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quinta-feira, 22 de maio de 2014

RESILIÊNCIA




 Como enfrentar os problemas da vida – Comunicação intrapessoal


Qual é a sua atitude diante da doença, do desemprego, da falta de dinheiro, de um perigo iminente, de uma situação estressante que acontece repentinamente? Você foge, chora ou enfrenta? Como você reage? Você deixa tudo como está, porque “a vida é assim mesmo…”, “é a vontade de Deus…”, ou enfrenta a situação, e busca, na fé e na esperança, na luta, a solução para o problema? Como você se comunica consigo mesmo? É importante responder a essa pergunta, porque, no fundo, a maneira como interpretamos as situações da vida é que vai determinar nossas reações e suas consequências. Isso é comunicação, chamada intrapessoal, que pode ser boa ou ruim.
Você já ouviu falar em resiliência? O termo tem origem no inglês – resilience – e significa a capacidade de alguns materiais resistirem a pressões ou impactos e voltarem à sua forma original. Uma mola, por exemplo.
Na psicologia, porém, que é o que nos interessa, resiliente é aquela pessoa que tem a capacidade de enfrentar problemas, crises, doenças, traumas e perdas, elaborando cada acontecimento e se recuperando da situação sem muito sofrimento. É a capacidade de suportar as dificuldades, aprender com elas usando a flexibilidade emocional e a razão, para encontrar a solução necessária. Umas pessoas são mais resilientes do que outras, mas todos nós podemos aprender e desenvolver essa capacidade. Então, eu pergunto: como anda sua comunicação intrapessoal?
Muitas vezes passamos por situações ou vivemos a vida de modo fatalista, de uma maneira destruidora, nada sadia, sem saber que podemos vencer qualquer dificuldade, por mais difícil que seja. Diante de uma situação difícil ou mesmo impossível de ser mudada, simplesmente nos acomodamos e aceitamos tal situação passivamente. Parece que nossa fé está baseada no negativo, no medo, na autopiedade. Muitas pessoas pensam que a vida é assim mesmo, que é o destino. Assim, elas se conformam e se acomodam. Desse modo, vivemos baseados nos fracassos do passado, nas incertezas do futuro e deixamos de viver o momento presente, que é o que realmente importa. Mas estamos errados em viver dessa maneira! Nesse caso, está faltando a comunicação interna.
François Fénelon (1651-1715), um dos maiores interpretes da mística, escreve: “uma das regras mais importantes da vida espiritual consiste em concentrar-se no momento presente”. o jesuíta Jean Pierre de Caussade (1675-1751) alude, em seus escritos, a um “sacramento do momento presente”. Portanto, nossa atitude diante de uma dificuldade pode ter um significado nada espiritual, antievangélico, dependendo do modo como a enfrentamos.
Temos, também, o péssimo hábito de culpar a Deus por tudo o que acontece conosco e com os outros: “Ah, foi vontade de Deus!” Não é assim que falamos? Ou, então, “a vida é assim mesmo!”; “eu nasci pra sofrer mesmo!”; “as coisas nunca dão certo pra mim!”; “Deus se esqueceu de mim!” “Fulano é que é sortudo!” Coitadinho de nós! Como somos pequenos, injustos, ignorantes, acomodados. Como somos conformados! Deus é responsável por todos os nossos problemas, dores e sofrimentos? Mas, será que é isso que Deus deseja para nós? Será que tem que ser assim? Será que esse é o nosso destino? Ou será que nos comunicamos mal conosco mesmos?
Não podemos ser, pensar e agir dessa maneira. Não podemos ser fatalistas, sofredores, desanimados, acomodados. Nós estamos abrindo mão e, às vezes, dizendo não à nossa própria vida! Nós somos filhos de Deus, criados à Sua imagem e semelhança. Somos mais que vencedores. Somos imbatíveis. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Não podemos cruzar os braços e deixar que as coisas simplesmente aconteçam. Devemos analisar cada situação, buscar soluções, lutar sem esmorecer, levantar a cabeça! Afinal de contas, ninguém vive por nós. Ninguém vive por mim nem por você. Opa! Parece que começa a surgir uma comunicação interna…


