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sábado, 26 de abril de 2014

TDAH:Procrastinacao nos estudantes




 Sete modos rápidos para resolver ataques de fúria no TDAH.
Nada pode fazer um pai sentir-se mais impotente do que uma criança com TDAH em uma crise de fúria. As lágrimas, a irracionalidade, os membros agitados? Não, não estou falando sobre o pai, mas sobre a criança.

Quando uma criança tem uma crise de fúria em público, os pais se sentem como fracassos – deveríamos ser capazes de controlar nosso filho, certo? Vemos a crítica nos olhos dos outros pais, e nos ofendemos com as sugestões bondosas dos passantes que são bem intencionados, mas que não sabem nada sobre o TDAH.
Mantenha a calma e a compostura. Geralmente as crianças com TDAH são impulsivas e não conseguem controlar seu comportamento. Crises de fúria não dizem nada sobre a sua capacidade de ser pai, porém o que elas refletem é a natureza do TDAH.
Então, o que fazer quando seu filho tiver uma crise de birra numa loja de departamentos ou à mesa da cozinha? Previna-se com alguns modos rápidos de solução. Eu ofereço meus sete favoritos.
Solução 1: Combine um plano
Antes de ir ao setor de doces ou ao de videogame, pergunte ao seu filho o que o acalmaria se ele ficasse irritado. Se ele tiver de fato uma crise, você terá um plano, porque ele já lhe disse o que fazer. Saber do plano deve garantir muito bem que seu filho irá cooperar para que você o utilize.
Solução 2: Entenda a angústia dele
Deixe que ele saiba que você entende o que ele está passando. Com voz calma, fale a seu filho, “Eu sei que você está desapontado porque não achou o brinquedo que queria” ou “Sei que você está bravo porque seus amigos não o convidaram para brincar”. Então, peça a seu filho que dê uma nota para seu desapontamento em uma escala de 1 a 10. Isto lhe dará uma ideia da gravidade do problema, sem ter que reclamar ou repetir o que você diz.
Solução 3: Abra o jogo
Explique a ele que o relógio está andando. Você pode dizer, “Vejamos quanto você demora em se acalmar, então poderemos continuar a aproveitar o resto do nosso dia” ou “Mesmo estando bravo, você precisa se controlar, então poderemos continuar a fazer as compras”.
Solução 4: Afaste a emoção
Peça a seu filho que imagine que há uma lamparina pintada na palma da sua mão. Então, faça com que ele segure a mão com a palma para cima, na frente do rosto, e peça a ele que apague com um sopro a chama imaginária. Uma respiração profunda controla uma criança fora de controle. Uma alternativa: Mantenha uma bexiga ou duas em sua bolsa e peça a ele que as encha, soprando.
Solução 5:
Se você estiver em casa durante uma crise de fúria, peça a seu filho que bata num travesseiro, numa almofada, ou em outro objeto macio e seguro. Brigas de travesseiros, rasgar jornal velho ou apertar uma bola podem acabar com uma crise de fúria.
Solução 6: Aperte o botão certo
Peça a seu filho que finja estar segurando um controle remoto em suas mãos. Peça a ele que aperte o botão que desliga suas emoções.
Solução 7: Peça ajuda
Se o seu filho tem frequentes crises de fúria que não respondem às intervenções, não espere até que sua paciência termine. Trabalhe com um profissional em TDAH para melhorar as chances de evitar essas crises.
Dica de leitores:
“Deixe que seu filho saiba que você o ama, não o comportamento dele. É importante fazer esta distinção. Eu abraço minha filha e a seguro no colo durante uma crise de fúria, garantindo a ela que ela está em segurança. Sua raiva geralmente diminui e se reduz a soluços toleráveis enquanto ela está abraçada a mim.”



Por Michele Novotni, Ph.D.

http://tdah-dourados.blogspot.com.br/2011/09/141-tdah-procrastinacao-nos-estudantes.html

sábado, 15 de março de 2014

Verdades e mitos sobre o TDAH










Foi numa aula de psicologia cognitivo-comportamental que comecei a desconfiar que o TDAH me acompanhava desde a infância. Ao falar sobre o transtorno, a professora parecia estar descrevendo minha vida. Ao mesmo tempo que tal suspeita me provocou uma certa apreensão, saber que todas as minhas peripécias tinham um nome me deu um certo alívio.

