis e espinafre. Proteína em pó também pode ser uma boa fonte, mas leia o rótulo para saber se o produto não é rico em açúcar. Comece o dia com proteínas para aumentar sua atenção e as habilidades de concentração.

Siga com carboidratos com pouco açúcar e muita fibra

Isso significa comer carboidratos que não promovam picos em seu nível de glicose sanguínea, e que são ricos em fibras, tais como vegetais e legumes, e frutas como mirtilos e maçãs. Maus carboidratos são desprovidos de qualquer valor nutricional, tal como o açúcar. O açúcar é inimigo do seu cérebro. o índice glicêmico classifica os carboidratos de acordo com seu efeito na glicose do sangue. Ingerir uma dieta cheia de alimentos com baixo índice glicêmico, que não vão provocar picos em sua glicose do sangue, abaixará os níveis de glicose, diminuirá o desejo por comida e ajudará seu foco.

Siga com as boas gorduras

As boas gorduras são essenciais para sua saúde. O peso seco (sem água) do seu cérebro é 60% gordura. Más gorduras, como tudo que contenha gordura trans, devem ser eliminadas. Centre sua dieta em gorduras boas, especialmente as que contenham ácidos graxos ômega 3, encontrados no salmão, sardinhas, abacate, nozes, linhaça, chia e vegetais de folha verde escuro.

Prato arco-íris

Ponha comidas naturais de várias cores em sua dieta. Inclua mirtilos, romãs, abóbora e pimentão vermelho. isso aumentará os níveis de antioxidantes no seu corpo e ajudará a manter seu cérebro jovem.

Tempere sua comida

Os estudos mostram que algumas ervas e temperos beneficiam o cérebro e a cognição. Cúrcuma, mostarda, açafrão da Índia podem diminuir as placas no cérebro que são tidas como responsáveis pela doença de Alzheimer. Extratos de açafrão foram eficientes como medicação antidepressiva no tratamento de pessoas com depressão maior. Alecrim, tomilho e sálvia ajudam a melhorar a memória. Canela ajuda a atenção e o fluxo sanguíneo. Alho e orégano aumentam o fluxo sanguíneo cerebral.

Você é o que você come

Assim, evite comida ruim. Coisas como pesticidas usados nos alimentos do comércio podem se acumular no seu cérebro e no seu corpo, embora o nível deles em cada alimento seja baixo. Coma alimentos cultivados organicamente ou cultive o que você puder, em casa. Evite carnes que possam conter hormônios e antibióticos. Evite alimentos com conservantes, preservantes, corantes e adoçantes artificiais. Isso significa que você precisa começar a ler os rótulos dos alimentos. Se você não souber o que aquele alimento contém, não o coma.

Jogue fora os alimentos problemáticos

Você sabia que o glúten faz mal para algumas pessoas? Há relatos científicos de pessoas cujos cérebros e estômagos ficam melhor quando elas eliminam o trigo e outras fontes de glúten (como cevada, centeio, espelta ou trigo vermelho, imitação de carne e molho de soja) de sua dieta. Crianças com TDAH e com autismo geralmente ficam melhor quando são postas em dietas que eliminam trigo, laticínios, alimentos industrializados, todas as formas de açúcar e de substitutos do açúcar, corantes e aditivos de alimentos. Há testes hematológicos que podem ajudar a determinar sua sensibilidade aos alimentos.


Daniel G. Amen - ADDitude

http://tdah-dourados.blogspot.com.br/

Os videogames favorecem ao TDAH






Os videogames favorecem a atenção das pessoas de idade


Uma investigação concluiu que o treinamento com videogames diminui a distração produzida por estímulos do ambiente, o que permite uma melhor atenção, em pessoas de idade avançada. O passo seguinte seria verificar se esses benefícios se mantêm ao longo do tempo e se podem ser extrapolados para as tarefas da vida diária.

Os autores utilizaram vários videogames da plataforma Lumosity em um grupo de 15 pessoas de idade, contra 12 pessoas que não foram treinadas com os videogames. Todos tinham idades compreendidas entre 57 e 77 anos e mostravam um envelhecimento normal. O treinamento consistia em um programa de 20 sessões, de uma hora de duração, distribuídas ao longo de 12 semanas. Quem não praticava com os videogames mantinha reuniões informais sobre diversos assuntos.

Depois do período de treinamento, ambos os grupos completaram a mesma prova. Cada participante devia responder o mais rapidamente possível se um número (de 1 a 8) apresentado em uma tela durante 200 milissegundos era par ou ímpar, pressionando o mais rápido possível uma ou outra tecla do computador. Imediatamente antes da aparição dos números, o indivíduo tinha de ignorar uma série de estímulos auditivos (frequentes ou raros) que soavam de vez em quando nos fones de ouvido.

As pessoas treinadas com o videogame se concentraram melhor nos estímulos visuais que tinham de classificar, em comparação com os participantes que não haviam treinado com os videogames, para concentrar sua atenção na informação relevante. Além disso, reduziram a distração produzida pelos sons irrelevantes, demonstrando uma capacidade maior de ignorar a estimulação acessória. Mais ainda, os idosos treinados com os jogos eletrônicos utilizaram o sinal auditivo como alerta para preparar-se para a ação de responder ao estímulo relevante.