Muitas situações em nossa vida nos pede resiliência. Vamos, então, entender melhor essa palavra. Não controlamos tudo o que acontece em nossa vida. E, nesse caso, resiliência significa aceitar determinada situação, imutável ou não, mas com paz no coração, sem nos sentirmos derrotados, sem sermos fatalistas achando que o mundo acabou. Vejamos um exemplo.
Se você está doente, desempregado, passando por uma dificuldade qualquer, não me leve a mal, mas, até certo ponto o problema é exclusivamente seu! Digo até certo ponto, porque a partir do momento que nos levantamos para buscar soluções, o nosso problema passa a ser também de outras pessoas, como familiares, amigos e até mesmo de desconhecidos.
Viktor Frankl, criador da Terceira Escola de Psicoterapia de Viena, a Logoterapia, diz que não podemos fugir de nossos problemas. Devemos assumi-los como exclusivamente nossos – como são mesmo – e enfrentá-los com coragem e sabedoria. A Logoterapia explora o sentido existencial e espiritual do indivíduo. Para Frankl “a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano.” Ele desenvolveu seus estudos enquanto era prisioneiro dos nazistas, no campo de concentração de Auschwitz, na Alemanha, durante a II Guerra Mundial. Ele perdeu sua esposa grávida, seus pais e irmão no Holocausto. Mas diante de tanto sofrimento, ele agraciou a humanidade com seus estudos.
Vamos pensar numa doença como exemplo. A pessoa recebeu o diagnóstico de câncer. É claro que num primeiro momento ela vai sentir medo e ter muitas dúvidas; vai questionar Deus e o mundo; vai se sentir impotente e sozinha. Tudo isso é normal e humano diante de uma notícia dessas. O que fazer, então? Como ser resiliente diante de uma realidade tão dura?
Tudo começa com uma boa comunicação. Sabemos que não é fácil. Porém, acredito que devemos pensar da seguinte forma: tenho uma doença grave, mas existe tratamento. Não vai ser fácil, mas muitas pessoas venceram a doença. Temos muitos exemplos. Ok… Vai doer, vai ser difícil, vai envolver outras pessoas, vou gastar muito dinheiro, vou ter que me dispor de bens e o tratamento também pode não dar certo, MAS É A MINHA VIDA QUE ESTÁ EM JOGO! Se eu não lutar por ela, ninguém vai poder fazer isso no meu lugar. Então, vou erguer a cabeço, raspar o cabelo, usar um lenço, emagrecer, mas eu vou lutar até o fim. Mesmo diante das dificuldades não vou desanimar, não vou abaixar a cabeça nem me entregar. Estou doente, mas vou lutar pela minha cura. Só eu posso fazer isso. Se eu não lutar, nem as técnicas, equipamentos e medicamentos mais modernos vão poder me ajudar. O que depender de mim vou fazer em dobro. Vou exigir o máximo dos médicos, e o que estiver fora do nosso alcance vou colocar nas mãos de Deus. Ele é o Senhor da minha vida e só deseja o meu bem e a minha felicidade. E essa maneira de pensar vale para todo e qualquer tipo de problema. Nada como uma boa comunicação interna para melhorar os ânimos.
E não se trata só de pensamento positivo. É uma atitude de vida, de postura, de comportamento. É a resposta a um problema com a mesma força e intensidade, porém, em sentido contrário. Lembra da mola?
Portanto, resiliência é aceitar uma situação conscientemente, mas não se entregar a ela de maneira derrotista. Só assim tudo se torna mais fácil. Também não podemos nos esquecer de que Deus está sempre conosco. Ele nunca nos desampara, Ele nunca nos abandona. Mas precisamos ir à luta. Precisamos mostrar a Deus nosso desejo de vencer. A pessoa acomodada corre um sério risco de, simplesmente, passar pela vida.
Vá atrás de seus sonhos, levante a cabeça, busque soluções para os seus problemas, sejam eles quais forem. Não tenha medo ou vergonha de pedir ajuda, de se abrir, de se comunicar. Agindo assim as soluções virão da mesma forma que vieram os problemas. Saiba que, nesses casos, Deus só nos diz, Sim. Se cruzarmos os braços – sinal de conformismo – Deus, entristecido, vai nos dizer, sim! Mas, se arregaçamos as mangas e sairmos do nosso comodismo, Deus, de forma poderosa, também vai nos dizer, SIM! E não importa o seu credo, a sua espiritualidade.
Então, comunique-se consigo mesmo, de modo consciente, comunique-se com Deus e com as pessoas que podem ajudar.

http://cassioabreu.com.br/resiliencia/

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sábado, 26 de abril de 2014

TDAH:Procrastinacao nos estudantes




 Sete modos rápidos para resolver ataques de fúria no TDAH.
Nada pode fazer um pai sentir-se mais impotente do que uma criança com TDAH em uma crise de fúria. As lágrimas, a irracionalidade, os membros agitados? Não, não estou falando sobre o pai, mas sobre a criança.