Sempre soube que havia algo errado comigo, mas jamais atribuí o problema a um determinado transtorno, vivia acreditando que meus comportamentos se davam por pura falta de comprometimento com as tarefas que realizava, relaxo, preguiça e coisas do tipo. Na família ganhava apelidos como "pancada" o qual perdura até os dias de hoje, na escola, as professoras diziam que eu era muito inteligente, porém muito desatenta, e dessa maneira, tinha um desempenho satisfatório porém aquém do esperado, o que, de certa forma, contribuiu para que ninguém levantasse a suspeita da ocorrência de um transtorno, pois nunca tive dificuldades para alcançar a média. E acredito que essa possa ser a biografia de muitas pessoas que identificam em si múltiplas capacidades, porém parecem sempre estar se auto sabotando.

Desde então, venho frequentando cursos, palestras e lendo várias publicações científicas a cerca do tema e atualmente fazendo uma especialização em neuropsicologia na USP.

Hoje, com mais experiência no assunto, posso afirmar que toda essa divulgação que a mídia vem fazendo a respeito do excesso de diagnóstico desse transtorno é tão grave quanto a ausência do mesmo. Pois a mídia, principalmente a televisiva, tem um papel fundamental na construção da subjetividade da grande maioria da população, e essa se encontra aterrorizada com todas essas publicações. Acredito até que haja alguns diagnósticos equivocados, porém não menos grave é a população, que por influência de uma mídia irresponsável, está deixando de buscar o tratamento adequado que, em muitos casos, prevê uma implementação medicamentosa.

Dessa maneira, sinto-me na obrigação de fazer esse alerta, uma vez que passei muitos anos da minha vida sem esse diagnóstico que foi de suma importância para que hoje eu pudesse seguir na minha profissão com sucesso.

Sendo assim, faz-se importante a busca por profissionais capacitados para o fechamento desse diagnóstico que deve se dar de modo multidisciplinar, afim de evitar equívocos e ter uma orientação adequada de como conduzir.

Texto por Viviane Cornachini

http://www.tdah.net.br/

Sintomas frequentemente confundidos com irresponsabilidade.




Sintomas frequentemente confundidos com irresponsabilidade.

Antes de mais nada gostaria de elucidar que o que me motivou a escrever essas linhas foram os frequentes relatos de pacientes portadores de TDAH que diziam se sentir irresponsáveis perante a família, o trabalho ou a vida acadêmica.

Embora os comportamentos relatados por essas pessoas sejam iguais ou muito semelhantes aos dos tidos "irresponsáveis", o que motiva os referidos comportamentos é de ordem completamente adversa.

Uma vez que o TDAH é concebido como um transtorno de origem neurobiológica que se caracteriza por uma desregulação nos sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos e que esses são responsáveis pelo controle da atenção, organização, planejamento, motivação, cognição, atividade motora, funções executivas e sistema emocional de recompensa, todos os comportamentos, que embora muito se assemelhem com os comportamentos de um "irresponsável", acontecem a revelia do querer dessas pessoas, e o que é pior, acontecem sob a luz de seus próprios julgamentos, pois muitas vezes condenam e julgam ações semelhantes.

Agora falaremos um pouco sobre as pessoas tidas como "irresponsáveis"; são pessoas que geralmente provém de uma educação inadequada onde os valores e a ética frequentemente são deturpados. Comportamentos como: atrasar contas e procrastinar tarefas são adotados de forma "consciente", ou seja, a pessoa decide por agir dessa maneira.

Embora a motivação e o nível de consciência da ação sejam diferentes, o resultado, a grosso modo, é o mesmo, o que torna a vida dessas pessoas ainda mais difícil, pois além de desaprovarem seu próprio comportamento, são julgados o tempo inteiro como se fossem realmente irresponsáveis.