Mayas J., Parmentier F. B., Andrés P., Ballesteros S.

Revista de Neurología, Barcelona, Espanha.

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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Flow, Engajamento, Hiperfoco e Missão







É engraçado como nosso aprendizado é totalmente influenciado pelo que já sabemos e pelas condições com as quais nos encontramos enquanto aprendemos. Esse post é sobre algo que eu conhecia e já fazia sentido no passado, mas após o diagnóstico do TDAH, as conexões interpretativas tornaram-se ainda mais evidentes.

O primeiro item trata-se do Flow (ou fluxo, em português), teoria proposta pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi. Citando a Wikipédia:
Flow é um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está fazendo, caracterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da atividade.
Ainda em 2011, ou no início de 2012, eu havia lido o livro "Flow: the psychology of optimal experience", em que Csikszentmihalyi (lê-se CHEEK-sent-me-hi-ee) aborda esse estado mental. Pessoalmente, eu já havia experimentado muitas vezes essa sensação e identificado o prazer de estar em alguma atividade imersiva na qual objetivo, habilidades e ambiente estavam alinhados. Estados de Flow são experiências únicas, onde se é imperador absoluto em uma pequena redoma de vidro onde há controle pleno sobre o processo. Você não sente, você é aquela atividade.

De acordo com Csikszentmihalyi, são características do estado de Flow (não precisando necessariamente estarem todos presentes):
Objetivos claros (expectativas e regras são discerníveis).
Concentração e foco (um alto grau de concentração em um limitado campo de atenção).
Perda do sentimento de auto-consciência.
Sensação de tempo distorcida.
Feedback direto e imediato (acertos e falhas no decurso da atividade são aparentes, podendo ser corrigidos se preciso).
Equilíbrio entre o nível de habilidade e de desafio (a atividade nunca é demasiadamento simples ou complicada).
A sensação de controle pessoal sobre a situação ou a atividade.
A atividade é em si recompensadora, não exigindo esforço algum.
Quando se encontram em estado de fluxo, as pessoas praticamente "se tornam parte da atividade" que estão praticando e a consciência é focada totalmente na atividade em si.
Acreditei, na época, que o livro era alguma forma de revelação pessoal. Ora, eu andava descontente com a vida, procurando novas atividades das quais pudesse extrair algum prazer, que preenchessem esse estranho vazio que eu sentia ao final do dia, mesmo quando trabalho, universidade e lazer tinham seus espaços nos meus dias. Lembro que refleti muito sobre quais atividades eu poderia realizar para estar em estado de Flow mais frequentemente. E aí, algum tempo depois, acabei esquecendo (ou abandonando, perdendo o interesse) e o Flow ficou lá, arquivado em algum pequeno espaço da minha memória, esperando o dia em que pudesse ser útil de alguma forma.

Diagnosticado com TDAH, um dos primeiros aprendizados foi que o termo Déficit não traduzia completamente o meu comportamento. Eu sempre fui capaz de me concentrar, e inclusive, algumas pessoas reconheciam em mim uma grande capacidade nisto. Acredito que Inconstância define muito melhor o que realmente ocorre. Para algumas atividades a concentração vinha em níveis sobrehumanos, em outras, eu era vitimado pela eterna espiral de pensamentos, tal qual um aparelho de televisão condenado a permanecer eternamente trocando de canais.

A minha capacidade de concentração, quando presente nestes níveis acima do normal, traduzem perfeitamente um comportamento TDAH, o Hiperfoco. Essa habilidade de concentração extrema em alguma atividade e a posterior relutância quando necessário alternar para outras tarefas me perseguiram pela vida toda. É como um navegador que passa a vida toda procurando por pequenos portos onde possa atracar, e ao encontrá-los, encontra em si forte resistência em partir novamente. Eu juro que ficaria em algum desses portos, se me fosse possível.

Tendo lido muito sobre essa condição nos últimos dias, um ponto é recorrente entre psicólogos, psiquiatras e coaches: TDAHs são movidos pelo Interesse. Somente quando há interesse genuíno em algum assunto, essas pessoas conseguem dedicar toda a sua atenção e aplicar suas habilidades, por escolha própria, em uma determinada atividade. Neste cenário, TDAHs estão livres das amarras de um universo que não os compreende, prontos para utilizar sua criatividade máxima, seu tempo e dedicação por vezes insana em prol de um objetivo.

Esse comportamento tem nome. E coincidentemente, no mês de março, eu precisei fazer uma pesquisa sobre, aplicado ao ambiente corporativo. Chama-se Engajamento. Olhe que interessante as conclusões que eu havia chegado sobre o tema, três meses antes do diagnóstico:

Engajamento é:
- como as pessoas se sentem sobre o que elas fazem
- a medida em que uma pessoa escolhe aplicar seu talento, energia e atenção sem medir esforços
- é o compromisso emocional que os colaboradores tem com a organização e seus objetivos
- esforço voluntário
- livrar-se de barreiras á produtividade
       
Colaboradores precisam de Vontade:
- o senso de missão, paixão e orgulho que o farão esforçar-se voluntariamente á entregar mais.