Quando uma criança tem uma crise de fúria em público, os pais se sentem como fracassos – deveríamos ser capazes de controlar nosso filho, certo? Vemos a crítica nos olhos dos outros pais, e nos ofendemos com as sugestões bondosas dos passantes que são bem intencionados, mas que não sabem nada sobre o TDAH.
Mantenha a calma e a compostura. Geralmente as crianças com TDAH são impulsivas e não conseguem controlar seu comportamento. Crises de fúria não dizem nada sobre a sua capacidade de ser pai, porém o que elas refletem é a natureza do TDAH.
Então, o que fazer quando seu filho tiver uma crise de birra numa loja de departamentos ou à mesa da cozinha? Previna-se com alguns modos rápidos de solução. Eu ofereço meus sete favoritos.
Solução 1: Combine um plano
Antes de ir ao setor de doces ou ao de videogame, pergunte ao seu filho o que o acalmaria se ele ficasse irritado. Se ele tiver de fato uma crise, você terá um plano, porque ele já lhe disse o que fazer. Saber do plano deve garantir muito bem que seu filho irá cooperar para que você o utilize.
Solução 2: Entenda a angústia dele
Deixe que ele saiba que você entende o que ele está passando. Com voz calma, fale a seu filho, “Eu sei que você está desapontado porque não achou o brinquedo que queria” ou “Sei que você está bravo porque seus amigos não o convidaram para brincar”. Então, peça a seu filho que dê uma nota para seu desapontamento em uma escala de 1 a 10. Isto lhe dará uma ideia da gravidade do problema, sem ter que reclamar ou repetir o que você diz.
Solução 3: Abra o jogo
Explique a ele que o relógio está andando. Você pode dizer, “Vejamos quanto você demora em se acalmar, então poderemos continuar a aproveitar o resto do nosso dia” ou “Mesmo estando bravo, você precisa se controlar, então poderemos continuar a fazer as compras”.
Solução 4: Afaste a emoção
Peça a seu filho que imagine que há uma lamparina pintada na palma da sua mão. Então, faça com que ele segure a mão com a palma para cima, na frente do rosto, e peça a ele que apague com um sopro a chama imaginária. Uma respiração profunda controla uma criança fora de controle. Uma alternativa: Mantenha uma bexiga ou duas em sua bolsa e peça a ele que as encha, soprando.
Solução 5:
Se você estiver em casa durante uma crise de fúria, peça a seu filho que bata num travesseiro, numa almofada, ou em outro objeto macio e seguro. Brigas de travesseiros, rasgar jornal velho ou apertar uma bola podem acabar com uma crise de fúria.
Solução 6: Aperte o botão certo
Peça a seu filho que finja estar segurando um controle remoto em suas mãos. Peça a ele que aperte o botão que desliga suas emoções.
Solução 7: Peça ajuda
Se o seu filho tem frequentes crises de fúria que não respondem às intervenções, não espere até que sua paciência termine. Trabalhe com um profissional em TDAH para melhorar as chances de evitar essas crises.
Dica de leitores:
“Deixe que seu filho saiba que você o ama, não o comportamento dele. É importante fazer esta distinção. Eu abraço minha filha e a seguro no colo durante uma crise de fúria, garantindo a ela que ela está em segurança. Sua raiva geralmente diminui e se reduz a soluços toleráveis enquanto ela está abraçada a mim.”



Por Michele Novotni, Ph.D.

http://tdah-dourados.blogspot.com.br/2011/09/141-tdah-procrastinacao-nos-estudantes.html

sábado, 15 de março de 2014

Verdades e mitos sobre o TDAH










Foi numa aula de psicologia cognitivo-comportamental que comecei a desconfiar que o TDAH me acompanhava desde a infância. Ao falar sobre o transtorno, a professora parecia estar descrevendo minha vida. Ao mesmo tempo que tal suspeita me provocou uma certa apreensão, saber que todas as minhas peripécias tinham um nome me deu um certo alívio.