Sendo assim, se faz importante a busca pelo tratamento, que não dá conta de curar o transtorno, mas auxilia o indivíduo no desenvolvimento de estratégias para lidar com essa condição de forma a minimizar esses comportamentos tão indesejáveis.

Um indivíduo pode viver a vida inteira se auto-depreciando e pagando um preço muito alto pela ausência de informação e de tratamento, por isso, se você se identifica com as descritas situações, busque a ajuda de um profissional.

Texto por Viviane Cornachini
http://www.tdah.net.br/
Imagem google

domingo, 9 de março de 2014

COMO AJUDAR O ALUNO COM TDAH


Ele é impaciente, não presta atenção, não segue instruções, é esquecido e ainda contamina toda a classe com sua impulsividade. Reconheceu esses sintomas em alguns de seus alunos? Pode ser que ele seja um portador do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ou não.

O diagnóstico não é tão simples e deve ser feito por um médico. O TDAH é uma das doenças psiquiátricas mais comuns na infância e frequentemente persiste até a idade adulta. A prevalência do transtorno é de aproximadamente 5,29% na população, segundo estudos, com predomínio no sexo masculino. De acordo com o médico psiquiatra Carlos Renato Moreira Maia, pesquisador do Programa de Déficit de Atenção e Hiperatividade (ProDAH) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o TDAH é caracterizado por sintomas de falta de atenção e/ou hiperatividade e impulsividade , que causam prejuízos ao indivíduo em ao menos dois ambientes – em casa e na escola, por exemplo.

Maia explica que o diagnóstico do transtorno é clínico, ou seja, é baseado na descrição dos sintomas relatados pelo indivíduo, seus pais ou outras pessoas de seu convívio, professores e educadores. “Conforme o Manual de Diagnóstico e Estatística – IV Edição (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria, são necessários seis sintomas de desatenção e/ou seis sintomas de hiperatividade/impulsividade. Para que se estabeleça o diagnóstico de TDAH, esses sintomas devem ser mais frequentes e severos do que o esperado para a faixa etária do indivíduo”, observa o médico, mestre e doutorando em Psiquiatria e especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência.

Além disso, continua Maia, é necessário que tais sintomas estejam presentes antes dos 7 anos de idade, causando prejuízo à criança em dois ou mais ambientes, e que não sejam justificados por algum outro transtorno mental. “É importante destacar que não existem exames que estabeleçam o diagnóstico, como exames de sangue, imagem ou eletroencefalograma”, completa.

Maia também alerta que, por se tratar de uma doença, o diagnóstico só pode ser feito por um médico, preferencialmente com experiência em TDAH (psiquiatra da Infância e Adolescência, neurologista infantil ou pediatra). “Existem outras doenças psiquiátricas com sintomas semelhantes ao TDAH, mas somente profissionais experientes conseguem fazer o diagnóstico diferencial”, adverte.

Frente a um problema tão complexo, como o professor deve agir? O psicólogo Ronaldo Ferreira Ramos, diretor executivo da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), ressalta que o professor é um dos primeiros a identificar o comportamento diferenciado da criança. “Geralmente é na escola que as crianças com TDAH apresentam os primeiros sintomas do transtorno, porque têm que ficar sentadas, obedecer a regras, se concentrar”, comenta. E orienta que a primeira coisa a ser feita nesses casos é chamar os pais para conversar e sugerir que busquem ajuda de um especialista.

Ainda segundo Ramos, assim que a criança for diagnosticada deve ter início um acompanhamento multidisciplinar que, na opinião dele, pode contar com um terapeuta, um psiquiatra infantil ou outro médico conforme a necessidade. “A partir do momento que é iniciado o tratamento, a melhora na escola e na vida social da criança é visível”, enfatiza, elencando entre os benefícios obtidos a melhora na autoestima, na socialização e na concentração.

Na escola

Para Bárbara Delpretto, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), educadora especial e Mestre em Educação, o professor pode e deve realizar uma avaliação “enquanto processo e ato que permite valorizar se há o acesso aos saberes culturais por parte do aluno, e que estão na base da aprendizagem escolar. Neste sentido, falamos de avaliações distintas, realizadas por diferentes profissionais”.