Flow, Engajamento e Hiperfoco. Eles já estavam por aí, rondando de algum modo minha existência, escondendo-se entre pequenas lascas de verdades, peças de um quebra-cabeças que só agora começo a conseguir montar.
O desafio, como nunca antes, é descobrir quais são as atividades que me interessam, o quê me motiva. É descobrir a minha Missão, o que me move.
Era uma vez um homem perseguido pela sua sombra, que o impedia de encontrar seu grande amor.
Tal homem, atormentado pela sombra, resolveu começar a correr dela.
 Certa vez, este homem ficou preso entre a sombra e um alto muro.
Temendo à sombra, em um impulso sobrehumano, o homem saltou o alto muro.
 Caído do outro lado, impactado pela alta queda, uma jovem e bela moça veio ao seu encontro prestar-lhe socorros.
 O pobre homem, atormentado durante uma vida, encontrara seu amor.
Eu encontrei a minha sombra e há muito corro dela.
Aguardo agora, ansiosamente, perceber quais são os muros que me separam daquilo que há muito desejo: ser feliz.

II:

O que é hiperfoco? É a habilidade natural dos portadores de TDAH de bloquear todas as distrações e de se concentrar completamente até que a tarefa esteja terminada. Siga as dicas desses especialistas para desfrutar dos benefícios do hiperfoco e para fazer mais coisas com o TDAH do adulto. Pelos editores de ADDitude.

O reverso da distração.

Não é nenhum segredo que os portadores de TDAH têm dificuldade para manter a atenção nas coisas que eles acham chatas. Mas o inverso também é verdadeiro: Nós podemos prestar atenção tão intensamente (focar) em coisas que realmente nos interessam, que ficamos indiferentes ao mundo que nos cerca, por longos períodos de tempo. Esse sintoma comum do TDAH é chamado de hiperfoco, e pode ser um benefício se aprendermos a dirigir nossa atenção de modo produtivo. Leia adiante dicas sobre como fazer isso.

1- O hiperfoco explicado

Do mesmo modo que a distração, o hiperfoco é tido como o resultado de níveis anormalmente baixos de dopamina, um neurotransmissor que é particularmente ativo nos lobos frontais do cérebro. Essa deficiência de dopamina torna difícil "mudar as marchas" para iniciar tarefas chatas porém necessárias.

2- Recompensas instantâneas

Dr. Russel Barkley, Ph.D., famoso especialista em TDAH, diz que "Crianças e adultos com TDAH têm dificuldade de mudar a atenção de uma coisa para outra. Se estão fazendo algo de que gostem ou que achem psicologicamente recompensador, tenderão a permanecer nesse comportamento até muito depois que outras pessoas normalmente já teriam mudado para outras coisas. Os cérebros das pessoas com TDAH são movidos por atividades que dão feedbacks (retornos positivos) imediatos".

3- Quando o hiperfoco é problemático

O foco desenfreado pode ser uma ruindade. Deixado sem controle, pode levar a horas perdidas online, ao fracasso escolar, à baixa
produtividade no trabalho, e a relacionamentos tensos com amigos e em casa. Finalmente, a melhor maneira de lidar com o hiperfoco é não brigar com ele, mas enfrentá-lo.

4- Estabeleça prioridades cuidadosamente

Uma maneira de fazer o hiperfoco trabalhar a seu favor é organizar estrategicamente sua lista de coisas a fazer. Cuide bem das tarefas que sejam sempre importantes (marcar ou confirmar uma reunião, ir buscar seu filho etc.) antes de iniciar um trabalho que você sabe que vai comandar toda sua atenção.

5- Programe um despertador

Para ter mais controle sobre seu hiperfoco, decida, antes do início, quanto tempo você terá de ficar imerso em um trabalho. Então, ajuste um alarme, despertador ou timer de cozinha para tocar quando for a hora de parar.

6- Monte um sistema de apoio

Peça a um membro da família ou a um amigo para ajudá-lo a ficar no controle do seu hiperfoco - quer seja uma ajuda (lembrá-lo de que sua família sentirá sua falta quando você ficar absorvido em um trabalho em casa) ou um gesto (colocar uma mão no seu ombro ou  entre você e a tela do computador, quando você estiver lá já por horas).

7- Estabeleça metas para si mesmo

O hiperfoco tem maior probabilidade de ocorrer quando você estiver engajado em tarefas que sejam desafiadoras, que sejam importantes para você, e nas quais você pode fazer progressos. Tire vantagem disso! Se você tiver uma meta que esteja de acordo com algo que o deixe excitado, você terá mais chance de ficar ligado à tarefa e de terminar o trabalho.

8- Abra-se com os outros


Fale com sua mulher (ou marido) ou outra pessoa importante sobre o hiperfoco. Explique que é parte do seu TDAH e que você não pode ligar e desligar quando quiser. Assegure à sua mulher (ou marido) que seu foco em outras coisas que não ela (ou ele) não é o reflexo do seu interesse nela (ou nele) ou do seu amor por ela (ou ele).

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