Sempre soube que havia algo errado comigo, mas jamais atribuí o problema a um determinado transtorno, vivia acreditando que meus comportamentos se davam por pura falta de comprometimento com as tarefas que realizava, relaxo, preguiça e coisas do tipo. Na família ganhava apelidos como "pancada" o qual perdura até os dias de hoje, na escola, as professoras diziam que eu era muito inteligente, porém muito desatenta, e dessa maneira, tinha um desempenho satisfatório porém aquém do esperado, o que, de certa forma, contribuiu para que ninguém levantasse a suspeita da ocorrência de um transtorno, pois nunca tive dificuldades para alcançar a média. E acredito que essa possa ser a biografia de muitas pessoas que identificam em si múltiplas capacidades, porém parecem sempre estar se auto sabotando.

Desde então, venho frequentando cursos, palestras e lendo várias publicações científicas a cerca do tema e atualmente fazendo uma especialização em neuropsicologia na USP.

Hoje, com mais experiência no assunto, posso afirmar que toda essa divulgação que a mídia vem fazendo a respeito do excesso de diagnóstico desse transtorno é tão grave quanto a ausência do mesmo. Pois a mídia, principalmente a televisiva, tem um papel fundamental na construção da subjetividade da grande maioria da população, e essa se encontra aterrorizada com todas essas publicações. Acredito até que haja alguns diagnósticos equivocados, porém não menos grave é a população, que por influência de uma mídia irresponsável, está deixando de buscar o tratamento adequado que, em muitos casos, prevê uma implementação medicamentosa.

Dessa maneira, sinto-me na obrigação de fazer esse alerta, uma vez que passei muitos anos da minha vida sem esse diagnóstico que foi de suma importância para que hoje eu pudesse seguir na minha profissão com sucesso.

Sendo assim, faz-se importante a busca por profissionais capacitados para o fechamento desse diagnóstico que deve se dar de modo multidisciplinar, afim de evitar equívocos e ter uma orientação adequada de como conduzir.

Texto por Viviane Cornachini

http://www.tdah.net.br/

Sintomas frequentemente confundidos com irresponsabilidade.




Sintomas frequentemente confundidos com irresponsabilidade.

Antes de mais nada gostaria de elucidar que o que me motivou a escrever essas linhas foram os frequentes relatos de pacientes portadores de TDAH que diziam se sentir irresponsáveis perante a família, o trabalho ou a vida acadêmica.

Embora os comportamentos relatados por essas pessoas sejam iguais ou muito semelhantes aos dos tidos "irresponsáveis", o que motiva os referidos comportamentos é de ordem completamente adversa.

Uma vez que o TDAH é concebido como um transtorno de origem neurobiológica que se caracteriza por uma desregulação nos sistemas dopaminérgicos e noradrenérgicos e que esses são responsáveis pelo controle da atenção, organização, planejamento, motivação, cognição, atividade motora, funções executivas e sistema emocional de recompensa, todos os comportamentos, que embora muito se assemelhem com os comportamentos de um "irresponsável", acontecem a revelia do querer dessas pessoas, e o que é pior, acontecem sob a luz de seus próprios julgamentos, pois muitas vezes condenam e julgam ações semelhantes.

Agora falaremos um pouco sobre as pessoas tidas como "irresponsáveis"; são pessoas que geralmente provém de uma educação inadequada onde os valores e a ética frequentemente são deturpados. Comportamentos como: atrasar contas e procrastinar tarefas são adotados de forma "consciente", ou seja, a pessoa decide por agir dessa maneira.

Embora a motivação e o nível de consciência da ação sejam diferentes, o resultado, a grosso modo, é o mesmo, o que torna a vida dessas pessoas ainda mais difícil, pois além de desaprovarem seu próprio comportamento, são julgados o tempo inteiro como se fossem realmente irresponsáveis.

Sendo assim, se faz importante a busca pelo tratamento, que não dá conta de curar o transtorno, mas auxilia o indivíduo no desenvolvimento de estratégias para lidar com essa condição de forma a minimizar esses comportamentos tão indesejáveis.

Um indivíduo pode viver a vida inteira se auto-depreciando e pagando um preço muito alto pela ausência de informação e de tratamento, por isso, se você se identifica com as descritas situações, busque a ajuda de um profissional.

Texto por Viviane Cornachini
http://www.tdah.net.br/
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