Para que o professor possa realmente ajudar esse aluno, primeiramente deve procurar se informar sobre as características do TDAH. “É a partir deste conhecimento que há a possibilidade de ajustamento dos métodos e da temporalidade das atividades escolares, tornando-as mais acessíveis”, explica Bárbara. Após o conhecimento inicial dessa necessidade especial, ela recomenda que o professor registre o comportamento do aluno no horário de aula quanto à irritabilidade, à inquietude e à agitação. E acrescenta: “se o aluno demonstra conhecer o conteúdo, mas não consegue terminar todas as atividades devido a algumas destas características observadas frequentemente, é possível que haja a perda da atenção por fatores não somente ambientais. O déficit de atenção/hiperatividade é um quadro psicopatológico complexo e que afeta todo o desenvolvimento psicoemocional, cognitivo e social do sujeito, e por esta razão, a intervenção junto a ele deve ocorrer em diversas dimensões”.

O psiquiatra Carlos Maia ressalta que os docentes devem estar cientes de que são pessoas importantíssimas nesse processo. “Os professores têm a oportunidade de detectar as alterações no comportamento da criança, quando comparada a outros indivíduos da mesma faixa etária”, considera.

O médico também salienta que, em uma sala com aproximadamente 30 alunos ou mais, os que apresentam TDAH não são somente aqueles com comportamento mais hiperativo, mas também aquelas crianças quietas e pouco participativas, que muitas vezes não são percebidas até que apresentem importantes dificuldades escolares.

Ele reforça que o TDAH é uma doença, e não um problema de caráter ou personalidade: “o comportamento hiperativo/impulsivo não é proposital, e melhora significativamente com o tratamento adequado. Ao perceberem uma criança com características compatíveis com TDAH devem pedir aos pais que providenciem uma avaliação psiquiátrica adequada. A observação dos professores poderá ser fundamental para o futuro dessas crianças”.

Rotina escolar

O presidente da ABDA acredita que a escola – e também a família – precisa estar preparada para lidar com essas crianças. “Os pais e os professores devem ter muita informação sobre o transtorno, quanto maior o grau de informação, melhor. E os pais devem conversar com os professores, saber se eles estão informados sobre o assunto e, se não conhecem, devem pedir que procurem orientação. Pais e professores devem manter diálogo constante, a fim de contribuir para o aprendizado e o desenvolvimento dessa criança”, afirma.

A professora Bárbara concorda que os profissionais que acompanham o aluno na escola e a família devem buscar informações sobre o desenvolvimento, o comportamento, os interesses e avanços do aluno em questão. “Isso para que possam celebrar as melhorias no tratamento e o ganho obtido na qualidade de vida. Ou mesmo para que possam analisar a necessidade de readequação do tratamento em vistas à rotina escolar e às demandas e atividades desenvolvidas por ele neste espaço”, observa.

A educadora afirma que o acompanhamento do aluno com TDAH por uma equipe multiprofissional tende a colaborar para que o trabalho em diversas dimensões tenha sucesso. “Mas reforço que é sempre fundamental que estes profissionais conversem, ouvindo o que o sujeito e a família têm a falar”, reafirma. E exemplifica dizendo que, muitas vezes, a medicação dada ao aluno, variando de acordo com a posologia, o deixa sem energia no período de aula. Neste sentido, é necessário indicar essas características comportamentais à família para que ela e o médico que acompanha o aluno possam verificar se existem outras possibilidades que não interfiram negativamente nas atividades e na saúde do estudante.

Ela ainda enfatiza que cabe aos pais ou responsáveis pelo aluno reger o equilíbrio que deve haver entre os diferentes profissionais em atuação, indicando as prioridades desejadas a partir das necessidades observadas na criança, proporcionando, assim, ambientes estruturados para a convivência sadia. “Os pais também precisam buscar por informações a respeito do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, de modo que possam adequar as possíveis exigências domésticas a estas necessidades, proporcionando a ela [criança] um espaço adequado para o seu desenvolvimento”, finaliza.        

(Carolina Mainardes)



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